domingo, 22 de outubro de 2017

O Centenário e a história do gazeteiro Mané Beiçola, de Água Fria

Mané Beiçola, o ex-gazeteiro transformou-se no vendedor de miúdo no Córrego São Sebastião, em Água Fria. Foto: Diário de Pernambuco/1972.

Nas minhas pesquisas, sempre que encontro artigos que considero interessantes relacionados ao povo ou a região onde fez ou faz parte da minha vida e do meu cotidiano, sejam fatos ou personagens remotos ou antigos escondidos nas prateleiras e armários das bibliotecas e no arquivo público de nosso Estado, onde possivelmente você jamais tomaria conhecimento. Eis que estou aqui para relatá-los. 

O Diário de Pernambuco na edição do dia 1º de julho de 1972, conta a história de Mané Beiçola, um garoto nascido no Alto José do Pinho, que durante 16 anos foi gazeteiro no Recife nos anos 20 do século passado e que após 40 anos o repórter do Diário de Pernambuco o reencontra como vendedor de miúdos no Córrego São Sebastião. O motivo da entrevista estava relacionada as comemorações do centenário da independência do Brasil.

O pesquisador e jornalista Tadeu Rocha relatou a história no Diário de Pernambuco da seguinte forma:

No ano do Centenário da Independência, o Recife possuía perto de 245 mil almas e era a quarta cidade do Brasil, sendo-lhes superiores em população a cidade do Rio, com 1.170.000 habitantes, a capital de São Paulo, com 600.000  e a cidade de Salvador, com 290.000. O Recife era um aglomerado urbano muito civilizado, a que servia um porto quase concluído, por onde se exportavam grandemente o açucar e o algodão e se recebiam  produtos manufaturados quer do sul do país, quer da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Para falar do Recife de há 50 anos e dos jornais que, então, aqui circulavam. Preferi escutar a conversa de um miudeiro do Córrego de São Sebastião, em Água Fria, chamado Manuel Caetano da Paz, que durante 16 anos foi o gazeteiro Mané Beiçola e começou vendendo o Diário de Pernambuco por 200 réis, que ele ainda hoje chama "dois tões". Tal quantia corresponde, agora, à quinquagésima parte de um centavo do cruzeiro novo, mas foi o preço do matutino do Recife na década de 20 e nos começos da de 30.

MENINO DE SUBÚRBIO

Manuel Caetano da Paz é um mulato alegre e feliz, dotado de boa memória e de grande capacidade de relacionamento. Nasceu no Alto José do Pinho, a 13 de maio de 1911, teve 19 irmãos, tem 8 filhos e uma multidão de amigos. É um fiel devoto de Nossa Senhora da Conceição. Lá no Córrego de São Sebastião, onde fica a sua barraca de miúdos, todo mundo o conhece pelo antigo nome dos seus tempos de gazeteiro: Mané Beiçola. Também no Alto do Pascoal onde ele reside, só o chamam por este apelido e ninguém sabe quem ali Manuel Caetano da Paz.

Ficando órfão de pai, o menino Manuel começou a fazer fretes na feira da encruzilhada, por volta de 1921. Ele garante que que por ali ainda passava a maxambomba com destino a Beberibe ou a Campo Grande. Realmente o pequeno trem da Companhia de Trilhos Urbano do Recife a Olinda continuou trafegando mesmo depois da inauguração, em 1914, das primeiras  linhas de bondes elétricos. Somente a 30 de julho de 1922 foi que os bondes da Pernambuco Tramways correram até Beberibe, aposentando a maxambomba que para ali trafegara durante 51 anos.

Mané Beiçola, o gazeteiro (1928)
O GAZETEIRO

Em seu trabalho precoce, no Largo da Encruzilhada, o mulatinho Manuel Caetano fez amizade com com o gazateiro Pilotinho, que chamou para ajudá-lo na venda dos jornais. O menino adorou a nova profissão e logo rendeu o apelido de Beiçola. Ele ainda se lembra de muitos apelidos dos jovens ou velhos gazeteiros dessa época: João Molequinho, Caloura, Ronhento, Massambira, Laquarita, Catorze, João Rouco, Pitota, Zé Pequeno, Costela, Mané-Mané, Amarelinho, Cebola, Budé, Centenário, Chapa Quatro, Bebé, Setenta e Sete e vários outros. Como se recorda Beiçola, pouco eram os gazeteiros, geralmente os mais velhos, que não tinham apelidos.

Começou assim a profissão de gazeteiro, com onze anos de idade e, pouco depois, passou de ajudante a gazeteiro autônimo com a fiança dada por um certo Bibitinha, empregado do agente distribuidor conhecido como Pedro-meu-filho. Crescendo e fortalecendo-se, Beiçola passou a carregar, ainda na década de 20, 700 jornais, assim distribuídos: 150 Diários de Pernambuco, 100 Jornais do Commercio, 100 Jornais do Recife, 250 Diários da Manhã, 25 Diários do Estado, 25 Províncias e 50 Estados. Isto era possível porque os matutinos circulavam com 6 ou 8 páginas diárias. Os vespertinos eram geralmente menores e Beiçola se lembra dos seguintes: Jornal do Recife, Jornal Pequeno, A Rua, A Notícia, A Noite, A Lanceta, Correio da Tarde, Correio Jornal e Diário da Tarde.

Aos 17 anos de idade, Beiçola posou para o fotógrafo amador Francisco Rebêlo e essa foto de 1928 ilustra a presente pesquisa. Manuel Beiçola, agora sexagenário, costuma dizer que viu na rua o Recife crescer, em apenas 16 anos (1922-1938). E é uma grande verdade, pois entre os começos  da década de 20 e os fins da de 30, esta capital aumentou em 50%, tanto em gente de toda espécie com em habitações de todas as categorias. Foi em 1938 que Beiçola deixou de andar nas ruas como gazeteiro, para trabalhar em transportes terrestres, filiando-se ao Sindicato dos Arrumadores, onde se registrou sob o número 740.

AUTORIDADES E DESORDEIROS

Na sua memória  muito pronta e sempre fiel, Manuel Caetano da Paz guarda os nomes dos Governadores do Estado de Pernambuco, nos seus tempos de menino e de rapaz: Dantas Barreto, Manuel Borba, José Bezerra, Sérgio Loreto, Estácio Coimbra, Carlos de Lima e Agamenon Magalhães. Ele fala no Diário da Manhã e Diário da Tarde, de Carlos de Lima Cavalcanti, e na Folha da Manhã, de Agamenon Magalhães. Tem muita gratidão a Carlos de Lima, porque na única vez que foi preso pela polícia, por desordens de outros gazeteiros, o Dr. Carlos mandou-o libertar das grades da  Delegacia do 1º Distrito, então no Pátio do Carmo. Mas também gostava de entregar jornais na casa de Dr. Agamenon, alí na Capunga, sua última zona de trabalho como gazeteiro. Das outras autoridades desse tempo , foi o Dr. Rodolfo Aureliano que mais ficou em sua Lembrança. Em suas próprias palavras: "Quem fez gazeteiro gente foi Dr. Rodolfo".

