quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A História do Alto José do Pinho (Recife): da Munguba ao Bom Sucesso

O Alto José do Pinho é o morro mais próximo do centro do Recife, 6,5 Km. Foto: Ricardo Labastier/Jornal do Comercio/Recife, 2016.


ANTES DO BAIRRO EXISTIR

Verificando os primeiros mapas da Zona Norte do Recife datado de 1875, seja na litografia do alemão Franz Heirinch Carls, ou na Planta da Cidade do Recife e seus Arrabaldes, organizada pela repartição de obras públicas através da Lei Provincial Nº 1141, sancionada pelo Presidente da Província de Pernambuco, Henrique Pereira de Lucena. Observa-se o morro onde hoje fica localizado o Alto José do Pinho totalmente despovoado, com densa vegetação. Igualmente, era a Bomba do Hemetério, o Alto Santa Terezinha, o Alto do Pascoal localidades cortada apenas pela estrada denominada de “Caminho das Boiadas”, que começava na Estrada Velha de Beberibe (atual Estrada Velha de Água Fria) e terminava no povoado de Beberibe, próximo a atual Praça da Convenção. Nesta época, a localidade da Mangabeira já existia, e era bem mais extensa do que é hoje, pois tinha a Mangabeira de Baixo que ia até a Estrada do Arraial, próximo onde hoje fica o Hospital Agamenon Magalhães, e a Mangabeira de Cima, às margens do morro, onde ficava o Alto da Munguba (hoje Alto José do Pinho). No outro lado, ao leste, localiza-se a Estrada do Bartolomeu que ligava a estrada férrea da Estrada do Arraial em Casa Amarela com a outra Estrada do Arraial (atual Córrego do Euclides) até o povoado do Arraial, no Brejo, e o Polígono do Tiro (na atual Linha do Tiro, na junção com a estrada do Brejo). Os outros morros como: Morro da Conceição, Alto José Bonifácio, Alto da Saudade, Alto José Grande, Alto da Serrinha, Alto Itaúna, Alto do Brasil e seus córregos entre outros, também eram desabitados. Só existiam densa vegetação e pequenos riachos.

Começo da pavimentação da Avenida Norte em 1956 pelo prefeito Pelópidas da Silveira.

DA FERROVIA À AVENIDA NORTE

Em 1872, grupo capitalista inglês se reuniram em Londres e criaram a Companhia responsável pelas primeiras ferrovias em Pernambuco, denominada de The Great Western  of Brazil Railway Company Limited. Em 1875, a Great Western obteve a primeira concessão para construção da Ferrovia Norte, no entanto, esbarrou na burocracia, pois, o rico comerciante recifense, José Pereira Viana, o Barão da Soledade, já havia em 1870, adquirido a concessão da referida ferrovia, todavia, o entrave durou quatro anos e o Barão da Soledade não conseguiu iniciar a obra. Acabou desistindo e a Great Western acabou assumindo a empreitada. 

Em 25 de março de 1879, a construção foi iniciada a partir do Largo do Brum, no Recife Antigo, onde se localizou a estação denominada “Fora de Portas”, ponto inicial da ferrovia. O primeiro trecho tinha 48,8 quilômetros, até Paudalho. Sendo inaugurado em 1881. O segundo trecho até Limoeiro foi inaugurado no ano seguinte. À época, a ferrovia calculada numa distância de 82, 9 quilômetros, atravessava 355 engenhos de cana-de-açucar.   

Em 1946, a ferrovia deixava de existir, a Lei Municipal Nº 27, de 6 de março de 1948, autorizava o serviço de terraplanagem da futura Avenida Norte que começou a ser pavimentada pelo prefeito do Recife, Pelópidas da Silveira em 1956 e terminada pelo seu substituto, Miguel Arraes de Alencar. Em 10 de outubro de 2007, o prefeito João Paulo sancionou a lei que alterou o nome da avenida, passando a se chamar Avenida Norte- Miguel Arraes de Alencar.

O nome do morador José Melo, grande tocador de violão feito de madeira de pinho, foi homenageado e deu origem ao nome do Alto. Foto: Ilustração.

A ORIGEM DO NOME DO BAIRRO

Segundo Marco Simão, antigo morador e líder comunitário, o nome José do Pinho, foi uma homenagem a um velho morador conhecido por José Melo, que construía casas e era pintor de parede, mas, era também um conhecido e excelente tocador de violão, instrumento na época popularmente apelidado por pinho, numa referência à madeira com que era fabricado. A fama pegou no Alto e por este motivo o povo passou a chamar José Melo por José do Pinho, o que originou o nome do bairro.

Mocambos sendo erguidos na Rua 08, em 1957, que depois passou a se chamar Rua Lage do Una e em 1989, recebeu um novo nome, Rua Valter Lopes Siqueira. Foto: Arquivo de Marco Simão.

O INÍCIO DO BAIRRO E A LUTA POR TERRA E MORADIA

A geografia do Alto José do Pinho é marcada pela existência de dois platôs. O mais alto chamado de Alto José do Pinho, o outro, na parte leste, onde fica a Praça 4 de Outubro, outrora, conhecido como Alto do Munguba (não confundir com o Alto do Munguba localizado no bairro olindense de Caixa D’Água).

O Alto José do Pinho começou a ficar habitado a partir do final do século XIX e início do século XX com a ocupação das encostas ao leste, onde o morro faz limite com o Beco do Pavão e o Córrego do Bartolomeu e ao sul, nos limites do bairro com o Beco da Facada (atual Rua Guimarães Peixoto) e Mangabeira, onde o Alto era conhecido por Alto do Munguba. Aos poucos novos moradores iam chegando e se apossando do morro até o topo e formando pequenos sítios, onde criavam galinhas, bodes, bezerros, porcos e outros animais. Plantavam macaxeira, inhame, batata e outras. No topo do morro onde hoje fica a Praça 4 de Outubro, nos anos 1940, os moradores formaram um campo de futebol onde se realizavam as tradicionais “peladas”.

Esses moradores eram provenientes do movimento migratório campo-cidade nas primeiras décadas do século XX, em decorrência da seca, falta de emprego e da crise agroindustrial açucareira no campo. Outros fatores contribuíram bastante para que os morros de Casa Amarela, em especial, o Alto José do Pinho começasse a ser povoado. A abertura e construção da Linha Férrea Norte (atual Avenida Norte/Miguel Arraes de Alencar) ligando Recife ao município de Limoeiro-PE, que depois, foi ampliada para outras regiões de Pernambuco e Paraíba. A inauguração do Cotonifício  Othon Bezerra de Mello em 1924, na Avenida Norte, no bairro da Macaxeira. A fábrica têxtil depois ficou conhecida como Fábrica da Macaxeira e atraiu muita gente do interior e outros Estados do Nordeste, e muitos fixaram residências nos morros das zonas norte e noroeste do Recife. Os trens que vinham de Limoeiro em direção ao Recife pela ferrovia Norte, não trazia só pessoas, nele, vinha de tudo, até animais. Muita dessa gente, já vinha do interior com destino certo. Morar no morro. Eles vinham por indicação de parentes e amigos que já residiam e trabalhavam no Recife, com a promessa de melhores oportunidades.

Acontece que em 1937, implantou-se no país, a ditadura do Estado Novo. Getúlio Vargas tornou-se Presidente do Brasil e nomeou Agamenon Magalhães como interventor para governar Pernambuco, no entanto, Agamenon vinha durante sua gestão, sofrendo duras críticas da oposição por manter o centro do Recife com grande aglomerado de mocambos e pela falta de uma politica habitacional adequada para a população mais carente. Em 1939, o interventor, criou a Liga Social contra o Mocambo, que implantou um programa de construções populares de casas para a população que residiam em mocambos no centro do Recife. Entre 1939 a 1945, foram derrubados 14.597 mocambos e construídas apenas 6.173 unidades habitacionais. Em 1945, a liga mudou de nome e passou a denominar-se: Serviço Social contra o Mocambo. Calcula-se que neste período, ¼ da população que viviam em mocambos foram expulsos de suas moradias no centro e vieram morar nos morros da zonas norte e noroeste da região metropolitana. Desses morros, os de Casa Amarela: Alto Santa Izabel, Alto da Esperança, Morro da Conceição e Alto José do Pinho, foram os primeiros a serem ocupados.

Parte dessa  população, vieram e ocuparam o Alto José do Pinho. Esta crescente ocupação do morro despertou o interesse das imobiliárias na exploração das terras de todo o Alto José do Pinho. Antigos moradores que ocupavam o morro sem ter que pagar nenhum imposto, aluguel ou compra de terreno, se viram obrigados de uma hora para outra a pagarem tributos as imobiliárias que se apossaram de todo o morro.

Nesta época havia muito espaço para construir os mocambos, todavia, as pessoas que aqui chegavam para morar precisavam conhecer alguém, ou serem indicados por amigos ou familiares já residentes no Alto, pois, existiam interesses alheios. Os interessados pela ocupação do morro eram os cobradores de chão, os guardas civis, os fazedores de casebres e dos quartos para alugar. Ser um simples invasor, com certeza, teria sérios problemas.


Alto da Munguba (atualmente Alto José do Pinho) em janeiro de 1952, na Rua Seis (atual Rua Maragogi). Foto: Diário de Pernambuco.

Tendo a Praça 4 de Outubro, como ponto central e de referência, segue-se a divisão do Alto José do Pinho feito pelos ditos proprietários. Deste ponto, seguindo ao leste, até a atual rua Macaíba, no sentido Estrada do Bartolomeu,  e ao oeste, até as atuais ruas Horácio Silva e Dezenove de Agosto, no sentido Mangabeira,   ficavam as terras do dito proprietário da Imobiliária Vieira da Cunha dos herdeiros da família do sr. Pantaleão de Siqueira, que foi proprietário do extinto Engenho São Pantaleão do Monteiro. Ao leste, a partir da atual rua da Macaíba até o limite com o Córrego do Bartolomeu, como também, toda encosta que fica na parte noroeste do bairro que faz limite com a Bomba do Hemetério, ficavam as terras da dita Imobiliária Pernambucana Ltda, controlada pelos herdeiros da Família Santos Marinho. Ao oeste, a partir das atuais Ruas Horácio Silva e Dezenove de Agosto até o limite com o bairro da Mangabeira, que no passado era conhecido pelo Alto da Munguba, ficavam as ditas terras da Baronesa Cesário de Melo, controlada pela Srª Izabel Cesário de Melo (A Baronesa), viúva do comerciante Raul Cesário de Melo.

Com o controle do morro pelos ditos proprietários das imobiliárias, os moradores começaram a receber a visita dos indesejáveis cobradores de alugueis de chão. Os cobradores em média recebia das imobiliárias 20% do valor recebido. Isso fazia com que o interesse em receber o aluguel aumentasse. O problema todo era a situação em que viviam o povo. Muitos sem emprego vivendo de biscate. Um antigo morador revela que até metade dos anos de 1980, muitos moradores do Alto José do Pinho viviam de viração, vendiam frutas, carregavam água, vendiam miúdo, eram lavadeiras, babás, diaristas, camelôs e alguns eram funcionários públicos.

Às vezes, a situação era difícil, que muitos moradores se escondiam porque não tinham dinheiro para pagar o aluguel, outros, ralavam o mês todo até consegui o dinheiro para pagar o cobrador de alugueis, era uma questão de honra. Por sua vez, os cobradores de alugueis, boa parte, mantinham laços de amizade com os devedores o que mantinha uma certa cordialidade.
Houve também, situações de violência por parte dos cobradores, que expulsaram moradores inadimplentes, e moradores que agrediram cobradores. O fato é que os moradores pagavam mais não haviam escrituras dos terrenos, e os recibos eram pedaços de papeis sem valor legal nenhum.

Na década de 1970 surgiu um grande movimento reivindicatório chamado “Terras de Ninguém”, começou no Alto José do Pinho e em outros morros da região norte e noroeste do Recife intensa luta dos moradores pela conquista da propriedade dos terrenos e das casas. No Alto José do Pinho intensificou-se uma forte pressão da população sobre o governo do Estado, pelo fim  do pagamento do aluguel de chão, a desapropriação das áreas onde estavam edificadas as suas moradias e denunciavam as imobiliárias de forjarem documentos falsos para exercerem o controle das terras do Alto e manter um enriquecimento ilícito em cima da pobreza. O governo do Estado assumiu a posição de conciliador, as imobiliárias apresentaram seus argumentos centenários do tempo em que Pernambuco ainda era um província e de documentos dos herdeiros. O fato é que muitos moradores após este movimento do “Terras de Ninguém” conquistaram o direito de posse, outros não.

No dia 23 de agosto de 1979, 274 famílias invadiram as encostas do morro do Alto José do Pinho com a Rua do Rio e formaram a Vila Skylab (Escailabe), logo a imobiliária Vieira da Cunha se apresentou como legitimo proprietário daquelas terras. Após dias de negociações e a importante presença do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara e os advogados da Comissão de Justiça e Paz, além de, confrontos com a polícia, bombas de gás, choros e desmaios.
No final, a invasão teve êxito, o governador Marco Maciel, o prefeito Gustavo Krause, a Comissão de Justiça e Paz e a Imobiliária Vieira da Cunha entraram em acordo. Ficou acertado que os moradores pagariam “um cruzeiro” pelo metro quadrado ocupado.

Homens construindo mais uma casa na antiga Rua Dez (atual Barra Verde) em 1957. Foto: Arquivo Marco Simão.

OS FAZEDORES DE CASAS E CASEBRES

Os fazedores e cobridores de casebres e casas são conhecidos como os homens responsáveis pela construção das moradias no Alto José do Pinho no instante em que se deu a explosão demográfica do local. São citados como os grandes fazedores de casas e casebres do Alto, Romeu de Barros, João Grande, Adauto, Sebastião Oião, Luiz de França, Antônio Roxinho, Ernesto e Ginerino.
O morador Arnaldo Colorau em entrevista ao professor universitário Ricardo Leite em 2008, declarou que: “Os fazedores de casa quando não estavam fazendo as casas dos outros, estavam fazendo casas ou correr de quartos para alugar. Aqui tinha tudo, barro, capim e muita vara na capoeira. Meu pai Romeu Pereira, foi um dos homens que construíram as primeiras casas do Alto José do Pinho, morreu em 1940. As primeiras casas daqui do Alto foram feitas pelo meu pai e o senhor Ginerino, era um homem que tinha aqui, muito antigo. E meu pai cobriu esses mocambos, que ele era cobridor de mocambo, fazia mocambo. Fez vinte e seis casas, somente aqui nessa rua do colégio Maria Tereza”.

Outro, talvez, o maior fazedor de casas que o Alto José do Pinho já teve, trata-se de João Grande, que era cortador de cana em Carpina e chegou no Alto em 1927 sozinho, mais tarde trouxe toda a família. João Grande trazia consigo grande conhecimento da cultura pernambucana, pois sabia tudo sobre caboclinho, cavalo marinho e ciranda. Ele implantou no Alto toda estas brincadeiras. Calcula-se que ele com ajuda dos familiares tenha construído mais de cem casas no Alto José do Pinho.

Preparativos para as festas juninas de 1957, onde hoje fica a Praça 4 de Outubro. Foto: Arquivo Marco Simão.

A PRAÇA 4 DE OUTUBRO

Considerada o Centro Histórico do Alto José do Pinho. A praça foi inaugurada em 1953, pelo prefeito José do Rego Maciel. É nesta praça, bastante arborizada, que acontece os principais eventos sociais, religiosos, culturais e políticos da comunidade, nela também fica localizado o ponto de taxi e o terminal de ônibus que conduz às pessoas ao centro do Recife. A Praça 4 de Outubro, ligada as ruas: Horácio Silva, Severino Belarmino, Maragogi e Acaiaca formam o principal Centro Comercial da localidade. A praça foi uma homenagem a chegada de Getúlio Vargas à Presidência da República em 1930. Ela resistiu a duas tentativas de mudança de nome por parte de grupos locais. Na primeira, foi sugerida a mudança do nome para Praça José do Rêgo Maciel, ex-prefeito do Recife e pai do político, Marco Maciel. Na segunda, a praça receberia o nome do deputado Clóvis Corrêa.

No natal de 1940, a comissão de festa do Alto José do Pinho, formada pelos senhores Horácio Silva, Pedro de França, Joaquim de França e Antônio José de Barros Silva, organizaram a missa do natal e ano novo onde hoje fica a praça 4 de Outubro. Se apresentaram no Alto, a banda da Força Policial de Pernambuco, que tocou das 20 horas até às 04 horas à luz de 4 mil velas, já que não existia energia elétrica na rede pública e nem domiciliar. Um grande painel alusivo a passagem de ano foi queimado a base de muitos fogos de artifícios. Havia diversas barracas de prendas e entretenimentos populares. Houve apresentações de fandangos, bumba-meu-boi, pastoris e mamulengos.

As frondosas árvores de oitizeiros encravadas no interior da praça e seus arredores, teriam sido plantadas no início da década de 1950. O plantio dessas árvores marca, além da necessidade de sombreamento, a luta e a capacidade de reivindicação de lideranças locais, como o sr. Josué Ferreira, que participou juntamente com outros moradores da criação da Associação Beneficente da Juventude do Alto da Munguba no final dos anos 1940. Está associação foi responsável pelas primeiras conquistas de serviços públicos pela população local.

A Praça 4 de outubro foi inaugurada em 1953 pelo prefeito José do Rego Maciel. Foto: Prefeitura da Cidade do Recife/30-07-2012.

Em 1953, o prefeito do Recife, José do Rego Maciel inaugurou o primeiro Parque Infantil na Praça 4 de outubro, que depois com tempo, foi destruído e removido da praça.
Na Praça 4 de Outubro existe uma cruz de aproximadamente 5 metros de altura, que traz fixada nela a imagem de Cristo instalada em 1957, para marcar a missão religiosa de um grupo de jovens norte-americanos autointitulado “Corpo de Voluntários da Paz”, participante de uma denominada “Operação Esperança”, Este grupo era apoiado pelo arcebispo Dom Helder Câmara. Um papel importante dos “Voluntários da Paz” feito no Alto José do Pinho foi a difusão da prática esportiva, distribuição de roupas, alimentos e materiais de construção para a substituição das casas de taipa e capim por casas de alvenaria e coberta de zinco. O grupo estabeleceu moradia no Alto José do Pinho em meados da década de 1950. Antes da instalação da cruz no local, já vinha sendo realizado missas e terços rezados por grupos católicos locais. Atualmente, a cruz tornou-se apenas um monumento, não sendo mais usada na prática dos cultos religiosos.

No dia 6 de fevereiro de 1965, o prefeito Augusto Lucena inaugurou o novo parque infantil na Praça 4 de Outubro, com escorregos, balanços individuais e coletivos e gangorras. A inauguração aconteceu às 21 horas, além do prefeito, compareceram Reginaldo Guimarães (presidente da COMPARE); Ivanildo Guilherme (diretor do Departamento de Paisagismo); médico Cravo Gama (secretário de Higiene e Saúde); engenheiro Sebastião Barreto Campello (Secretaria de Viação e Obras); Edson Ponzi (diretor administrativo da COMPARE); Sebastião de Holanda (diretor do Departamento de Transportes); e o vereador Clóvis Corrêa.

Depois dos discursos de agradecimentos do morador Arnaldo Barros e do vereador Clóvis Corrêa, foi a vez do discurso do prefeito Augusto Lucena – Venho aqui repetir a emoção dos meus contatos com o povo do Recife. Isto tem sido, para mim, um remédio. Tem sido uma espécie de bálsamo que me revigoram as forças durante todas as horas que tenho passado no meu gabinete de trabalho ou fora dele, à frente dos destinos do Município do Recife, batalhando pela melhorias das condições de vida de seu povo. Acima de todos os meus interesses pessoais, eu tenho olhado pelo bem coletivo. Conto com uma equipe de trabalho, na qual eu confio, e da qual exijo tudo em benefício da população pobre dos morros, dos córregos e dos alagados do Recife. Dentro das possibilidades financeiras da municipalidade, temos feito alguma coisa de proveitoso para o povo. Mandarei reabrir as escolas públicas deste bairro, para que as pobres criancinhas não se criem analfabetas. Eu não esquecerei deste bairro e cumprirei as promessas que fiz durante as épocas eleitorais, quando andei por aqui pedindo o voto do povo. Partirei daqui para outras realizações futuras, colocarei aqui um serviço médico. E isto haveremos de fazer... (o discurso se prolongou, mas em relação ao Alto José do Pinho, foi isto que ele disse.)