Andando dia e noite nas ruas da cidade, dos 11 aos 27 anos, Mané Beiçola teria mesmo de conhecer  os valentões que proliferaram no Recife, até 1930. Lembra-se muito bem das valentias de Delfino da Bomba do Hemetério, Cícero da Gameleira, Miguel Celestino, Gato Preto, Corre-Hoje, Zé Molequinho, Valdevino dos Coelhos, Nascimento Grande, Adelino, Padeiro, Paulino, Joaquim Grande, Amaro do Abacaxi, Fon-Fon, Natanael, Pião, Dolero, Dieca, Calouro e Firmino. Havia mesmo um valentão chamado Jesus, o que Mané Beiçola, como católico e devoto de Nossa Senhora não podia entender. Foi no Largo da Encruzilhada, ainda no tempo da maxambomba, que o menino Beiçola viu e temeu o desordeiro Nascimento Grande, cuja fama se espalhava por todo o Recife de há meio século.

UM RECIFE REVOLTOSO

A linguagem popular  de Manuel Caetano da Paz traduz as condições políticas e sociais desta capital, nos começos da década  de 20, com estas palavras: "O Recife era muito revoltoso". De fato, nos meados dos anos de 1922, sucederam-se tumultos e conflitos nesta cidade, com o esfacelamento do acordo partidário "Paz e Concórdia", que um dissidente gaiato chamava "paz com corda". A situação de intranquilidade e insegurança chegou a tal  ponto que o comércio e os educandários fecharam as suas portas, enquanto se concentravam no Recife tanto os batalhões do exército sediados em Alagoas e na Paraíba, com grupos de cangaceiros descidos do sertão.

Largo da Encruzilhada, a estação de trem e a feira onde Mané Beiçola começou a trabalhar. Foto: Instituto Moreira Sales.

Nos últimos dias de maio, houve tamanha confusão nesta capital, com disparos de tiros e detonações de dinamites, que o próprio Diário de Pernambuco deixou de circular no dia 30 e a edição de 31 limitou-se a quatro páginas. Mas a 1º de junho retomou sua feição comum de seis páginas.
Nas eleições para governador do Estado, realizadas em 27 de maio, tinham sido sufragados os nomes de José Henrique e Lima Castro. Cada facção jurava que ganhara  as eleições, pelo que o Arcebispado de Olinda e Recife, através do Deão Pereira Alves, seu Vigário Capitular, cuidou da pacificação de Pernambuco, o que conseguiu, finalmente com a renúncia do Governador  José Henrique, reconhecido pelo Congresso Estadual, e a escolha do Juiz Federal Sérgio Loreto, com candidato de conciliação. Eleito e reconhecido, Sérgio Loreto tomou posse a 18 de outubro de 1922 e logo no dia 21 iniciou a correção da desordem administrativa, reinante em todo território pernambucano.      

Por: Jânio Odon/Vozes da Zona Norte. Extraído do texto do pesquisador Tadeu Rocha, publicado no Diário de Pernambuco/1972. 

Sport Recife vence o Vitória (BA) no Barradão e afasta-se da degola

Diego Souza volta a jogar bem e o Sport vence na Bahia. Foto: Marcelo Malaquias/Folhapress.

12 de outubro de 2017 (quinta-feira)

O Vitória segue sem se impor dentro do Estádio Manoel Barradas. Em 12 partidas disputadas na sua praça esportiva no Campeonato Brasileiro deste ano, o Leão venceu apenas duas e empatou três. A sétima derrota rubro-negra aconteceu nesta quinta-feira de dia das crianças, o algoz da vez foi o Sport, que venceu por 2 a 1, pela 27ª rodada do certame nacional. Diego Souza e Lenis fizeram a a alegria dos visitantes, enquanto que Tréllez descontou para os donos da casa.

Com o revés, o Vitória caiu para a 12ª posição, estacionado nos 32 pontos, na tábua de classificação do campeonato. Já o Sport, que deixou a zona de rebaixamento, deu um salto na tabela. Da 17ª colocação no início da rodada, os pernambucanos subiram para a 11ª ao somar 33 pontos.

O próximo compromisso do Vitória será diante do Santos, na próxima segunda-feira (16), às 19h no horário da Bahia, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, pela 28ª rodada. Enquanto que o Sport recebe a visita do Atlético-MG, no dia anterior, às 16h, no também no horário da capital baiana, na Ilha do Retiro, em Recife.

O JOGO

O time visitante começou tomando a iniciativa na partida. Logo no primeiro minuto, Diego Souza recebeu, fez o paredão, dominou e tocou para Patrick, que encontrou André. Na grande área, o centroavante bateu firme, mas a bola foi para fora.

Errando na trocando de passes, o Vitória teve dificuldades de armar as jogadas ofensivas. Quando conseguia organizar um ataque, o Leão de Salvador esbarrava na segura marcação da equipe pernambucana, impedindo que o goleiro Magrão fosse incomodado.

Aos 20 minutos, Tréllez fez a parede e sofreu a falta. Na cobrança, Fillipe Soutto bateu a meia altura e Magrão caiu e conseguiu fazer a defesa espalmando a bola. A resposta do Sport veio três minutos depois. Diego Douza recebeu na direita, girou e saiu da marcação e invadiu a área em diagonal. O camisa 87 bateu rasteiro, mas Caíque se esticou e desviou para a linha de fundo.

A torcida ficou na bronca com o árbitro do jogo numa jogada armada por Neilton aos 32. O camisa 10 recebeu pelo lado esquerdo, passou por dois marcadores. Quando ele invadiu a grande área, caiu na disputa de corpo com Wesley. Marcelo Aparecido de Souza mandou o atacante levantar e seguiu o jogo.

Caíque fez uma defesa salvadora no minuto 38. O ataque do Sport armou a jogada pelo lado esquerdo. Partick recebeu e fez o cruzamento. André cabeceou e o goleiro do Leão tocou com a mão direita. O lance arrancou até elogios do técnico do Sport, Vanderlei Luxemburgo. No contra-ataque do Vitória, Uillian Correia lançou David, que passou por trás da linhda de defesa, mas o bandeira assinalou o impedimento erradamente.

Aos 45 minutos, o Sport abriu o placar. Em cobrança de falta, Diego Souza bateu por cima da barreira, Caíque se esticou, mas não achou nada. E o camisa 87 fez 1 a 0 para os visitantes.

Segundo tempo

Os dois times voltaram com suas mesmas formações da primeira etapa. Em desvantagem no placar, o Vitória retomou o jogo num ritmo forte buscando o ataque. O Sport, por sua vez, adotou uma postura mais defensiva, povoando os espaços do seu campo e fechando a sua retaguarda.

O Sport ampliou o placar aos 20 minutos. André fez boa enfiada de bola para Diego Souza que avançou por trás do marcador e invadiu na área. Cara a cara com Caíque, o capitão do time pernambucano não foi fominha e tocou para o colombiano Lenis que só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol, fazendo 2 a 0.

O Vitória diminuiu com o também colombiano Santiago Tréllez aos 38 minutos. A bola veio pela direita com um cruzamento de Patric. Na área, André Lima amorteceu e o colombiano bateu forte marcando um belo gol para os donos da casa, fazendo 2 a 1.

Vitória: Caíque; Caíque Sá (Danilinho), Ramon, Wallace e Juninho; Uillian Correia, Fillipe Soutto (Patric), Yago e Neilton; David (André Lima) e Santiago Tréllez. Técnico: Vagner Mancini.

Sport Recife: Magrão; Raul Prata, Henríquez, Durval e Mena; Anselmo, Wesley (Rodrigo) e Patrick; Diego Souza, Osvaldo (Lenis) e André. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Vitória 1 x 2 Sport Recife
Campeonato Brasileiro – 27ª rodada
Local: Barradão, em Salvador
Horário: 17h
Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP)
Assistentes: Anderson José Moraes Coelho (SP) e Bruno Salgado Rizo (SP)
Assistentes adicionais: José Cláudio Rocha Filho (SP) e Vinicius Gonçalves Dias (SP)
Cartões amarelos: Uillian Correia e André Lima (Vitória) / Diego Souza, André (Sport)
Cartão vermelho: André Lima (Vitória)
Gols: Santiago Tréllez (Vitória) / Diego Souza e Lenis (Sport)
Público: 17.538 torcedores.
Renda: R$ 285.574,00.