Outro monumento que encontra-se na Praça 4 de Outubro, comemora o tricampeonato conquistado pela comunidade do Alto José do Pinho nos anos de 1976, 1977 e 1978 da grande gincana dos bairros recifenses denominado “Meu Bairro é o Maior” promovido pela TV Jornal do Comércio/Canal 2 e de grande audiência. Os troféus são guardados pelo morador Marco Simão que é o Presidente da Associação dos Amigos do Alto José do Pinho e um dos criadores, junto com Rui Correia, Luciano e Dandinha, de uma festa anual comemorativa, na qual se homenageia alguns moradores e ex-moradores do bairro.

Encontro social na sede do Xenhenhém em 1950. 

A POLÍTICA NO ALTO JOSÉ DO PINHO

Nos anos 40 do século passado, os partidos políticos descobrem que os morros são um forte espaço eleitoral para suas pretensões, os graves problemas estruturais nos morros fazem destas comunidades um amplo campo para as ações político-partidário.

Em 1946, surge no Alto José do Pinho, na rua 20 ( atual rua Severino Belarmino), Nº 20, um clube dançante denominado de “Xenhenhém”, animado sempre pelo músico Zezão da Mangabeira. Na verdade, esta dança era uma camuflagem de uma célula do Partido Comunista Brasileiro (PCB) denominada Jener de Souza. No local, o Partido Comunista promovia conferências, mesas redondas e festas dançantes.

Para a comunidade do Alto José do Pinho, a chegada do “Xenhenhém” foi muito bom, pois, o morro ganhou visibilidade, os problemas existentes começaram a chegar ao conhecimento dos órgãos públicos através desta entidade. Problemas como: falta da energia elétrica, da coleta de lixo, de escolas, de pavimentação das ruas, de chafarizes, de postos médicos, de saneamento básico e transporte. As críticas eram feitas constantemente aos abusos praticados pelas imobiliárias em relação aos altos preços dos aluguéis e do chão das casas, mas ainda não existia a desejada pressão pela conquista da terra contra as imobiliárias. No dia 2 de janeiro de 1952, o “Xenhenhém” foi fechado pela polícia por ser considerado um clube de subversivos e comunistas. 

O Diário de Pernambuco do dia 5 de janeiro de 1952 publicou uma nota sobre o fechamento da seguinte forma: “Nos dias 1 e 2 deste, conhecidos elementos extremistas estiveram em grande atividade no Alto José do Pinho, da jurisdição de Casa Amarela. Ali os comunistas a angariar e exigir mesmo de pessoas mais amedrontadas, suas assinaturas em desmoralizados documentos com as epígrafes: “Apelo pro paz” e “Para que não haja a 3ª Guerra Mundial”.

Chefiava esses grupos de agitadores um tal “doutor” Gumercindo Amorim, elemento ainda não identificado pela polícia e que logrou evadir-se. O comissário Misael Corrêa de Souza, do sub-posto policial do Alto José do Pinho, inteirado dos graves fatos determinou enérgicas medidas tendentes à desarticulação dos grupos de vermelho.

Essas diligências foram conduzidas com êxito pelos guardas-civis do destacamento local, pois lograram prender os seguintes indivíduos: Severino Francisco de Souza, apelidado por Sapateiro, em cujo poder foram encontrados vários volumes com prospectos e boletins  de natureza subversiva; Adauto Celestino de Aguiar, comerciante no Alto Santa Terezinha;  Severina Ramos de Lima, operária do jornal vermelho desta cidade.

No estabelecimento do negociante a polícia apreendeu enorme quantidade de exemplares da “Folha do Povo”, além de outros documentos alusivos a movimentos comunistas, suas táticas, o significado das contra revoluções, enfim toda uma vasta literatura sobre o comunismo.
Nessas diligências que foram trabalhosas, tiveram parte saliente os guardas-civis: José Francisco da Silva e Elísio Batista. Além de um 3º sargento da Polícia Militar de Pernambuco, do Serviço de Polícia Política dessa corporação.

O comissário Misael Corrêa de Souza, anteontem à noite, mandou conduzir os implicados  nas ativas campanhas comunistas a presença do delegado Estácio Cardoso a quem encaminhou igual, sob ofício, todas as apreensões realizadas.
Inteirou-se a autoridade dos fatos e determinou instauração do inquérito cabível. Enquanto isso, as diligências vão ter prosseguimento na D.A, com o intuito de apurar-se até onde vai a culpabilidade daqueles elementos e de quem recebiam instruções.
Igualmente as sindicâncias deverão voltar-se para o principal elemento agitador, o “doutor” Gumercindo Amorim, que abandonou á própria sorte seus companheiros de ideologia, ora recolhidos ao xadrez da Segurança Pública.

No Diário do dia 8 de janeiro, Gumercindo Amorim solicitou da redação do jornal retratação de forma destacada como foi para acusá-lo. Trecho da carta encamnhada ao Diário de Pernambuco diz o seguinte: “A verdaeira versão aí está: na qualidade de presidente do Movimento Pernambucano dos Partidários da Paz, entidade filiada ao Movimento Brasileiro dos Partidários da Paz, sociedade civil registrada no livro “A”, relativo ao registro de pessoas jurídicas, sob o número da ordem 1.696, pronunciei no dia 12 de janeiro último, nesta cidade. Sou morador desta cidade, de minha residência, á rua Carneiro Vilela, 176, do meu consultório de cardiologista, á rua do Hospício, 120, da chefia da seção de cardiologia da Sala Santana, no Hospital Pedro II, onde trabalho, como assistente do professor Simões Barbosa. Com toda essa atividade profissional largamente conhecida a notícia em lide tratou-me depreciativamente por < um tal Gumercindo Amorim>, negando-me inclusive o titulo de doutor, colocando-o no subtítulo e no texto entre aspas. Doutor não serei eu, médico de quinze anos de clinica , assistente de um catedrático apenas porque tomei posição que contraria os interesses de terceiros?

A justiça do Rio de Janeiro, idêntica situação à minha, fez condenar por seis meses á prisão um jornalista que grafara entre aspas o nome de um professor  da Faculdade Nacional de Direito, argumentando na ocasião que constituía o fato um acinte a um homem de profissão definida, portador de um título a que fizera jus pelos seus esforços. Acaso terão sido menores e menos justos os meus esforços?

Sou e continuarei a ser um fervoroso partidário da paz e exijo o respeito que me é devido pela minha posição de homem duplamente dedicado á causa da humanidade, pelo exercício da medicina e pelas as atividades de defesa da paz...”

O jornal Folha do Povo do dia 22 de janeiro de 1949, publicou: “Falta tudo no Alto da Munguba – luz, escolas, água e melhoramentos públicos” (o titulo). Os moradores estão tentando organizarem-se para conquistar a luz elétrica, fazendo várias visitas ao prefeito (Manoel César de Moraes Rego) para tal fim. Maria Augusta, moradora da rua 10, disse que as maiores necessidades são uma escola, porque o Instituto Pedagógico fica longe, na rua do bonde (Estrada do Arraial), luz pública e residencial. José Andrade de Lima, morador da rua 49, reclamou do chafariz avariado na Rua do Rio e que por isso o povo está pagando 20 centavos por uma lata d’água e 50 centavos por um banho em outro chafariz. Alice Bezerra falou que luz e agência do correio é necessário, mas o que é mais prioritário é um posto médico.

O vereador Clóvis Corrêa, de óculos, fez do Alto José do Pinho seu reduto eleitoral a qualquer preço. Foto: Revista O Cruzeiro/1956.

O POLÊMICO VEREADOR CLÓVIS CORRÊA

Nos anos 1950/1960, os irmãos Fabio e Clóvis Corrêa foram os principais protagonistas do cenário político do Alto José do Pinho, mas nenhum foi tão polêmico quanto Clóvis Corrêa. Ele fez do Alto, seu reduto político, quase inviolável, eu digo quase, porque houve um outro que resolveu encará-lo mesmo com risco de vê-lo sua integridade física atingida, foi o caso do médico e vereador Petrus Câmara (PTB). No dia 27 de junho de 1951, Petrus Câmara organizou uma sessão cinematográfica de propaganda eleitoral em via pública no Alto, quando homens partidários dos irmãos Corrêa começaram a jogar bombas transvalianas de encontro ao projetor, no intuito de danificá-lo. Um outro homem, armado de peixeira invadiu o local e rasgou o telão, sendo este, detido e levado ao sub-comissariado. Durante o alvoroço, havia cerca de 50 pessoas no local, e na correria várias pessoas saíram feridas.

Três anos depois, Petrus sofreria outra investida do vereador Clóvis Corrêa, o fato foi publicado pelo Diário de Pernambuco no dia 14 de março de 1954, da seguinte forma: “Dr. Petrus Câmara desejando candidatar-se (como se candidatou) pelo PTB, desenvolveu intensa campanha eleitoral por diversos subúrbios, indo inclusive ao Alto José do Pinho, onde obteve 110 sufrágios. Esse fato provocou injusta indignação do sr. Clóvis Corrêa, vereador recém eleito naquela época. Exatamente por isso principiou a fazer-lhe ameaças, dizendo-lhe que jamais pusesse  os pés no Alto José do Pinho que era um reduto dele. Clóvis Corrêa. Do contrário, arrenpender-se-ia, chegando ao ponto de declarar-lhe que lhe daria uma surra. Acrescentou o declarante que não fez conta das ameaças, prosseguindo nos seus trabalhos médicos e sociais. Tanto que, há bem poucos dias, voltou ao Alto José do Pinho e ali medicou muita gente, arranjou exames de raios X para diversas pessoas e chegou mesmo a mandar algumas ao dentista e isso a título gracioso.

O vereador Clóvis Corrêa inteirado de tudo o que acontecera, ontem à tarde, sabendo onde o médico se encontrava, foi apanha-lo de surpresa do lado de fora do posto de gasolina Esso. Com facilidade derrubou sua vítima ao solo escorregadio, depois do que lhe aplicou uma série de pontapés na região renal e na perna esquerda. Feito isso, usou ainda de um cacete para vibrar terrível golpe na região frontal do médico que caiu ao solo. A agressão só não terminou em crime – disse o Dr. Petrus – devido a interferência do pessoal empregado do Posto. Enquanto isso, outras pessoas acorriam em socorro da vítima, logo removida para o Hospital Agamenon Magalhães, na Tamarineira, onde foi atendido por seus colegas”. Apesar do acontecido, Petrus Câmara nunca deixou de fazer política no Alto José do Pinho.