Por: Bahia Notícias.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Em 1935, um crime contra um bebê, causou revolta e comoção na Bomba do Hemetério

Trecho da manchete de um infanticídio que ocorreu no Córrego da Calma publicado na página policial do Diário de Pernambuco em 5 de dezembro de 1935.

No dia 5 de dezembro de 1935, o Diário de Pernambuco, publicou um fato policial ocorrido no Córrego da Calma, na Bomba do Hemetério, que provocou revolta e comoção aos moradores da localidade pelo grau de perversidade de uma mulher contra um bebê de apenas quatro meses. O jornal narrou o fato da seguinte forma:

Foi sepultado no dia 27 do mês último, no cemitério de Santo Amaro, o cadáver  de uma criança de quatro meses de idade, de cor preta, de nome Severino, vindo da Bomba do Hemetério, comissariado  policial do Arruda.

Esse menino era filho da doméstica Maria de Santana, irmã de um soldado da Brigada Militar, de nome Osório. Eram as mais desencontradas as notícias  que corriam então a respeito da "causa mortis" do pequeno. Chegava-se  a dizer mesmo no local que ele foi vítíma de um crime.
Uma mulher desalmada, amásia do soldado referido, apanhara  a infeliz criança pelas pernas e a jogara na rua. Uma vizinha que assistira á cena brutal apanhou a desditosa criança e levou-a  para casa de uma senhora chamada Júlia, parenta de Maria de Santana. Três dias depois, Severino morria.

A reportagem do Diário de Pernambuco ciente disso e sindicando para esclarecer o fato, esteve ontem na Bomba do Hemetério, no Córrego da Calma, onde faleceu o pequeno. Ali não se fala em outra coisa e por isso foi ao repórter de relativa facilidade encontrar as pessoas que sabem informar relativamente ao perverso infanticídio.

COMO SE ORIGINOU O FATO?

Dona Julia, que recolheu o pequeno contou ao repórter que perto dali reside o soldado Osório, em companhia de Ana, uma mulher de maus hábitos e dada a desordens. Em dias da semana passada chegou à casa de Osório a sua irmã Maria de Santana, com um menino que tivera  em julho último, na maternidade.

Maria de Santana declarou nessa ocasião à amásia de seu irmão o propósito de residir em sua casa, com o que ela não concordou. Por esse motivo estabeleceu-se uma discussão séria entre as duas mulheres. Ana em dado momento empurrou a irmã  do seu amásio para o meio da rua e logo após, num ímpeto de raiva, pegou o menor pelas pernas e o atirou para fora da casa, a criaturinha até o momento gozava saúde e acabava de ser alimentada.


Recolhido pela informante, Severino faleceu na circunstâncias que narramos atrás. No dia da morte de Severino o comissário local mandou chamar á sua presença a mulher criminosa e a deteve no xadrez. A noite foi a mesma, no entanto, posta em liberdade. A polícia remeteu o cadáver para o necrotério. Até hoje não foi aberto inquérito sobre o fato. 

domingo, 8 de outubro de 2017

Sport Recife perde para Ponte Preta, mas segue na Sul-Americana

Ronaldo Alves(spo) combate Léo Gamalho. Foto: Marcos Ribolli

20 de setembro de 2017 (quarta-feira)

O Nordeste terá pela primeira vez um clube nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Nesta quarta-feira, o Sport fez prevalecer a vantagem de 3 a 1 construída no jogo de ida e avançou de fase na competição mesmo perdendo da Ponte Preta por 1 a 0, em Campinas. Logo após ter sofrido o gol, o Leão ficou com um jogador a mais devido à expulsão de Nino Paraíba, não se sobrepôs ao adversário, mas só sofreu o maior susto nos acréscimos ao ver Magrão defender chute de Léo Gamalho. O Rubro-negro agora enfrenta o Junior Barranquilla-COL na etapa seguinte do torneio. 
Com as voltas de Henríquez, Sander e Diego Souza, o Sport encarou uma Ponte que acabara de receber a notícia que teria Eduardo Baptista como treinador. Talvez a fim de mostrar serviço ao novo comandante, presente nas cabines do estádio, o time campineiro iniciou com uma postura totalmente diferente do jogo de dia. Ainda que não tenha em nenhum momento esboçado uma pressão, desta vez, ao menos, partiu para cima da acuada e desorganizada equipe de Vanderlei Luxemburgo. 

Cedo, aos 15 minutos, o Leão sofreu o golpe. Renato Cajá cobrou falta, a bola desviou na barreira e sobrou para Lucca, que deslocou Magrão para abrir o placar. A Ponte, no entanto, se entusiasmou com a possibilidade real de passar fase com apenas mais um gol. Avançou terreno e começou a ceder muito espaço ao Sport. Os leoninos tentavam se aproveitar de contra-ataques a todo instante.

Em uma dessas descidas, Lenis acertou o travessão ao arriscar um chute (ou cruzamento), quase encobrindo o goleiro João Carlos. Em outra investida, Mena sofreu entrada dura do já “amarelado” Nino Paraíba, que terminaria expulso. Embora contasse com um atleta a mais em campo, o Rubro-negro esteve longe de ter o controle da partida. No fim do primeiro tempo, Magrão ainda evitou que Léo Gamalho ampliasse a vantagem da Macaca.

Luxemburgo quis melhorar o Sport ofensivamente. Tirou Sander e voltou do intervalo com Thomás, que foi para a beirada, deslocando Mena para a lateral. Depois, mexeu na outra ponta: Rogério por Lenis. As substituições pouco surtiram efeito. Sorte do time recifense que a Ponte esbarrava nas suas próprias deficiências e não tinha força para atacar com um jogador a menos. Nos acréscimos, Léo Gamalho teve a chance de fazer o gol da classificação. Magrão salvou de novo.

Ponte Preta 1
João Carlos; Nino Paraíba, Marllon, Luan Peres e Danilo Barcelos; Naldo (Wendel), Elton e Renato Cajá (Claudinho); Felipe Saraiva (Jeferson), Lucca e Léo Gamalho. Técnico: João Brigatti (interino).

Sport Recife 0
Magrão; Raul Prata, Ronaldo Alves, Henríquez e Sander (Thomás); Patrick, Rithely, Mena, Lenis (Rogério) e Diego Souza; André. Técnico: Vanderlei Luxemburgo. 

Estádio: Moisés Lucarelli (Campinas-SP). Árbitro: Roddy Zambrano Olmedo (Equador). Assistentes: Byron Romero e Juan Macías (ambos do Equador). Cartões amarelos: Felipe Saraiva, Léo Gamalho, Claudinho (Ponte Preta); Sander, Thomás, Lenis, Patrick (Sport). Cartão vermelho: Nino Paraíba. Gol: Lucca (16’ do 1T, Ponte). Público: 6.890. Renda: R$ 43.700,00.

Por: Yuri de Lira/Diário de Pernambuco.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Sport Recife vence bem a Ponte Preta pela Sul Americana

Rithely faz o segundo gol do leão da Ilha.

13 de setembro de 2017 (quarta-feira)

O jejum está quebrado. O Sport voltou a vencer. A convencer. Após seis partidas de seca no Brasileirão, o Rubro-negro largou na frente na disputa das oitavas de final da Sul-Americana pela inédita classificação às quartas da torneio. Na noite desta quarta-feira, na Ilha do Retiro, o Leão teve uma atuação equilibrada. Cansou de desperdiçar oportunidades no segundo tempo, mas ganhou por 3 a 1 da Ponte Preta. O gosto amargo ficou pelo gol que sofreu, feito na primeira finalização do adversário no jogo e já no fim do segundo tempo. As equipes se reencontram daqui a uma semana, em Campinas. Antes, os pernambucanos tentarão retomar também as vitórias na Série A: domingo que vem, no Rio de Janeiro, contra o Flamengo. 

Desfalcado de Henríquez, Wesley e Everton Felipe, o Sport foi escalado com mais novidades que se esperava. Além de Durval, Sander e Lenis nos respectivos lugares deles, Raul Prata também ganhou uma chance e ocupou a vaga do contestado Samuel Xavier na lateral direita. Sem mostrar abatimento pela série de jogos sem ganhar no Brasileirão, com direito a três derrotas seguidas, o Leão tomou logo a iniciativa da partida como há tempos não tomava. O prêmio veio. Aos sete minutos, Aranha defendeu cabeçada venenosa de Diego Souza, mas não segurou o chute de Ronaldo Alves no rebote do lance: 1 a 0.

O gol no início serviu como elo de aproximação entre a torcida e a equipe. Pode até ter evitado maiores cobranças a um Sport que começou a diminuir progressivamente a sua volúpia, de modo que praticamente nenhuma chance clara era criada. O Rubro-negro passou a ter dificuldade na armação. Havia pouca aproximação entre os atletas. E, assim como surgiu o primeiro gol, o Leão tentava se valer de bolas alçadas na área diante de uma Ponte Preta quase nula para atacar.

Mais uma vez, a jogada aérea deu certo. Antes em rota de colisão com os torcedores, Rithely completou para o gol um novo cruzamento de Mena, aos 44 minutos da etapa inicial. A Ilha do Retiro se inflamou ainda mais com um Sport, apesar de pouco criativo, disposto, poderoso na finalização e eficiente na retaguarda. 

Os leoninos aumentaram bastante a intensidade de jogo no segundo tempo e cresceram vertiginosamente de produção. Diego Souza já começou perdendo um gol na cara do goleiro. André furou na frente de Aranha logo depois. Na sequência, Raul Prata se atrapalhou com a bola, perdeu o ‘timing’ para finalizar, mas ainda viu a zaga salvar o seu gol em cima da linha. Tudo isso com somente onze minutos de partida.

Contra uma Ponte exposta, permissiva e com um ataque que inexistia, o Sport tinha agora facilidade para tocar a bola e adentrar na defesa adversária. No entanto, continuava perdendo gols. Tivessem mais capricho, Patrick, Rithely poderiam ter aumentado a vantagem no placar. Um chute desviado do mesmo Rithely beijou a trave inacreditavelmente. De tanto martelar, porém, o Leão ampliou após passe de Raul Prata, aos 30. Nesse cenário, o inimaginável aconteceu. Na primeira finalização da Macaca, o Leão sofreu gol, feito por Felipe Saraiva, aos 37. Magrão ainda salvou o segundo dos campineiros.
Ronaldo Alves (spo) autor do primeiro gol, disputa a bola com Leo Gamalho (ponte).

Sport Recife
Magrão; Raul Prata, Ronaldo Alves, Durval e Sander; Patrick, Rithely, Mena, Lenis (Rogério) e Diego Souza; André (Anselmo). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Ponte Preta
Aranha; Nino Paraíba, Marllon, Luan Peres e Danilo Barcelos; Naldo, Fernando Bob, Elton (Renato Cajá) e Felipe Saraiva; Lucca (Jeferson) e Léo Gamalho. Técnico: Gilson Kleina. 

Estádio: Ilha do Retiro (Recife-PE). Árbitro: Gustavo Murillo (Colômbia). Assistentes: Humberto Clavijo e Wilmar Navarro (ambos da Colômbia). Cartões amarelos: Diego Souza, Durval, Sander (Sport); Danilo Barcelos, Nino Paraíba, Fernando Bob (Ponte Preta). Gols: Ronaldo Alves (7’ do 1T, Sport), Rithely (44’ do 1T, Sport), André (30’ do 2T, Sport) e Felipe Saraiva (37’ do 2T, Ponte). Público: 6.254. Renda: R$ 114.825,00.

Por: Yuri de Lira/Diário de Pernambuco.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Náutico, vice-campeão da Taça Brasil de 1967

Uma das formações do Clube Náutico Capibaribe, Vice-Campeão da Taça Brasil de 1967: (Em pé) Gena, Mauro, Fraga, Clóvis, Lala e o goleiro Lula. (Agachados): Miruca, Paulo Choco, Bita, Ivan e Nino.


A Taça Brasil de futebol foi uma competição organizada pela antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em 1959, e que foi disputada até 1968. Daí, saía os dois clubes representantes do Brasil na Taça Libertadores. A disputa da Taça Brasil de 1967, começou no dia 30 de junho e terminou em 29 de dezembro. Foram realizadas 61 partidas e marcados 168 gols, média de 2,75 gols por jogo. O artilheiro da competição foi o jogador Chicletes (Treze-PB) com 6 gols. A maior goleada aconteceu no dia 19 de novembro: Grêmio 8 x 0 Perdigão(SC). 

Neste período, o Esporte Clube Bahia, o Clube Náutico Capibaribe e o Fortaleza Esporte Clube eram as melhores equipes do Nordeste Brasileiro. Na Taça Brasil, o Bahia chegou a ser campeão em 1959. Com a atual unificação feita pela CBF, o Bahia é considerado o primeiro campeão brasileiro de futebol da “Série A”, depois, foi vice-campeão em 1961 e 1963, perdendo ambas vezes, para o poderoso Santos de Pelé. O Fortaleza por sua vez, foi vice-campeão por duas vezes. A primeira em 1960, onde perdeu a final para o Palmeiras de Ademir da Guia, e em 1968, quando perdeu na final para o grande Botafogo de Mané Garrincha.

O Clube Náutico Capibaribe dominou o futebol pernambucano na década de 60 do século XX. Montou o melhor time de sua história futebolística em todos os tempos. Conquistou sete vezes o Campeonato Pernambucano (1960, 63, 64, 65, 66, 67 e 68) e mantem até hoje, o maior tabu do campeonato pernambucano, o hexa campeonato. Nessa época, o Clube Náutico Capibaribe tinha uma equipe capaz de derrotar grandes times como o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, e o Cruzeiro de Tostão e Piazza. O Náutico tinha Bita, o maior artilheiro da história do futebol pernambucano com 224 gols. Duas vezes artilheiro da Taça Brasil. Em 1965, com 9 gols, e em 1966, com 10 gols. Para Taça Brasil de 1967, o Náutico recontratou o seu grande artilheiro, Bita, que havia ido para o Nacional do Uruguai, sendo o primeiro jogador de um clube pernambucano a ir jogar no exterior, mas, ele não se adaptou ao futebol uruguaio e retornou após seis meses, e não foi bem na competição devido à contusões. O Náutico já havia contratado no ano anterior junto ao Treze de Campina Grande, Miruca, que foi o grande nome desta competição. Trouxe de volta, Salomão, que foi jogar no Santos, depois foi negociado ao Vasco da Gama e posteriormente, retornou ao Recife para concluir o curso de medicina, sendo um dos grandes nomes desta campanha do alvirrubro de Rosa e Silva. Outros nomes que foram encaixados  neste grande elenco e se destacaram foram: o goleiro Lula, que retornou depois de se recuperar de várias lesões, e o prata da casa, Rafael, que foi a grande revelação da equipe alvirrubra. Entre os veteranos destacaram-se, o clássico defensor Gena; o goleiro Valter; o meia Ivan Brondi e os atacantes Ladeira e Nino.