Outro fato que chamou atenção envolvendo os irmãos Corrêa, aconteceu no dia 3 de setembro de 1954, durante o comício realizado pelo Movimento Popular Autonomista, liderado pelo deputado João Cleofas, um sujeito identificado como sendo partidário do deputado Fábio Corrêa, arremessou uma pedra atingindo em cheio a cabeça do deputado Ignácio de Lemos que foi socorrido ao Pronto Socorro, na praça Osvaldo Cruz, no bairro da Boa Vista. Além de Ignácio de Lemos estavam no palanque, os deputados João Cleofas, Jarbas Maranhão, Horácio do Rêgo, Alcides Teixeira e Antônio Pereira entre outras autoridades.

No dia 6 de novembro de 1958, na tribuna da Câmara Municipal do Recife os vereadores Clóvis Corrêa e Antônio Baltar, quase sai às tapas diante de uma discursão polêmica. Antônio Baltar acusou a Secretária de Segurança Pública de distribuir várias carteiras de araques na comunidade do Alto José do Pinho e que estes achavam pouco e ainda colocavam diversas pessoas sem pagar passagem utilizando as carteiras, fazendo com isto, que a empresa Borborema retirasse os ônibus do Alto e transferisse para o Córrego do Bartolomeu. Clóvis Corrêa em contrapartida, rebateu dizendo que nada daquilo era verdade e responsabilizou o prefeito Pelópidas Silveira pela não subida dos ônibus ao Alto José do Pinho, o que Pelópidas realmente chegou à afirmar, alegando que a ladeira era muito alta e perigosa para os ônibus subirem. Todavia, Clóvis Corrêa confirmou a existência das tais carteiras de araques. Os chamados araques eram pessoas que recebiam carteiras de agente de polícia sem ser e exerciam funções polícias, e com as carteiras mantinham certas regalias, como por exemplo, não pagar passagens nos ônibus.

Apesar dos pesares, Fábio e Clóvis Corrêa foram personagens políticas importantes para o desenvolvimento da comunidade do Alto José do Pinho, tanto que a escola situada na rua Maragogi ganhou o nome de sua genitora, a escola estadual Dona Maria Tereza Corrêa, ela que havia falecido em 2/2/1952, na Avenida Rosa e Silva, no bairro dos Aflitos. Foi Clóvis que conseguiu o primeiro telefone instalado no Alto, no sub-comissariado em junho de 1952. Os irmãos Corrêa foram a voz do Alto José do Pinho na Assembleia e na Câmara, pavimentação de ruas, escadarias e muito assistencialismo para a população local foram realizados pelos encrenqueiros irmãos, tanto que eles sempre foram bem votados aqui no Alto. Nas eleições de 1959, o vereador Clóvis Corrêa venceu em todas as urnas do Alto José do Pinho e da Vila São Miguel, em Afogados. A importância de Clóvis Corrêa para o Alto José do Pinho é sintetizado quando a Câmara Municipal do Recife através da Lei Nº 14.356 de 13 de novembro de 1981, autorizou o prefeito Gustavo Krause a erguer um busto deste vereador tão polêmico na Praça 4 de Outubro.

O SOCIÓLOGO GILBERTO FREYRE NO ALTO JOSÉ DO PINHO

No dia 30 de setembro de 1950, o sociólogo Gilberto Freyre, candidato a deputado federal participou do comício no Alto José do Pinho.


Boteco na antiga Rua Nova (atual Rua Vespasiano), no Alto José do Pinho em 1950. Foto: Diário de Pernambuco.

CAFÉ DO CAFUNÉ

Um fato chama atenção nos jornais de 1944, que relata as ocorrências policiais no Alto José do Pinho. Trata-se de um tal “Café do Cafuné” que funcionava nas proximidades da praça, onde o pau cantava, são diversas ocorrências de agressões registradas neste local no ano supracitado. Em umas delas, o camarada tomou umas doses de cachaça e depois quis ir embora sem pagar. Interpelado pelo dono do Cafuné que cobrou a dívida, o sujeito agrediu o dono do estabelecimento com vários socos, sendo detido em seguida por dois guardas noturnos identificados por Nº 30 e Nº 50. Neste dia, houve outro registro de agressão publicado pelo Diário de Pernambuco. O Café do Cafuné era uma barra pesada.

O SUBPOSTO POLICIAL DO ALTO JOSÉ DO PINHO

No dia 18 de junho de 1946, era inaugurado subposto policial do Alto José do Pinho, subordinado a 2ª Delegacia Distrital da Capital, que o povo chamava de sub-comissariado. Antes as ocorrências policiais praticadas no Alto eram registradas no subposto policial  do Córrego do Bartolomeu. Para os moradores da época a implantação do subposto policial foi bastante positiva, pois houve uma inibição nas ações dos meliantes, uma ação mais presente da autoridade policial até mesmo no que se refere aos cobradores do chão que tornaram-se mais cordiais diante da presença do polícia. Com o passar dos anos, os chamados guardas civis do sub-comissariado ficaram mais íntimos da comunidade, isto, favoreceu a uns e prejudicou a outros. Os guardas civis aliaram-se à políticos e passaram a defender as bandeiras dos partidos, muita gente era presa injustamente e sofriam diversos tipos de violência por defenderem interesses opostos. O uso da “palmatória” era frequente, no Alto era assim, escreveu não leu o pau comeu. Negociatas de terrenos e mocambos também eram feitos por alguns guardas. O sub-comissariado enquanto existiu, beneficiou muita gente da comunidade, mais também deixou muitas mágoas em outras.

Na primeira quinzena de junho de 1952, atendendo a solicitação do vereador Clóvis Correia, a Secretária de Segurança Pública de Pernambuco instalou no Subposto Policial, um telefone.  Aquele que seria o primeiro telefone instalado no Alto José do Pinho.


Membros da Associação Atlética da Munguba em 1954. Foto: Arquivo Marco Simão.

ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DA JUVENTUDE DO ALTO DA MUNGUBA

A Associação foi criada no final dos anos 1940, por moradores como o sr. Josué Ferreira, e foi responsável por muitas conquistas de serviços públicos como: eletricidade, de chafariz e de serviços de terraplanagem e abertura de ruas.

OS MOCAMBEIROS

Os mocambeiros eram pessoas que tinham casas para aluguel, muitas dessas casas eram chamadas de “Correr de quartos”, porque eram subdivididas em partes, muitas com apenas dois vãos e apenas um banheiro no quintal para todos os moradores. Havia corredores de quarto com até dez moradias ou mais. Os proprietários eram taxados como pessoas gananciosas, que viviam de explorar os pobres, cobrando altos preços nos aluguéis. Os mocambos no Alto da Munguba e Alto José do Pinho eram comuns desde o início do século XX e na primeira metade dos anos de 1980, no entanto, até hoje é possível verificar a presença de alguns mocambos, a diferença é que os mocambos não mais são cobertos de capim ou zinco, como outrora, e sim com telhas. Os chamados “Correr de quartos” começou a se intensificar no Alto José do Pinho a partir dos anos de 1930, mas foi durante os anos de 1940 que a exploração no preço dos aluguéis se tornou contundente.

O Diário da Noite do dia 23 de agosto de 1947, trás as primeiras reclamações dos moradores, com a manchete: “Enriqueceram com os aluguéis de mocambos”.  Já o jornal Folha do Povo do dia 3 de julho de 1949, publicou uma matéria sobre a exploração dos mocambeiros nos Altos da zona norte e sudeste do Recife, um trecho diz: A exploração dos chãos das casas e a edificação de mocambos, divididos em 8, 10 quartos pelos mocambeiros, constituem hoje em dia, rendosa indústria através da qual os usurpadores das magras economias do povo enriqueceram do dia para noite, acobertados pela proteção das chamadas autoridades constituídas, o governo, a polícia, a justiça [...] melhor negócio que fazer um mocambo de capim e dividi-lo em quartos para alugar a 30, 40 e 60 cruzeiros, não existe.

A ENERGIA ELÉTRICA NO ALTO JOSÉ DO PINHO

A energia elétrica chegou no Alto José do Pinho em meados de 1944, na gestão do prefeito Antônio de Novais Filho, pela empresa Pernambuco Tramways & Power Company Limited.                      
O Diário de Pernambuco do dia 15 de setembro de 1944, anunciava a interrupção de energia elétrica no Alto José do Pinho, pela primeira vez. No lado do Alto da Munguba, o Diário da Noite do dia 15 de fevereiro de 1949, publicou uma nota sobre a inauguração da energia elétrica no local, na gestão do prefeito Manuel César de Moraes Rego.

A Lei Municipal Nº 2507, de14 de outubro de 1953, sancionada pelo prefeito José do Rego Maciel, autorizou a instalação de iluminação pública nas ruas: do Dendê; rua Um (atual rua Valeriano Lobo); rua Dois; rua Quatro; rua Cinco (atual rua Cecília Reis); rua Seis; rua Oito (atual rua Lage do Una); rua Dez (atual rua Barra Verde); rua Onze; rua Doze; rua Dezoito; rua Vinte Um; rua Quarenta e Nove (atual rua Miguel Cavalcanti de Albuquerque); rua Costa Dias; rua do Chafariz; rua da Macaíba; rua do Cajueiro; rua do Genipapo; rua das Moças; e rua dos Velhos. Todas no Alto José do Pinho.

No dia 27 de outubro de 1956, a Pernambuco Tramways aumenta a voltagem da rede elétrica do Alto José do Pinho e diversos bairros.
Através da Lei Municipal Nº 6584, de 19 de dezembro de 1960, sancionada pelo prefeito Miguel Arraes de Alencar, são autorizadas as instalações da iluminação pública da rua Principal e a rua Cinco (atual rua Cecília Reis). Observa-se que a Rua Cecília Reis já havia sido contemplada com a iluminação pública em 1953, todavia, trata-se de uma rua bastante extensa que começa na esquina da Rua Quiri e termina na esquina da Rua do Rio, o que prova que a rua não tinha iluminação pública em toda sua extensão.

Em fevereiro de 1965, o prefeito Augusto Lucena atendendo um abaixo-assinado, executa a iluminação pública da rua Nove.

Atual sede do Bom Sucesso Futebol Clube Foto: Blog do Bom Sucesso/2007.

BOM SUCESSO FUTEBOL CLUBE

O Bom Sucesso Futebol Clube foi fundado em 1º de abril de 1945. É o clube mais tradicional do Alto José do Pinho, nas cores azul e branco, localizado na Rua Maragogi, 133. Nos anos 1950, o Bom Sucesso era uma humilde agremiação com sede alugada e coberta de capim, com influência do vereador Clóvis Corrêa junto a Imobiliária Vieira da Cunha, o vereador comprou o terreno e doou ao proprietário do clube. Nos anos 60 do século passado, o time de futebol era afiliado à Federação Pernambucana de Futebol e por duas vezes foi vice-campeão da 2ª Divisão. O clube dançante em 1983 chegou a ter 3 mil sócios em dia. Atualmente o clube não tem seu time de futebol é apenas social dançante.