Duque era o técnico do Náutico
A TRAJETÓRIA ALVIRRUBRA

O Náutico começou a disputa da Taça Brasil de 1967, no dia 22 de outubro, no Estádio dos Aflitos, enfrentando o campeão cearense, o América, que fazia 31 anos que não levantava a taça do estadual, e que já havia vencido os confrontos com o Paysandu e Treze. O Náutico venceu o América pelo placar de 1 a 0, gol de Salomão. O arbitro do confronto foi Guálter Portela Filho (RJ). Público aproximado de 8.000 torcedores, com renda de NCr$ 21.414,00.

O jogo da volta, aconteceu em 29 de outubro, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Com a arbitragem de Amilcar Ferreira (RJ) e uma renda de NCr$ 24.000,00. A imprensa na época, não informava o público. O Náutico voltou a vencer o América por 1 a 0, gol de Miruca. O América perdeu com: Pedrinho; Ribeiro, Cícero, Luciano Frota e Ninoso (Aráujo); Osmar e Loril; Mozart, Wilson, Da Silva e Zé Geraldo. O Náutico venceu e classificou-se para próxima fase com a seguinte formação: Lula; Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Salomão, Ladeira e Ivan; Miruca, Nino (Paulo Choco) e Lala. Técnico: Duque.

ROTA MINEIRA

Depois de despachar o campeão cearense, o Náutico pegou duas pedreiras. O Atlético Mineiro, campeão mineiro de 1966 e posteriormente, o poderoso Cruzeiro de Raul Plasmann, Piazza e Tostão e Cia. Campeão da Taça Brasil do ano anterior.

O segundo play-off alvirrubro foi contra o Atlético Mineiro, que já havia despachado o Goytacaz (RJ) e o Botafogo carioca de  Manga, Leônidas, Gerson e do técnico Zagalo. Que foi eliminado, pasmem! Na moeda, no cara-coroa. O primeiro confronto aconteceu em 22 de novembro, na Ilha do Retiro. Todos os gols foram marcados no primeiro tempo. Salomão cobrando falta de fora da área, abriu a contagem aos 4 minutos. Ladeira fez o segundo gol aos 37 minutos e Bita fez o terceiro aos 42 minutos. O arbitro foi Romualdo Arpi Filho. O Náutico venceu com Lula (depois, Valter); Gena, Mauri, Fraga e Clóvis; Salomão e Ivan; Miruca, Bita, Ladeira e Lala. Técnico: Duque. O Atlético Mineiro perdeu com Luizinho; Humberto, Edmar, Dilsinho e Varlei; Mario e Santana; Willian, Bianchini, Beto (depois Lola) e Pelado. Técnico auxiliar: Dequinha.

O segundo jogo, aconteceu em 29 de novembro, no Mineirão. O Atlético Mineiro venceu o Náutico por 2 a 0, gols de Amaury e Mauro (contra). Com este resultado, foi necessário a realização de um terceiro jogo. O arbitro foi Amilcar Ferreira (RJ). Renda: NCR$ 63.440,00 e o público foi de 23.327 torcedores. O Atlético Mineiro jogou completo, pois no jogo de Recife poupou alguns titulares pensando que o Náutico seria presa fácil. A equipe mineira atuou e venceu com: Hélio; Canindé, Grapete, Dilsinho e Décio; Vanderlei e Adilson (depois Amauri); Buião, Laci, Renaldo e Tião. Técnico: Freitas Solich.


O goleiro Lula garante o empate do Náutico em 2 a 2 no Mineirão, que eliminou o Atlético. Foto extraída do Blog do Roberto.

O terceiro e decisivo jogo, aconteceu no dia 1º de dezembro, também no Mineirão. O primeiro tempo do jogo normal terminou sem gols. No segundo tempo, logo aos 6 minutos, Amauri marcou para o Atlético. Aos 19 minutos, pênalti para o Náutico. João Silva derrubou Miruca dentro da grande área. Salomão cobrou e o goleiro Hélio defendeu. Mas, aos 28 minutos, Miruca empatou para o timbu e aos 30 minutos, Nino desempatou para o alvirrubro pernambucano. Mais o jogo era dramático e o galo mineiro empatou novamente aos 33 minutos, através de Laci. 

Terminado o jogo no tempo normal em 2 a 2. As equipes foram para a prorrogação para decidir a vaga para próxima fase. Com dois tempos de 15 minutos. Atlético e Náutico fizeram um jogo eletrizante, até que aos 8 minutos da etapa final da prorrogação, outro pênalti para o Náutico. Vanderlei derrubou Gena dentro da área. Miruca chutou forte, a bola bateu na trave e saiu para linha de fundo. Mas, o Náutico suportou a pressão e segurou o empate até o arbitro dá o apito final. 

O arbitro do jogo foi Ethel Rodrigues (MG). O público foi de 31.714 torcedores, com uma renda de NCr$ 82.440,00. O Atlético Mineiro jogou com: Hélio; Canindé, João Silva, Grapete, Décio (depois Varlei); Vanderlei e Amauri; Buião, Laci, Lola e Tião. Técnico: Freitas Solich. O Náutico classificou-se com: Lula; Gena, Mauro, Clóvis e Fraga; Paulo Choco (depois Salomão) e Ivan; Miruca, Nino, Ladeira e Lala. Técnico: Duque.

O terceiro adversário do Náutico foi uma pedreira. O alvirrubro pernambucano enfrentou o poderoso Cruzeiro dos consagrados Raul Plasmann, Piazza, Tostão e Dirceu Lopes. Atual campeão da Taça Brasil, a raposa entrou na competição já nas semifinais. 

O primeiro jogo aconteceu no dia 6 de dezembro no Mineirão. O Cruzeiro venceu pelo placar de 2 a 1. Os gols aconteceram no 2º tempo. Hilton Oliveira abriu o placar para o Cruzeiro aos 23 minutos, Rafael empatou para o Náutico aos 37 minutos, e dois minutos depois, Natal fez o gol da vitória cruzeirense. O arbitro foi Cláudio Magalhães (RJ) e a renda somou a importância de NCr$ 92.580,00. O Cruzeiro venceu com: Raul; Pedro Paulo, Vitor, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes;, Natal, Tostão, Evaldo (depois Davi) e Hilton Oliveira. Técnico: Orlando Fantoni. O Náutico perdeu com: Lula; Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Salomão (depois Rafael) e Ivan; Miruca, Nino, Ladeira e Lala. Técnico: Duque. Na outra semifinal, o Grêmio venceu o Palmeiras em Porto Alegre, por 2 a 1.


O Náutico conquistou uma façanha incrível. Eliminou o Cruzeiro que era na ocasião, o atual campeão da Taça Brasil e tinha um grande elenco como este. Em pé: Neco, Pedro Paulo, Willian, Procópio, Piazza e o goleiro Raul. (agachados) Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.

O segundo jogo aconteceu no dia 13 de dezembro no Estádio da Ilha do Retiro (Recife). O Náutico foi espetacular. Em grande jogo, os alvirrubros não tomaram conhecimento do então, campeão da Taça Brasil e venceram o Cruzeiro pelo convincente placar de 3 a 0. O primeiro gol aconteceu aos 20 minutos do primeiro tempo, através de Miruca, de pênalti. Logo depois, aos 29 minutos, Lala, ampliou o placar. No segundo Tempo, o Náutico fez mais um, novamente através do paraibano Miruca, o grande nome do jogo, aos 13 minutos. O público foi de 38.074 torcedores. Renda recorde no Recife, NCr$ 104.848,00 (Cento e quatro mil, oitocentos e quarenta e oito cruzeiros novos). O arbitro foi Antônio Viug (RJ). O Náutico venceu com: Lula (depois Valter); Gena Mauro, Fraga e Clóvis; Salomão e Ivan; Miruca, Ladeira, Nino e Lala. Técnico: Duque. O Cruzeiro perdeu com: Raul; Pedro Paulo, Vitor (depois Vavá), Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Zé Carlos, Tostão e Hilton Oliveira. Técnico: Orlando Fantoni. No outro jogo da semifinal, O Palmeiras venceu o Grêmio no Pacaembu (SP) por 3 a 1. 

O terceiro e decisivo jogo contra o Cruzeiro, aconteceu novamente no Estádio da Ilha do Retiro (Recife), em 15 de dezembro. O jogo foi duríssimo, mais o Náutico conseguiu segurar o ímpeto da excelente equipe do Cruzeiro, tanto no tempo normal, como na prorrogação, que terminaram em 0 a 0. Com este resultado, o Clube Náutico Capibaribe se credenciou a jogar a finalíssima da Taça Brasil contra o Palmeiras de Ademir da Guia e Cia, que vencera novamente o Grêmio por 2 a 1, no Pacaembu (SP). 
O Palmeiras sagrou-se campeão da Taça Brasil de 1967 com esta escalação que está faltando o grande Ademir da Guia. Em pé: o goleiro Perez, Geraldo Scalera, Baldocchi, Minuca, Ferrari e Zequinha (ex- Santa Cruz). Agachados: César, Servílio, Tupãzinho, Dudu e Lula. Obs: Zequinha e Lula eram pernambucanos. Zequinha nasceu no Recife, e Lula em Arcoverde.

OS FINALISTAS

O primeiro jogo da finalíssima, aconteceu no Recife, no Estádio da Ilha do Retiro. O Náutico pressionou o Palmeiras nos 10 minutos iniciais, depois, o Palmeiras equilibrou o jogo, chegando a dominar o jogo. Destaque para Ademir da Guia, Zequinha e Tupãzinho, que jogaram muita bola. O primeiro gol do jogo, aconteceu aos 17 minutos da fase inicial. Num contra-ataque do Náutico, Ladeira recebeu no meio de campo e lançou em profundidade para Nino, em posição de impedimento. O arbitro estava longe do lance e o bandeirinha, também não deu. Nino tocou na saída do goleiro Perez para abrir o placar. Aos 23 minutos, Geraldo cruzou uma bola alta na área do Náutico e Cesar empatou de cabeça. Aos 37 minutos, num chute de longa distância, Zequinha virou para o Palmeiras. No segundo tempo, a torcida alvirrubra esperava uma reação  do Náutico, mas, logo aos 20 segundos, dada a saída no meio de campo, Lula infiltrou-se pelo lado esquerdo do campo e arrematou forte e cruzado contra o gol de Lula, que nada pôde fazer. O jogo seguiu bem disputado até o final. Náutico 1 x 3 Palmeiras. No dia seguinte, na seção de esportes, a “Folha de São Paulo” anunciava: “Taça é quase do Palmeiras”.

O arbitro do jogo foi Arnaldo César Coelho (RJ) com uma atuação regular. A renda somou a quantia de NCr$ 91.150,00. Público aproximado de 20.000 torcedores. O Náutico perdeu com: Lula; Fernando, Mauro, Fraga e Clóvis; Salomão (depois Paulo Choco) e Ivan; Miruca, Nino, Ladeira e Lala. Técnico: Duque. O Palmeiras venceu com: Perez; Geraldo, Baldocchi, Minuca e Ferrari; Dudu e Zequinha; Cesar, Tupãzinho, Ademir da Guia e Lula. Técnico: Mario Travaglini.


A forte marcação imposta pelo Náutico no Pacaembu diante do Palmeiras, levou o alvirrubro pernambucano a vitória inesperada pelo placar de 2 a 1 e forçou o terceiro e decisivo jogo no Maracanã. Foto: Folha de São Paulo.

O segundo jogo da decisão aconteceu em São Paulo, no Estádio do Pacaembu. A torcida e a imprensa esportiva, não só de São Paulo, como de todo o país, dava como certa, a vitória palmeirense. No entanto, o Clube Náutico Capibaribe, mostrou que não era um mero coadjuvante. Jogou com muita garra e valentia, num jogo digno de uma decisão. E o clube pernambucano de Rosa e Silva saiu do Pacaembu com uma vitória surpreendente e emocionante em cima de um esquadrão magnífico que era a equipe alviverde do Palestra Itália.

O jogo foi emocionante do início ao fim, o Náutico provou que era o melhor time do Nordeste e mostrou dentro de campo que não estava para brincadeira. O Náutico abriu o placar logo aos 17 minutos de jogo, através de Ladeira. Numa rebatida da defesa palmeirense, o atacante alvirrubro que se encontrava na intermediária acertou um chute forte com efeito, no ângulo superior direito do goleiro Perez que estava adiantado. Aos 30 minutos, Fraga e Servilio se agrediram e foram expulsos. Aos 43 minutos, Miruca em brilhante jogada no meio de campo, driblou Dudu, Ferrari e Zequinha e invadiu a área palmeirense servindo a Nino que deu um drible de corpo em Baldocchi e na saída do goleiro Perez, tocou com um leve toque no canto direito do arqueiro. 

No segundo tempo, mais emoção. Aos 18 minutos, Ladeira e Baldocchi se embolaram no gramado, e o árbitro verificou uma agressão mutua e expulsou os dois. Aos 36 minutos, Dudu avança pela direita e cruza para Tupãzinho entre a zaga do Náutico, que marca o gol de honra do Palmeiras.

A Folha de São Paulo em sua análise, considerou Dudu, o melhor jogador palmeirense. E destacou os dois goleiros alvirrubros Lula, que machucou-se e foi substituído por Valter. O zagueiro Mauro, os meias Rafael e Ivan, e os atacantes Miruca e Nino.
A renda no Pacaembu foi de NCr$ 98.632,00. O árbitro foi Arnaldo Cesar Coelho (RJ) com bom desempenho. O Palmeiras perdeu com: Perez; Geraldo Scalera, Baldocchi, Minuca e Ferrari; Dudu e Zequinha; Cesar, Servilio, Tupãzinho e Lula (Ademir da Guia). Técnico: Mario Travaglini. O Náutico venceu com: Lula (depois Valter); Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Rafael e Ivan; Miruca, Ladeira, Nino e Lala (depois Limeira). Técnico: Duque.

Com este surpreendente resultado do Náutico, houve o terceiro e decisivo jogo em campo neutro, realizado no Maracanã. 
Num Maracanã encharcado pelas fortes chuvas que castigaram o gramado durante todo o dia, e que afugentou muita gente de ir ao estádio. O Náutico, apesar do esforço, não fez um bom jogo e acabou perdendo para o Palmeiras pelo placar de 2 a 0, gols de Cesar aos 7 minutos do primeiro tempo, e Ademir da Guia aos 33 minutos do 2º tempo.