Antigo chafariz de Zé Leão (ao fundo) na Rua Principal, Alto José do Pinho, construído em 1962. Foto: Arquivo Marco Simão/Década 1970.

O ABASTECIMENTO D’ÁGUA NO ALTO JOSÉ DO PINHO

O primeiro chafariz do Alto foi implantado na parte baixa do Alto José do Pinho, na Rua do Rio em janeiro de 1949, na gestão do prefeito Manuel César de Moraes Rego.

No dia 11 de julho de 1958, o governador de Pernambuco, Cordeiro de Farias inaugurou o primeiro grande sistema de distribuição de água dos morros da zona norte do Recife. A adutora partiu do Alto do Céu em Beberibe, através de um tubo de ferro fundido, abastecendo, o Alto dos Coqueiros, Alto do Pascoal, Alto do Deodato, Alto Santa Terezinha, Alto da Saudade, Alto José Bonifácio, Alto da Foice, abastecendo neste percurso 35 chafarizes, indo terminar no Alto do Mundo Novo (atual Alto Novo Mundo), no Vasco da Gama. Neste local, foi construído um reservatório com capacidade para 2 milhões de litros d’água, onde uma encanação abastecia o Alto da Favela, em Nova Descoberta, alí, foi feita uma bifurcação da rede, seguindo um lado para o Alto do Oiteiro do Arrayal (atual Alto Santa Izabel) onde abastecia em toda sua extensão 15 chafarizes. A outra tubulação abastecia o Alto da Esperança, Morro da Conceição, Alto José do Pinho e Alto da Munguba. O abastecimento d’água a partir do reservatório do Alto Novo Mundo que estava previsto para está pronto dentro de quatro meses, passou um ano para ser concluído, tanto que o Diário de Pernambuco do dia 14 de junho de 1960, o secretário de Viação e Obras do Estado, Lael Sampaio e o diretor do Departamento de Saneamento do Estado (DSE), Aldo Salgado, ainda estivesse dando explicações a população dos morros à respeito da deficiência na distribuição de água.

O Diário de Pernambuco do dia 2 de agosto de 1962, publicou uma nota sobre a inauguração de um chafariz na Rua Principal, Alto José do Pinho pelo Sr. Lael Sampaio, secretário do Serviço de Viação e Obras Públicas do Estado.

No dia 24 de novembro de 1964, O Departamento de Saneamento do Estado (DSE), publicou uma nota nos jornais do Recife sobre o racionamento de água nos chafarizes e lavandarias dos morros da zona norte. A nota dizia o seguinte: “ O DSE avisa a todos os consumidores residentes  nas zonas servidas pelo sistema dos morros, isto é, abastecidas  pelo Reservatório do Mundo Novo (atual Alto Novo Mundo), incluindo os Altos do Céu, dos Coqueiros, Deodato, Serrinha, Foice (atual Nossa Senhora de Fátima), Favela, Esperança, Conceição, José do Pinho, Munguba (a outra parte do Alto José do Pinho), e Oiteiro (atual Alto Santa Izabel) que, a partir  do dia 25 do corrente, todos os chafarizes e lavandarias, na área citada, passarão a funcionar no horário das 6 às 12 horas, para permitir o abastecimento de todas as áreas  servidas, inclusive das áreas mais altas como o Morro da Conceição, Alto José do Pinho e adjacências”.

No dia 17 de janeiro de 1965, o diretor do DSE, João Geraldo Braule, divulgou através da imprensa outra nota oficial que dizia o seguinte: “O DSE tem sido alvo de inúmeras criticas , mormente pelas emissoras de rádio, pelo estabelecimento de um horário para o funcionamento dos chafarizes da zona dos morros do Recife, entre Beberibe e Casa Amarela.
Assim vem o DSE, pela segunda vez, apresentar de público as razões que o levaram a adotar a medida ora em vigor.

O sistema de abastecimento de água dos morros foi projetado em 1958 para atender a uma rede de 45 chafarizes públicos a serem construídos nos diversos Altos e Córregos da zona em referência, consistindo em uma estação elevatória, construída junto ao Reservatório do Alto do Céu, uma linha de recalque até o Reservatório do Alto Mundo Novo, acumula 2.000 M³ e linhas de distribuição para o Alto José do Pinho, Morro da Conceição e adjacências.

Após a construção do sistema, como projetado, surgiram inúmeros pedidos de novos chafarizes e lavandarias bem como de derivações domiciliares, não previsto no plano inicial, pedidos estes que foram atendidos, pelos mais diversos motivos fazendo com que o sistema abasteça no momento, 73 chafarizes e lavandarias e cerca de 200 derivações domiciliares.

Assim sendo, neste verão se verificou que toda a água bombeada era utilizada na zona abastecida das linhas de recalque causando absoluta falta de água na zona abastecida das linhas de distribuição, ou seja no Morro da Conceição, Alto José do Pinho e adjacências.
Evidentemente, a população prejudicada reclamou contra tal situação, quer pela imprensa, quer pelo rádio, quer na Assembleia Legislativa quer diretamente ao DSE.

Não nos restava outra alternativa senão estabelecer um horário de funcionamento para os chafarizes, permitindo que se acumule água no Reservatório do Mundo Novo e que a zona citada possa ser abastecida nas mesmas condições que a zona do recalque.
O DSE já tem em andamento estudos no sentido de aproveitar a água do subsolo para reforço do abastecimento de água da zona em referência, permitindo uma solução ampla para o problema”.

Rua Valeriano Lobo, principal acesso ao Alto José do Pinho pela Estrada do Bartolomeu. Foto: Jornal Comunitário Fé e Cidadania.

PAVIMENTAÇÃO DO ALTO JOSÉ DO PINHO

No dia 10 de novembro de 1949, a Diretoria de Obras Municipais interditou a subida do Alto José do Pinho para dar início as obras de calçamento do Beco do Pavão e a entrada da rua da Macaíba que tinha um traçado diferente do atual começando na rua Um. O tráfego ao Alto ficou sendo feito pelo prolongamento do Beco da Facada (atual Rua Guimarães Peixoto) na subida pela Mangabeira na atual Rua Monte Horebe.

No dia 1º de março de 1950, era inaugurado pelo prefeito Manuel César de Moraes Rego, o calçamento em paralelepípedo da rua Macaíba e da rua Um (atual Valeriano Lobo), totalizando 312,30 M² de calçamento. O Decreto Municipal Nº 8742, de 24 de janeiro de 1968, sancionado pelo prefeito Augusto Lucena, decretou que a Rua Um, passasse a se chamar de Rua Valeriano Lobo, principal acesso ao Alto José do Pinho pelo Córrego do Bartolomeu.

No segundo semestre de 1953, o prefeito José do Rego Maciel, pavimentou várias ruas no Alto José do Pinho, foram 4.608,60 M² em paralelepípedo.

Rapazes jogando o Jaburu. Foto: Revista O Cruzeiro/1949.

O CURIOSO JOGO DO CAIPIRA E DO JABURU

O Diário de Pernambuco do dia 22 de dezembro de 1949, publicou uma denúncia de alguns moradores do Alto José do Pinho sobre a participação de crianças e adolescentes com idade entre 9 e 15 anos em jogatinas nas calçadas e esquinas das ruas praticando o curioso jogo do caipira e do jaburu, sem serem importunados pela polícia. Os moradores exigiam providências no sentido de proibir os jogos.

CINEMA GUARANI

No dia 11 de abril de 1950, numa terça-feira, às 10:30 horas, na rua Horácio Silva, Nº 314, o empresário Abílio de Almeida inaugurou o Cinema Guarani, no Alto José do Pinho.
‘O Cinema Guarani era a grande atração para a comunidade carente local, que fora os botecos, não tinham muitas opções de lazer. No final de 1956, o cinema passou por dificuldades financeira e seu proprietário arrendou-o.

No dia 26 de fevereiro de 1963, pelas 6 horas da manhã, o teto do Cinema Guarani desabou, felizmente, pelo horário do ocorrido, não houve vítimas. O proprietário do cinema, Sr. Regino Barros da Silva informou o fato ao Posto Policial.

O DISPENSÁRIO INFANTIL DO ALTO JOSÉ DO PINHO

No dia 23 de junho de 1950, era inaugurado no Alto José do Pinho pelo Secretário de Saúde e Assistência Social do Estado, Sr. Nelson Chaves, o Dispensário de Higiene Infantil. O Dispensário era uma instituição beneficente criada pelo Serviço de Proteção á Maternidade, voltada para o atendimento das crianças pobres, oferecendo-lhes consultas médicas, medicamentos, aplicação de vacinas e fornecimento de alimentos.

Diário da Noite do dia 29 de junho de 1950, mostra moradores do Alto José do Pinho que foram agredidos por policiais militares.

NOITE DE TERROR NO ALTO JOSÉ DO PINHO

No dia 28 de junho de 1950, em plena noite de São Pedro, o Alto José do Pinho vivenciou um episódio de extrema violência, por volta das 22 horas, cerca de 70 militares da Força Policial do Estado subiram o Alto dispostos a tudo. Os guardas civis do sub-comissariado local, receberam informações de populares de que eles estariam subindo o Alto em busca de vingança pela morte do soldado da Força Pública (atual PM), Severino Quintiliano da Silva, assassinado a tiros pelo guarda civil Sandoval Pereira de Araújo e que o mesmo havia fugado com ajuda de seus companheiros do subcomissariado do Alto José do Pinho.

De imediato, os dois guardas civis de serviço informaram por telefone as autoridades superiores da invasão e se refugiaram na delegacia de Casa Amarela.  O Diário de Pernambuco relatou: “Quando os soldados da polícia chegaram, encontrando o posto fechado, arrombaram as portas e depredaram completamente o edifício, não deixando coisa alguma inteira. Feito isso, percorreram as ruas do distrito, praticando toda a sorte de selvageria. Numerosos populares, entre homens e crianças, foram barbaramente espancados.”

O resultado de toda esta violência no Alto José do Pinho foi um saldo de 12 moradores feridos encaminhados ao Pronto- Socorro, sendo 3 em estado grave. Um teve o antebraço fraturado, outro, um corte profundo na cabeça e um terceiro de menor idade, levou um tiro no tórax.

Na manhã seguinte, o policial de plantão no comissariado de Casa Amarela pediu apoio a Rádio Patrulha. O Diário relatou: “Dois carros lotados de investigadores e fartamente municiados para assegurar a defesa do comissariado. (...) Às 02:15 de hoje a Permanência da Polícia e o comissariado de Casa Amarela informaram-nos que o delegado José Correia, com mais outra guarnição da Rádio Patrulha, havia se dirigido ao Alto José do Pinho, numa tentativa de manter a ordem naquele distrito. O Comandante da Força Policial, coronel Viriato de Medeiros, também foi pessoalmente a Casa Amarela, tomando enérgicas providências sobre o caso”. As forças policiais de serviço ao chega no Alto encontraram poucas pessoas nas ruas e a expressão de muito medo no rosto delas. Momentos depois, os policiais no posto policial, receberam a noticia de que um guarda civil deu entrada em estado grave no Hospital Pedro II. O caso da invasão revoltou a população do Alto José do Pinho, mas, nenhum dos envolvidos foram identificados, nem presos.

O grande incêndio na antiga Rua Nova em 1950 no Alto José do Pinho, onde quatro mocambos foram destruídos. Foto: Diário de Pernambuco.

O GRANDE INCÊNDIO

Naquele fatídico dia 29 de junho de 1950, uma quinta-feira, em pleno dia de São Pedro. Um grande incêndio se alastrou por quatro mocambos cobertos com capim na conhecida à época por Rua Nova (atual Rua Vespasiano), no Alto José do Pinho. Felizmente, ninguém morreu apesar de algumas pessoas no intuito de ajudar acabaram com leves queimaduras e não quiseram ir ao pronto- socorro. O caso ganhou destaque na imprensa. O Diário de Pernambuco do dia 1º de julho de 1950, publicou o fato da seguinte forma: “Quadros desoladores da Rua Nova, no Alto José do Pinho, em Casa Amarela, após o incêndio de quinta-feira” (O título). Os “clichés” reproduzem aspectos desoladores do resultado do pavoroso incêndio que irrompeu, às 22 horas do dia de São Pedro, no mocambo 177, da Rua Nova, no Alto José do Pinho, Casa Amarela. Construído de material de fácil combustão (a cobertura era de capim), o fogo se alastrou com rapidez incrível aos casebres vizinhos, n°s 178 e 179 e destes para outros dois logo adiante, que não tinham placas.

Com as coberturas semelhantes à da primeira moradia, as demais arderam com facilidade. O pânico entre os moradores foi indescritível, pois ainda estavam sobressaltados com os acontecimentos da véspera.

Resultado é que os donos das casas mal tiveram tempo de salvarem alguns móveis e uns poucos utensílios domésticos, enquanto seus casebres eram devorados pelo furor das chamas. Comunicaram o fato á Companhia de Bombeiros e ao Serviço de Rádio Patrulha, e os elementos da primeira corporação tiveram de lutar com toda sorte de adversidades afim de conter o fogo. Este foi combatido, antes da chegada dos bombeiros, de maneira rudimentar.

Retiravam-se latas d’água do chafariz ali existente, cujo fechamento, pretendido na Câmara dos Vereadores, afim de se apagar o fogo. De modo que, com os bombeiros no local, estes depararam cincos mocambos já destruídos. Algumas pessoas, ansiosas por salvar seus pertences, receberam ligeiras queimaduras e, porisso mesmo dispensaram comparecer ao Pronto Socorro. São desconhecidas as causas do incêndio. Contudo, é presunção das autoridades que o mesmo teve origem na queda de algum balão.


A Empresa Globo é a atual linha de ônibus do Alto José do Pinho. Foto: Gutemberg Siqueira/onibusbrasil.com

O TRANSPORTE PÚBLICO NO ALTO JOSÉ DO PINHO

No segundo semestre de 1953, o prefeito do Recife, José do Rego Maciel, inaugurava o calçamento das principais ruas do Alto José do Pinho, logo os moradores passaram a exigir do governo municipal que os ônibus que serviam a linha do Alto desde o início dos anos 1950, através da Empresa Borborema/Linha 21, subissem a ladeira. No começo os ônibus subiram juntamente com as chamadas correções e beliscadas, que eram transportes particulares irregulares que concorriam com o transporte regular. As correções e beliscadas eram velhos ônibus e caminhões adaptados para carregar passageiros e até animais, tudo era válido. Os caminhões com assentos de madeira, provocavam machucões nas coxas das pessoas, por isso era apelidados por beliscadas.

Naquela época, os ônibus não tinham direção hidráulicas como os dos dias atuais, tudo era mecânico, a direção era dura, os motoristas tinham medo e achavam a ladeira alta e perigosa, logo a prefeitura resolveu colocar o terminal no Beco do Pavão onde permaneceu durante muitos anos. O Diário de Pernambuco do dia 10 de maio de 1957, noticiou as reclamações dos moradores do Alto José do Pinho contra os motoristas dos ônibus e lotações que deixavam os moradores no meio do caminho. O Diário publicou: “Os moradores do Alto José do Pinho estão prejudicados com a maneira de proceder de motoristas de ônibus e lotações que servem neste bairro.

Os coletivos não fazem o percurso completo naquela linha, deixando os passageiros no meio do caminho, na subida da ladeira. Esse estado de coisas vem causando os maiores transtornos áqueles que se servem desses coletivos. E o pior é que quando advertidos contra a irregularidade, os motoristas respondem mal como se não tivessem nenhum regulamento a cumprir. Os moradores do Alto José do Pinho fazem um apêlo á Inspetoria dos Serviços Públicos, a fim de que os ônibus e lotações que servem a esse bairro vão atá o terminal da linha (Praça 4 de Outubro)”.

A situação dos moradores do Alto José do Pinho em nada melhorou, o Diário de Pernambuco do dia 6 de julho de 1958, publicou: “O prefeito (Pelópidas Silveira) nega o pedido do vereador Petrus Câmara no sentido de instalar lotações para o Alto José do Pinho. Disse o prefeito, que não há cabimento técnico para pôr linha de transporte para aquela zona, pois não há condições de acesso ao morro, que são íngremes, com rampas excessivas”. No dia 6 de novembro de 1958, o vereador Antônio Baltar acusou no plenário da Câmara, a Secretaria de Segurança Pública de distribuir várias carteiras de araques (sujeito que faz o papel de policial, sem ser) no Alto José do Pinho, o que teria provocado a retirada dos ônibus e da auto-lotações, pois os araques além de adarem de graça, ainda levavam quem eles queriam sem pagar passagem.

No dia 21 de julho de 1960, com a implantação dos trolébus (ônibus elétricos), o terminal dos ônibus do Alto José do Pinho passou a funcionar no Córrego de Euclides.

POSTO DA CRUZADA DE AÇÃO SOCIAL

No dia 5 de novembro de 1955, o governador de Pernambuco, Cordeiro de Farias, inaugurou o terceiro Posto da Cruzada de Ação Social no Alto José do Pinho, instalada por iniciativa da primeira dama, Avani Barcelos Cordeiro de Farias. Funcionava serviços de confecção de roupas, gabinete dentário e como centro de apredizagem de economia doméstica. O Centro contava com dez maquinas de costura.


O primeiro telefone público foi instalado no Alto José do Pinho em 1952. Foto: Pinterest

TELEFONE PÚBLICO NO ALTO JOSÉ DO PINHO

O primeiro telefone instalado no Alto José do Pinho foi inaugurado em junho de 1952, no sub-comissariado, mas em via pública para uso da população só ocorreu em 1956 através do pedido do prefeito Pelópidas da Silveira à Companhia Telefônica, publicado no Diário de Pernambuco do dia 26 de janeiro, onde o prefeito solicitou a implantação dos telefones nas localidades do Alto do Mandu, Vila dos Industriários (Areias), Alto José do Pinho, Alto do Pascoal, Largo da Mustardinha, Sitio do Totó (Tejipió), Jardim São Paulo e Engenho do Meio.

Escola Estadual Dona Maria Tereza Corrêa inaugurada em 1956, pelo governador Cordeiro de Farias.

ESCOLA ESTADUAL DONA MARIA TEREZA CORRÊA

No dia 10 de fevereiro de 1956, o governador de Pernambuco, Cordeiro de Farias inaugurava a Escola Reunidas do Alto José do Pinho, depois passou a ser Grupo Escolar e atualmente chama-se Escola Estadual Dona Maria Tereza Corrêa, com 11 salas de aula.

O GRANDE INCÊNDIO NA RUA VALERIANO LÔBO

O Diário de Pernambuco do dia 14 de fevereiro de 1957, publicou o grande sinistro ocorrido na atual Rua Valeriano Lôbo, no Alto José do Pinho da seguinte forma: “Precisamente às 11 horas de ontem, quando os operários  preparavam-se para o almoço irrompeu rápido incêndio no interior da Fábrica de Colchões Santo Antônio, localizada á Rua Um (atual Rua Valeriano Lôbo), Nº 10 do Alto José do Pinho, em Casa Amarela. O sinistro foi imediatamente levado ao conhecimento  do Corpo de Bombeiros, tendo partido do quartel de João de Barros três viaturas devidamente equipadas e com as respectivas guarnições.

As chamas, originaldas de uma ponta de cigarro atirado ao chão por um operário, alastraram-se celeremente ás dependências do estabelecimento tomando graves proporções, a ponto de destruir totalmente  as instalações da fábrica, acarretando ao seu proprietário um prejuízo de cerca de 12 mil cruzeiros. Os bombeiros trabalharam durante longo tempo, pois somente depois das 16 horas regressaram ao quartel da unidade.

A falta d’água absoluta que se verificava no Alto José do Pinho muito concorreu para dificultar a combate ás chamas sendo necessário  que os carros tanques procedessem a dez viagens ao hidrômetro mais próximo, localizado à Estrada do Arraial, a fim de se abastecerem. Os guardas-civis 430 e 492, ambos do sub-comissariado do Alto José do Pinho, estiveram muito ativos  no serviço de isolamento do prédio sinistrado, umka vez que  que grande foi o número de curiosos que ocorreu no local.
A Fábrica de Colchões Santo Antônio pertencia ao sr. Antônio Ornilo Costa. Manufaturava colchões de capim, tipo popular. Seus prejuízos são totais uma vez que o estabelecimento não era segurado”.

Ilustres moradores se congratulam-se na Associação dos Amigos do AJP em encontros anuais, como este em 2010. Biu Guarda discursa, ladeado por Evandro Correia e Arnaldo Colorau. Sentado em destaque, outro ilustre morador, Antônio Omar.

ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO ALTO JOSÉ DO PINHO

No dia 1º de agosto de 1961, era inaugurada a Sociedade Desportiva Amigos do Alto José do Pinho, à Rua Severino Bernardino Pereira, 105, Alto José do Pinho. A diretoria só tomou posse no 20 de agosto. A solenidade começou às 19 horas, com uma sessão solene, depois houve distribuição de prêmios aos associados, doados por comerciantes. No final do evento foi servido um coquetel a todos os presentes. Assumiu a presidência, o sr. Américo Silva; vice: Mizael Correia; secretário: Maurício Seabra; tesoureiro: Josué Ferreira; orador: Valdeque Rocha; relações públicas: José Armando de Castro.

Esta associação faz anualmente uma grande reunião denominada “Encontro de Gerações” com o objetivo de resgatar e valorizar a memória do Alto José do Pinho. Em 2008, o professor da UFPE, Ricardo Leita da Silva, autor do livro “Aqui do Alto a História é Outra” esteve neste encontro conversando e entrevistando muitos dos ilustres moradores do Alto. Entre os presentes estavam: Adilson Ronrona, Agnaldo, Rodrigues, Amara Francisca, Antônio Omar, Arnaldo Colorau, Aureliano Rodrigues, Aurino Ferreira, Baruque, Conceição de França, Davi Pessoa, Expedito de Oxóssi, Divaldo Gouveia, Josefa Ferreira, Josué Ferreira, Juraci Nevas, Manoel Anacleto, Marco Simão, Marcondes Canibal, Maria Roxinho, Severino Laureano, Tania Lima, José Esteves, Julio Santos, Evandro Correia,  Magda Santiago, Paulo Ferreira,  Jailson Leonardo, Geraldo do Violão, Marcelo Brown, Dona Juraci, Hamilton, José Ivanildo,  Dona Regina, João Grilo, Evaldo Chocolate, Roberto Carneiro, Mariana Rezadeira, Jaime Abreu e José Barbosa.


Pátio interno do Centro Social Dom João Costa foi inaugurado em 1965 pelo prefeito Augusto Lucena. Foto: Google/2017.

CENTRO SOCIAL DOM JOÃO COSTA

O Centro Social Dom João Costa foi inaugurado com o nome de Centro de Assistência Social Dom João Costa, no dia 31 de janeiro de 1965, na gestão do prefeito Augusto Lucena, na antiga Rua 20, (que a partir de 1957, passou a se chamar Rua Severino Bernardino Pereira), Nº 108, Alto José do Pinho. Através da Lei Municipal Nº 10.171, de 23 de outubro de 1969, sancionada pelo prefeito Geraldo Magalhães Melo, o Centro passou a ser de utilidade pública e social, dirigido pelas religiosas do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã. É uma associação civil de natureza confessional, beneficente, filantrópica e sem fins lucrativos de caráter educacional, cultural e de assistência social. Atua desde 1969, sob as inspirações dos ensinamentos e do carisma da madre belga Agathe Verhelle.

PRAÇA AMARO LOPES

Através da Lei Municipal Nº 14.371, de 30 de dezembro de 1981, sancionada pelo prefeito Gustavo Krause, foi construída a Praça Amaro Lopes, no Alto José do Pinho, confluência com a Rua Oito, que desde o dia 1º de setembro de 1989, chama-se Rua Valter Lopes Siqueira, através da Lei Municipal Nº 15.252, sancionada pelo prefeito Joaquim Francisco.



Hoje, Unidade de Saúde da Família, Irmã Denize, inaugurado pelo prefeito João Paulo em 2003. Foto: Prefeitura da Cidade do Recife/2014.

POSTO DE SAÚDE IRMÃ DENIZE

Através da Lei Municipal Nº 16.858 de 25 de abril de 2003, sancionada pelo prefeito João Paulo de Lima e Silva, denomina o Posto de Saúde do Alto José do Pinho, de Irmã Denize, localizado na Rua Maragogi, Nº 5. Atualmente o posto é chamado de Unidade de Saúde da Família Irmã Denize, ela que foi uma religiosa da Ordem das Irmãs Dorotéias, que desenvolveu trabalhos sociais no bairro a partir da instalação do Centro Social Dom João Costa, no início dos anos 1960.

GRUPOS, BANDAS  E AGREMIAÇÕES CULTURAIS DO ALTO JOSÉ DO PINHO


Maracatu Estrela Brilhante está no Alto José do Pinho desde 1995. Foto: Roberta Guimarães.

MARACATU NAÇÃO ESTRELA BRILHANTE

Vitoriosa agremiação do carnaval pernambucano, o Maracatu Estrela Brilhante foi fundado em 16 de julho de 1906 no bairro recifense de Campo Grande, pelo pescador negro, Cosmo Damião Tavares, popularmente conhecido por “Seu Cosmo”, que era natural de Igarassu-PE. Após seu falecimento em 1955, o maracatu passou pelas mãos de sua esposa Dona Assunção; depois pela yalorixá Maria Madalena; Sr. José Martins Albuquerque; Sr. Lourenço Molla; Marinalda Maria dos Santos; e pelo babalorixá Jorge do Xangô. Depois que o Maracatu Estrela Brilhante saiu do bairro de Campo Grande em 1966, sua sede mudou-se para a localidade do Alto do Pascoal, no bairro de Água Fria, onde ficou até 1990, depois mudou-se para a rua Padre Lemos, em Casa Amarela e em 1995, finalmente fixou-se no Alto José do Pinho.

O Maracatu Nação Estrela Brilhante participou da EXPO-2000 em Hannover (Alemanha) e outros festivais na França, Espanha e Portugal.


Garoto fantasiado no Alto José do Pinho em 1965, com parte de uma fantasia do Maracatu Estrela da Tarde. Foto: Katarina Real/Fundaj.

MARACATU ESTRELA DA TARDE

Fundado no dia 7 de setembro de 1943, no Alto José do Pinho, pelo morador Cassimiro Lopes, cidadão simples, natural de Vicência-PE e apaixonado pelos maracatus. A agremiação carnavalesca por não ter dinheiro para investir em fantasias mais sofisticadas, sempre fez parte do 2º Grupo dos maracatus. Pelo nosso levantamento até 1975, o Estrela da Tarde já havia sido campeão em sua categoria, 17 vezes. Para se ter uma ideia, em 1976, a agremiação recebeu da prefeitura do Recife, apenas 500 cruzeiros, uma quantia insignificante para levar o maracatu para às ruas, neste mesmo ano, as agremiações do 2º grupo foram proibidas de desfilarem na Avenida Dantas Barreto, no bairro de Santo Antônio. Um jornalista chegou a falar num programa televisivo, que os maracatus apesar de se apresentarem bem nas passarelas, suas fantasias eram feias e velhas, verdadeiros trapos, feio para os turistas veem.

Desfilar na Dantas Barreto era a consagração para todas as agremiações carnavalescas nos anos 1970, ficar de fora, era uma desonra para a agremiação. Seu Cassimiro ficou muito decepcionado e pensou em não participar deste carnaval e só fazer apresentações pelo interior do Estado como protesto. De cabeça fria, mesmo sem desfilar na referida avenida, o Maracatu Estrela da Tarde saiu.

Um episódio negativo marcou a história do Maracatu Estrela da Tarde, em seu quinto carnaval, no dia 9 de fevereiro de 1948, numa segunda-feira, o Estrela da Tarde descia a rua Cabo Epitácio Lucena, no Alto José do Pinho, acompanhado de grande multidão, a frente do maracatu iam nove caboclos exibindo gingas de capoeira, uma tradição na época, ao chegarem na esquina com a avenida Norte, havia um caminhão pertencente ao sr. Aureliano, estacionado com diversos adesivos alusivos ao carnaval, então os caboclos do maracatu resolveram retirar os adesivos, o filho do dono do caminhão de nome Clemilson, reclamou da atitude dos rapazes e estes, o agrediram a cacetadas com pedaços de pau. O motorista do caminhão conhecido por Joaquim, percebendo que o filho do patrão estava desacordado no asfalto e com profundo corte na cabeça, armado com uma pistola “combrain 380” saiu em perseguição ao grupo e efetuou um disparo atingindo a srª Inês, moradora da rua citada. Ela foi socorrida para o Pronto Socorro, mas veio à falecer horas depois.
Toda a diretoria do Maracatu Estrela da Tarde chegou a ficar detida no Comissariado de Casa Amarela até que o comissário Raul Lins e o delegado Edson Maranhão elucidasse o caso.

Grupo Poesis – Este grupo é uma espécie de canalizador dos elementos poéticos que faziam parte do “Grupo Cultural do Alto José do Pinho (GCAJP)”, grupo este, promoveu na década  1990, eventos anuais denominados “Gestos, Atitudes e Rock n’ roll, eventos nos quais os jovens do bairro ligado a música, teatro e poesia apresentavam-se. Foi nesses eventos que começaram a despontar e ser vistas as bandas de rock do Alto José do Pinho. Com o sucesso alcançado por algumas bandas, especialmente a “Devotos”, o Movimento Cultural do Alto José do Pinho rachou e o “Poesis” passou a questionar a postura delas, propagando que o movimento cultural do Alto não era apenas o movimento das bandas.

Movimento Cultural Alto Falante – É composto por integrantes das bandas de rock e rap e surgiu em meados da década de 1990, com a ruptura do Grupo Cultural do Alto José do Pinho. O Alto Falante mantém uma rádio comunitária e promove eventos com recursos advindos do poder público.

Grupo de Teatro Zé do Pinho – É um grupo que também teve suas raízes no Grupo Cultural do Alto José do Pinho. Tem um trabalho voltado para divulgação do teatro e a formação de novos atores. O grupo de atores que formam o Zé do Pinho são críticos do Alto Falante e mantêm-se articulados com o Grupo Poesis, com o qual realizam eventos em parceria.

As Bandas de Punk Rock do Alto José do Pinho – Foram, dentre os elementos do Grupo Cultural do Alto José do Pinho, aqueles que adquiriram maior projeção na mídia, especialmente a Devotos, Matalanamão e a Faces do Subúrbio. No início dos anos de 1990 chegou a existir 16 bandas no Alto José do Pinho. Com a notoriedade adquirida, os roqueiros não mais participavam de eventos em parceria com o Poesis e os atores, o que levou a ruptura  do movimento e instalou mágoas entre os seus respectivos integrantes. Atualmente, entre os próprios músicos das bandas existem muitas rusgas. Os músicos dissidentes acusam Marcondes Carnnibal, um dos líderes do movimento, de não se preocupar com os problemas sociais do Alto e de só querer aparecer na mídia.