A Folha de São Paulo assim publicou sobre o jogo: “ Baqueou o Náutico ante uma equipe que foi superior, mas não deixou má impressão. Seu ataque não apareceu por duas razões: o controle de seu meio de campo, que não foi pros lados. Não pôde expandir-se e porque os seus pontas foram bem marcados e assim os elementos de área se viram alvo mais fácil da capacidade de destruição de Minuca e Baldocchi. Valter (goleiro do Náutico), sem repetir a ação do Pacaembu, foi figura saliente da defesa. Gena o mais clássico e seguro dos zagueiros, enquanto Mauro e Fraga saíram-se bem, apesar da árdua tarefa. Clóvis o menos eficiente. Rafael e Ivan tiveram mais saliência no trabalho defensivo, enquanto Miruca e Nino foram os melhores avantes”.


O goleiro Valter (Náutico) nada pôde fazer no chute potente do atacante César, que abriu o placar no Maracanã. Foto: O Globo.

O jogo do Maracanã, aconteceu em 29 de dezembro, o árbitro foi Armando Marques (RJ). O público de 16.577 para uma renda NCr$ 43.537,75. O Palmeiras venceu com: Perez; Geraldo Scalera, Baldocchi, Minuca e Ferrari; Dudu e Zequinha; Cesar, Tupãzinho, Ademir da Guia e Lula. Técnico: Mario Travaglini. O Náutico perdeu com: Valter; Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Rafael e Ivan; Miruca, Ladeira (Paulo Choco), Nino e Lala. Técnico: Duque.

Com este resultado, o Palmeiras tornou-se Campeão da Taça Brasil de 1967. O Clube Náutico Capibaribe ficou com o vice-campeonato e tornou-se o primeiro clube pernambucano classificado para a disputar a Taça Libertadores da América (1968). 

A Taça Brasil de 1967 foi disputada por 21 clubes: Palmeiras(SP), Cruzeiro(MG), Atlético(MG), Botafogo(RJ), Grêmio(RS), Náutico(PE), Treze(PB), CSA(AL), ABC(RN), América(SE), Leônico(BA), América(CE), Piauí(PI), Moto Clube(MA), Paysandu(PA), Goytacaz(RJ), Rio Branco(ES), Goiás(GO), Rabello(DF), Ferroviário(PR) e Perdigão(SC). 


CAMPANHA DOS CLUBES PERNAMBUCANOS NA TAÇA BRASIL (1959-1968)

TAÇA BRASIL DE 1959 
23/8/59- Auto Esporte(PB) 0 x 3 Sport Recife – Local: Almeidão (PB) 
30/8/59- Sport Recife 5 x 2 Auto Esporte(PB) – Local: Ilha do Retiro (PE)
13/9/59- Sport Recife 2 x 2 Tuna Luso (PA) – Local: Ilha do Retiro (PE)
27/9/59- Tuna Luso (PA) 1 x 3 Sport Recife – Local: Francisco Vasquez (PA)
27/10/59- Bahia 3 x 2 Sport Recife –  Local: Fonte Nova (BA)
30/10/59- Sport Recife 6 x 0 Bahia – Local: Ilha do Retiro (PE)
3/11/59- Sport Recife 0 x 2 Bahia – Local: Ilha do Retiro (PE) (Bahia classificado)

TAÇA BRASIL DE 1960
16/11/60- Santa Cruz 2 x 2 Fortaleza – Local: Ilha do Retiro (PE)
23/11/60- Fortaleza 2 x 1 Santa Cruz- Local: Presidente Vargas (CE) (Fortaleza classificado)

TAÇA BRASIL DE 1961
23/11/61- Náutico 0 x 0 Bahia- Local: Aflitos (PE)
27/11/61- Bahia 1 x 0 Náutico- Local: Fonte Nova (BA) (Bahia classificado)

TAÇA BRASIL DE 1962
12/10/62- Sport Recife 2 x 0 Ceará- Local: Ilha do Retiro (PE)
17/10/62- Ceará 1 x 1 Sport Recife- Local: Presidente Vargas (CE)
20/11/62- Campinense (PB) 0 x 0 Sport Recife- Local: Plínio Lemos (PB)
24/11/62- Sport Recife 3 x 0 Campinense (PB)- Local: Ilha do Retiro (PE)
12/1/63- Sport Recife 1 x 1 Santos- Local: Ilha do Retiro (PE)
16/1/63- Santos 4 x 0 Sport Recife- Local: Pacaembu (SP) (Santos classificado)

TAÇA BRASIL DE 1963
15/9/63- Paysandu 0 x 1 Sport Recife- Local: Francisco Vasquez (PA)
19/9/63- Sport Recife 2 x 0 Paysandu- Local: Ilha do Retiro (PE)
25/9/63- Sport Recife 2 x 2 Bahia – Local: Ilha do Retiro (PE)
29/9/63- Bahia 1 x 0 Sport Recife- Local: Fonte Nova (BA) (Bahia classificado)

TAÇA BRASIL DE 1964
30/8/64- Náutico 3 x 1 Paysandu- Local: Aflitos (PE)
6/9/64- Paysandu 0 x 6 Náutico- Local: Curuzu (PA)
20/9/64- Náutico 3 x 0 Ceará- Local: Aflitos (PE)
27/9/64- Ceará 1 x 0 Náutico- Local: Presidente Vargas (CE)
29/9/64- Ceará 4 x 0 Náutico- Local: Presidente Vargas (CE) (Ceará classificado)

TAÇA BRASIL DE 1965
29/8/65- Remo 3 x 0 Náutico – Local: Baenão (PA)
5/9/65- Náutico 3 x 1 Remo – Local: Aflitos (PE)
7/9/65- Náutico 3 x 1 Remo – Local: Aflitos (PE)
15/9/65- Náutico 2 x 0 Vitória (BA) – Local: Aflitos (PE)
22/9/65- Vitória (BA) 0 x 2 Náutico – Local: Fonte Nova (BA)
13/10/65- Fortaleza 2 x 3 Náutico – Local: Presidente Vargas (CE)
20/10/65- Náutico 3 x 2 Fortaleza – Local: Aflitos (PE)
3/11/65- Náutico 2 x 2 Vasco da Gama – Local: Aflitos (PE)
10/11/65- Vasco da Gama 1 x 0 Náutico – Local: Maracanã (RJ) (Vasco da Gama classificado)

TAÇA BRASIL DE 1966
28/9/66- Náutico 3 x 0 Vitória (BA) – Local: Aflitos (PE)
15/10/66- Náutico 3 x 2 Vitória (BA) – Local: Ilha do Retiro (PE)
19/10/66- Palmeiras 0 x 0 Náutico – Local: Pacaembu (SP)
26/10/66- Náutico 0 x 0 Palmeiras – Local: Ilha do Retiro (PE)
28/10/66- Náutico 3 x 0 Palmeiras - Local: Ilha do Retiro (PE)
9/11/66- Náutico 0 x 2 Santos – Local: Ilha do Retiro (PE)
17/11/66- Santos 3 x 5 Náutico – Local: Pacaembu (SP)
19/11/66- Santos 4 x 1 Náutico – Local: Pacaembu (SP) (Santos classificado)

TAÇA BRASIL DE 1967
22/10/67- Náutico 1 x 0 América (CE) – Local: Aflitos (PE)
29/10/67- América (CE) 0 x 1 Náutico – Local: Presidente Vargas (CE)
22/11/67- Náutico 3 x 0 Atlético (MG) – Local: Ilha do Retiro (PE)
29/11/67- Atlético (MG) 2 x 0 Náutico – Local: Mineirão (MG)
1/12/67- Atlético (MG) 2 x 2 Náutico, prorrogação: 0 x 0. Local: Mineirão (MG)
6/12/67- Cruzeiro 2 x 1 Náutico – Local: Mineirão (MG)
13/12/67- Náutico 3 x 0 Cruzeiro – Local: Ilha do Retiro (PE)
15/12/67- Náutico 0 x 0 Cruzeiro- Local: Ilha do Retiro (PE)
20/12/67- Náutico 1 x 3 Palmeiras – Ilha do Retiro (PE)
27/12/67- Palmeiras 1 x 2 Náutico – Pacaembu (SP)
29/12/67- Palmeiras 2 x 0 Náutico – Maracanã (RJ) ( Palmeiras campeão, Náutico vice)

TAÇA BRASIL DE 1968
24/8/69- Fortaleza 2 x 1 Náutico – Local: Presidente Vargas (CE)
27/8/69- Náutico 2 x 1 Fortaleza – Local: Aflitos (PE)
29/8/69- Náutico 0 x 1 Fortaleza – Local: Aflitos (PE) (Fortaleza classificado) 

TODOS OS CAMPEÕES, VICES E ARTILHEIROS DA TAÇA BRASIL
1959 – Bahia (campeão), Santos (vice), artilheiro: Léo Briglia (Bahia) com 8 gols.
1960 – Palmeiras (campeão), Fortaleza (vice), artilheiro: Bececê (Fortaleza) com 7 gols.
1961 – Santos (campeão), Bahia (vice), artilheiro: Pelé (Santos) com 9 gols.
1962 – Santos (campeão), Botafogo (vice), artilheiro: Coutinho (Santos) com 7 gols.
1963 – Santos (campeão), Bahia (vice), artilheiro: Ruiter (Confiança-SE) com 9 gols.
1964 – Santos (campeão), Flamengo (vice), artilheiro: Pelé (Santos) com 7 gols.
1965 – Santos (campeão), Vasco da Gama (vice), artilheiro: Bita (Náutico) com 9 gols.
1966 – Cruzeiro (campeão), Santos (vice), artilheiros: Bita (Náutico) e Toninho Guerreiro (Santos) com 10 gols.
1967 – Palmeiras (campeão), Náutico (vice), artilheiro: Chicletes (Treze-PB) com 6 gols.
1968 -  Botafogo (campeão), Fortaleza (vice), artilheiro: Ferretti (Botafogo-RJ) com 7 gols.

Por: Jânio Odon/ BLOG VOZES DA ZONA NORTE (DIREITOS RESERVADOS)
Fonte: Diário de Pernambuco, Folha de São Paulo, Revista Placar e Blog do Marcão. 
OBS: Alguns dados do Blog do Marcão não estão de acordo com os jornais acima pesquisados, cabendo a este blogueiro, manter os dados publicados nos jornais da época.


















terça-feira, 1 de agosto de 2017

Sport Recife vence o Bahia na Fonte Nova após 28 anos

Patrick, Henriquez e Ronaldo Alves protegem a zaga diante do atacante do Bahia, diante do atento goleiro Magrão. Foto: Estadão.

30 de julho de 2017 (Domingo)

Os desfalques de Samuel Xavier, Rithely, Diego Souza e André não foram problemas para o Sport Recife na tarde deste domingo. Sem os quatro titulares, o Rubro-negro foi conduzido por Everton Felipe e Lenis para bater o Bahia por 3 a 1, dentro da Arena Fonte Nova. Cirúrgico no ataque e seguro na retaguarda (apesar do “apagão” defensivo no início do segundo tempo), o Leão renova o moral após ter apresentado baixos rendimentos das duas últimas partidas da temporada. Com o resultado, continua bem posicionado no G6 da Série A, além de quebrar um tabu de 28 anos sem vencer na Fonte Nova.

Principal articulador da equipe, Diego Souza teve uma substituto à altura. Everton Felipe deixou a ponta, iniciou o jogo mais centralizado, ditou o ritmo no meio de campo e articulou as principais jogadas na função de DS87. O setor estava encaixado também com seus volantes. O reserva Rodrigo, que supria a lacuna deixada por Rithely, e Patrick aplicavam uma marcação sob pressão, já no campo do Bahia.

Por conta do empenho defensivo, o Rubro-negro conseguiu neutralizar o adversário e também roubar a bola que resultou no primeiro gol. Justamente Rodrigo ganhou disputa com Mendonza e tocou para Lenis. Titular graças à ausência de Diego, o colombiano começou sua melhor atuação no ano servindo
Everton Felipe na grande área: 1 a 0, aos 18. Gol para coroar o rendimento do prata da casa. O mesmo Lenis perdeu uma chance claríssima para ampliar a vantagem.

Os pernambucanos estiveram mais próximos do segundo gol, enquanto o Tricolor de Aço só conseguiu crescer mesmo de produção no fim do primeiro tempo. Magrão chegou a defender uma meia-bicicleta de Renê Junior. O máximo que fez um aparentemente desinteressado Bahia durante os 47 minutos jogados na etapa inicial.

Com dez minutos no segundo tempo, o Bahia criou sua melhor chance no jogo. Magrão operou um “milagre” para defender chute de Zé Rafael. Everton Felipe respondeu na sequência. Jean salvou. Porém, ao contrário da etapa inicial, o Sport estava muito relaxado no combate e deu novas brechas ao Tricolor. Aos 13, um cruzamento de Matheus Sales vindo na direita, por onde Mena começava a ser falho, terminou em Rodrigão. O atacante se aproveitou de falha de Ronaldo Alves e deixou tudo igual.
Everton Felipe marca o primeiro gol da vitória histórica diante do Bahia. Foto: Agência Lance.

No ataque, Ronaldo Alves se redimiu do erro lá atrás minutos depois. Com 20 jogados, Lenis deu uma de “garçom” de novo e cruzou para o zagueiro empurrar a bola para as redes: 2 a 1. Na frente no placar, o Sport se restabeleceu defensivamente. Voltou a ser o Sport do primeiro tempo. A equipe ainda botou uma bola na trave do Bahia e não permitiu uma nova reação dos mandantes. Os adversário se atiraram. No contra-ataque, Everton Felipe ainda perdeu um gol cara a cara com Jean. Foi “fominha”, não tocou para Índio e chutou em cima do goleiro. Mas Lenis, o melhor em campo, deixou o dele na aberta zaga adversária depois de cruzamento de Raul Prata.

Bahia 1

Jean; Régis Souza (Juninho), Tiago, Lucas Fonseca e Matheus Reis; Renê Junior, Matheus Sales e Régis (Vinícius); Zé Rafael, Mendoza (Gustavo Ferrereis) e Rodrigão. Técnico: Jorginho.

Sport Recife 3

Magrão; Raul Prata, Henríquez, Ronaldo Alves e Mena; Patrick, Rodrigo (Fabrício), Thomás (Sander), Lenis e Everton Felipe; Juninho (Índio). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.  

Estádio: Arena Fonte Nova (Salvador-BA). Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha (GO). Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva (Fifa-GO) e Cristhian Passos Sorence (GO). Cartões amarelos: Juninho, Ronaldo Alves, Thomás, Henríquez, Lenis (Sport); Vinícius (Bahia). Gols: Everton Felipe (18’ do 1ºT), Ronaldo Alvez (20’ do 2ºT) e Lenis (46’ do 2ºT) (S); Rodrigão (13’ do 2ºT (B).  Público: 17.689. Renda: R$ 400.285,50.

Por: Yuri de Lira/ Diário de Pernambuco.