O Afoxé Ylê de Egbá foi fundado em 1986 por Dito D'Ossoxi e é destaque do carnaval pernambucano.

AFOXÉ YLÊ DE EGBÁ

Foi fundado em 17 de agosto de 1986, é um bloco que participa do carnaval pernambucano. É comandado pelo pai de santo Dito D’ Ossoxi, tem se apresentado em eventos dentro e fora do bairro e já fez excursões para a América do Norte e Europa. O afoxé é um dos grupos com mais trânsito entre os diversos atores, já tendo participado em eventos junto com os outros grupos. O terreiro D’ Oxossi Axé Ara-Dudu, oriundo da casa de matriz africana Ylê Asé  AYrá Adjáosi, é comandado por Expedito de Paula Neves, Dito de D’Ossoxi, que é também presidente e membro do Afoxé Ylê de Egbá, com sede na rua Severino Belarmino.’. Além de tocar os ritmos afro-pernambucano, o Afoxé Ylê De Egbá tocar também outros ritmos como: coco, mazuca, samba, maracatu e xote.

Outros terreiros que eram bastante conhecidos no Alto José do Pinho, era o da Casa da Justiça Divina Ylê Kanabogy, fundada em 1952, na rua 40, Nº 20, pela Axé Gercina de Layrá Docy e pai Malaquias de Yemanjá Ogunté. Em 1970, o terreiro mudou-se de Estado, foi para o bairro carioca de Campo Grande-RJ.


O babalorixá Jonatan Ogifain é amparado por membros do terreiro, após ser possuído por uma entidade nagô num evento em 1960, no Alto José do Pinho.

Outro terreiro do Alto José do Pinho que ganhou destaque nos anos 1960, onde foi até notícia no Diário de Pernambuco em 4 de setembro de 1960, onde o centenário jornal destacou os principais terreiros da cultura africana no Recife entre os 287 terreiros existentes à época, o terreiro do babalorixá Jonatan Ogifain, em língua nagô. Seu nome civil era Josias Leônidas Neves. Ele era pai de santo do terreiro da tenda africana Santos Cosme e Damião, registrada na Federação dos Cultos Afro-Brasileiro.

Celo Brown (baterista), Marcondes Carnnibal (vocalista) e Neilton (guitarista), formam a badalada "Banda Devotos" do Alto José do Pinho. Foto: Aline Sales.

BANDA DEVOTOS

A banda foi formada em 1988, por Marcondes Carnibal (baixo e voz), Neilton (guitarra) e o Celo Brown (bateria). A banda no início chamava-se “Devotos do Ódio”, nome que foi tirado do livro “Infância dos Mortos” do escritor, jornalista, novelista e roteirista, José Louzeiro. Este livro deu origem ao filme brasileiro de grande sucesso, “Pixote” de Hector Babenco.

A banda do Alto José do Pinho  toca o punk rock e o hard-core, os músicos se inspiraram na banda inglesa “Joy Division”, e que aumentou o desejo pelo gênero, após a chegada do sinal da MTV no Alto. Bandas paulistas como “Inocentes” e “Cólera”, além do movimento Mangue Beat, com mistura de ritmos pernambucanos do grande Chico Science, impulsionou ainda mais o desejo dos jovens da “Devotos” pelo estilo pesado do punk rock e do hard-core, o que causou estranheza e reprovação no início pela comunidade que não estava acostumada com aquela barulheira esquisita. O povo estava acostumado com o barulho do afoxé, do maracatu, do caboclinhos, do frevo e do samba.


O trio no início da banda quando ainda era "Devotos do Ódio".

Com o crescimento do trabalho da banda Devotos e a divulgação do trabalho pela mídia, aos poucos, a banda conquistou a simpatia dos moradores do Alto José do Pinho. O sucesso da banda originou o surgimento da ONG chamada de Alto Falante, que realiza projetos culturais e sociais na comunidade. A banda Devotos já gravou oito discos e já superou duas décadas. A banda Devotos já participou da gravação do DVD da cantora Pitty em 2009, onde executou a canção “Alto José do Pinho”.
Os discos gravados pela banda Devotos foram: Agora tá Valendo (1997); Devotos (2000); Hora da Batalha (2003); Sobras da Batalha (2004); Flores com Espinhos para o Rei (2006); Devotos- 20 anos (2009). Além de duas copilações: Victória (2010) e Demos e Raridades, ambos em vinil.


A Banda Faces do Subúrbio em 2000.

FACES DO SUBÚRBIO

O grupo foi formado em 1992 antes de se tornar uma banda em 1996, e seus integrantes atualmente são: Zé Brown (vocal e pandeiro); Tiger (vocal e pandeiro); Ony (guitarra e viola); Eduardo Slap (baixo); Perna (bateria) e DJ. Beto (pick-up). Outros integrantes que fizeram parte da banda foram: Marcelo Massacre (baixo); Garnizé (bateria) e DJ. KSB (scratches). Faces do Subúrbio é um  grupo de rap do Recife, que fez parte  do Movimento Mangue Beat, com a mistura  de hip-hop, punk, embolada, hard-core e repente. O grupo foi indicado ao Grammy Latino em 2001. Os integrantes da banda são engajados em projetos sociais e dão aulas de dança e música para as crianças carentes do Alto José do Pinho.

A banda inspirou-se nos rappers brasileiros “Thaíde” e “DJ. Hum” e na banda de rock norte-americana “Body Count”, além dos dançarinos de break Tiger e Zé Brown. Em 1996, incorporou instrumentos musicais em suas apresentações e tornou-se de fato, a banda Faces do Subúrbio. Em 1999, participou da gravação do álbum “Vô Embolá” de Zeca Baleiro, com a música “Piercing”. Em 2000, lançou o álbum “Como é triste de olhar”, que no ano seguinte foi indicado ao Grammy Latino. Em 2005, Faces do Subúrbio se apresentou no Carreau du Temple, na França, na programação do “Ano do Brasil na França”.
A banda gravou o álbum Faces do Subúrbio em 1997 e 1998; Como é Triste de Olhar (2000) e Perito em Rima (2005).

PANORAMA ATUAL DO ALTO JOSÉ DO PINHO

O Alto José do Pinho atualmente, é um bairro na área de morro da zona norte do Recife. A 6,05 Km do Recife. Com 12.334 mil habitantes (CENSO IBGE – 2010), sendo 5.617 do sexo masculino e 6.717 do sexo feminino. Antes era uma localidade pertencente ao bairro de Casa Amarela, mas, em 1988, foi transformado em bairro através da Lei Municipal Nº 14.452, sancionada pelo prefeito Jarbas Vasconcelos. Esta localizada na Região Política Administrativa (RPA)-3, microrregião- 3.2. A Lei Municipal Nº 16.293 de 3 de fevereiro de 1997, sancionada pelo prefeito Roberto Magalhães, delimitou o Alto José do Pinho da seguinte forma: Começa na confluência da Avenida Norte com a Rua Urubatuba e Córrego do Bartolomeu, segue por essa rua atravessando o trecho inicial do Córrego José Grande, por onde prossegue até o canal, segue por este até atingir a Rua Arlindo Cysneiros, deflete à esquerda e segue por esta até a Rua Serra Preta, deflete à direita e segue por esta até atingir a Rua Desembargador Heráclito Cavalcanti, daí deflete à esquerda prosseguindo por esta até atingir a Rua do Rio, deflete à esquerda até atingir a Rua Bugari, deflete à direita e segue por esta cruzando a Rua Avenca até atingir a Rua Severino Bernardino Pereira, deflete à direita e segue por esta até atingir a Rua Barra Verde, por onde cruza a Rua Turvo para alcançar a Rua Monte Orea de onde se dirige para a Avenida Norte, prosseguindo para a confluência desta avenida com as ruas Urubatuba e Córrego do Bartolomeu, ponto inicial.

Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE (DIREITOS RESERVADOS).

Fonte: Alguns trechos desta postagem foram extraídas da Dissertação Acadêmica do Professor de História, Ricardo Leite da Silva (UFPE)- Programa de Pós-Graduação em História- “Alto José do Pinho, ocupação, instituição e práticas culturais – 1940-1960”; Livro: “As ferrovias do Brasil nos cartões-postais e álbuns de lembranças” de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo; Diário de Pernambuco, Revista O Cruzeiro.

ALTO JOSÉ DO PINHO EM FOCO


O aterro, a terraplanagem e o alargamento da Avenida Norte em 1956. Era o fim dos trilhos dos antigos trens que tanto contribuíram para a povoação do Alto José do Pinho por cidadãos vindo do Interior do Estado e da Paraíba. Foto: Fundação Joaquim Nabuco.


Mapa da região de Casa Amarela, feito pelo Departamento de Higiene e Saúde em 1924, o AltoJosé do Pinho em destaque com seus antigos traçados. Foto reproduzida do trabalho do professor da UFPE, Ricardo Leite da Silva.


O caminhão-trailler apelidado de "Tintureira" pertencente ao morador do Alto José do Pinho, sr. Miguel Cavalcanti. O Tintureira prestava serviço a Secretaria de Segurança Pública e outros orgãos do governo do Estado, no transporte de presos, mendigos, loucos e doentes graves, nas décadas de 1940 e 1950. Foto: Arquivo Marco Simão.


Desfile cívico do dia da Independência do Brasil durante a Ditadura Militar de 1964, no Alto José do Pinho. Foto: Arquivo Marco Simão.


Festa de Santo Cosme e Damião nos anos 1960, na antiga Rua 51 (atual Rua Monte Belo). A distribuição de presentes e doces para a criançada era bastante concorrida. Foto: Arquivo Marco Simão.
Senhora descendo a ladeira no Alto José do Pinho nos anos 1960, onde não existiam escadarias. Foto: Arquivo Marco Simão.

Equipe do Bom Sucesso nos anos de 1960, onde foi por duas vezes vice-campeão da segunda divisão do Campeonato Pernambucano de Futebol. Foto: Bom Sucesso F.C. 
O Alto José do Pinho em 1961, visto da Rua do Rio. Foto: Katarina Real/Fundaj
Exibição da Tribo Carnavalesca Tabajara no Alto José do Pinho em 1964. Foto: Katarina Real/Fundaj.


A moçada da Banda Devotos no Som Brasil, São Paulo em 1997: (Esq. para Dir.) Neilton (Devotos), Silva, Marcondes Carnibal (Devotos), Paulo André, Celo Brown (Devotos), Chico Science e Arnaldo Antunes.