segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Em 1980, A Empresa Expresso 18 de Setembro após 20 anos servindo à Bomba do Hemetério chega ao fim com muitas demissões

Expresso 18 de Setembro (1960-1980) serviu a comunidade da Bomba do Hemetério até ser vendida para a Empresa São Paulo. Gravura: busdovanderbilt.wordpress.com


Depois de 20 anos (1960 a 1980) servindo as comunidades da Bomba do Hemetério (primeira linha de ônibus oficial do bairro), Alto José Bonifácio e Alto do Mandu. A Empresa Expresso 18 de Setembro foi vendida para a Empresa São Paulo. A Expresso 18 de Setembro tinha 38 ônibus e pertencia ao empresário Lula Veras. A venda da empresa provocou a demissão de 250 funcionários. O Diário de Pernambuco do dia 4 de junho de 1980, publicou o fato da seguinte forma:
CHORO E DESESPERO NA DEMISSÃO DE 250 EMPREGADOS (o título)
“A demissão de motoristas e cobradores da Empresa 18 de Setembro gerou ontem tumultos com correrias e choros dos quase 250 funcionários que não receberam indenizações e denunciarão hoje à Delegacia do Trabalho “a manobra da empresa”. Segundo o motorista João Gomes da Silva, que trabalha na empresa a 10 anos, fazendo acordos e no ano passado teve a carteira profissional assinada, a 18 de Setembro foi vendida à Empresa São Paulo, cujos dirigentes não aceitaram os empregados. Até às 18 horas de ontem nenhum dos dirigentes da Empresa 18 de Setembro foi localizado pela reportagem e os motoristas disseram que os abusos da direção da transportadora já havia provocado inclusive a morte de um dos seus sócios, assassinado por um motorista revoltado com as injustiças sociais. José Severino da Silva tem dois anos na empresa e disse que os atrasos no pagamentos, e a falta de assinatura nas carteiras sempre foram uma constante do trabalho na 18 de Setembro. Os profissionais ficarão desempregados uma vez que o mercado não absorve o contingente de motoristas e cobradores despedidos da Empresa 18 de Setembro.
Lula Veras, o dono da 18 de Setembro
A reunião dos motoristas foi no posto de gasolina do Vasco da Gama pertencente a um dos diretores da empresa, mas para atender aos ex-empregados apenas ficou um funcionário da administração que não tinha autorização para explicar os motivos pela qual a Empresa 18 de Setembro demitira todos os seus motoristas e cobradores.”
Em fevereiro de 2008, A Empresa São Paulo foi vendida para as empresas: Caxangá, Globo, Pedrosa e Transcol.






Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE
Fonte: Diário de Pernambuco.



Sport Recife vence o Bahia na Ilha na esperança de sair do Z-4

Marquinhos marca o gol da vitória leonina. Foto: Diário de Pernambuco.

19 de novembro de 2017 (domingo)

O Sport está vivo na briga para permanecer na Série A. Neste domingo, o Leão conseguiu uma vitória muito importante, por 1 a 0, diante do Bahia, na Ilha do Retiro. Fez a sua parte e viu um adversário direto, o Vitória, tropeçar em casa, ao empatar em 1 a 1 com o Cruzeiro. Aguarda, agora, o resultado da Ponte Preta, outro que briga diretamente contra a queda. Nesta segunda-feira, a Macaca visita o Fluminense no Rio - o Avaí, que está logo atrás, também joga, contra o Palmeiras, em casa.

Com o fim dos jogos deste domingo, o Sport está a um ponto de distância da saída da zona de rebaixamento. Uma vitória da Ponte Preta, nesta segunda, pode levar essa vantagem para três pontos. O importante, porém, foi o Leão ter feito a sua parte. O alívio ficou claro no discurso após o apito final do árbitro. Até porque, além do resultado importante, foi o fim de uma sequência negativa sem precedentes nesta Série A: eram oito partidas sem vitória - se contabilizados jogos em casa, o jejum era de 17 confrontos.

O jogo

Apesar da goleada sofrida diante do Palmeiras, Daniel Paulista insistiu na mesma escalação do time, deixando novamente jogadores como Rogério e Rithely no banco. Contra o Bahia, a equipe demorou a engrenar. O início de jogo foi lento, com os dois clubes parando na marcação e sem conseguir criar alguma jogada efetiva. A coisa só começou a esquentar por volta dos 17 minutos e o Sport foi quem tomou a iniciativa. Mal nos últimos confrontos, Mena apareceu bem, chegando à área adversária. 

Principal nome do Sport, Diego Souza também demorou a engrenar no jogo. Passava dos 15 minutos quando ele tocou, com efetividade, pela primeira vez na bola. Quando o meia melhorou, o Leão foi junto. A partir dos 17 minutos, o domínio da partida foi rubro-negro, com o próprio DS87 perdendo uma grande chance de abrir o placar, cara a cara com o goleiro. Um pouco mais tarde, Diego Souza esteve envolvido na jogada que resultou no gol do Sport. Após jogada pela direita, ele ajeitou para André, que fez o pivô e arrumou para Marquinhos bater no canto. 

Torcedor joga sal grosso na torcida e no capacete do vigilante com seu fardamento de gala, confundido com um PM pela imprensa. Foto: Sportv

Segundo tempo

A vitória parcial do Sport no primeiro tempo era justa, diante da falta de reação do Bahia. Atento, o técnico Paulo César Carpegiani mudou para o segundo tempo. Tirou o apagado Allione, que nada havia feito, saiu para a entrada de Régis. Veloz, o meia, que está emprestado ao time baiano pelo Leão, deu outra postura ao time. Assustado, o Rubro-negro encontrou dificuldades no início da etapa final e por pouco não sofreu o empate, quando o goleiro Jean, agora batedor de faltas, acertou o travessão de Magrão numa cobrança.

O Sport só começou a reagir após a marca dos 20 minutos. André acertou uma finalização no gol aos 22, a primeira do Leão na etapa. Tentando dar mais mobilidade ao time, Daniel Paulista tirou Mena e Marquinhos e colocou Rithely e Rogério. A equipe reagiu bem à alteração, conseguindo barrar as jogadas do Bahia que, embora tivesse mais posse de bola, não levou perigo real à meta de Magrão. 

Ainda assim, o clima era tenso na Ilha. A vitória era crucial para a luta do Sport contra o rebaixamento. A notícia do gol de empate do Cruzeiro, que enfrentava o Vitória, adversário direto na luta contra a queda, provocou reação imediata na torcida. Em campo, os jogadores sentiram a energia. Aos poucos, o domínio da partida mudou de mãos. O Rubro-negro voltou a dar trabalho e teve chances de marcar, parando nas boas defesas de Jean. Sem dar mais chances ao adversário, o Leão segurou a importante vitória com inteligência até o apito final.

Diego Souza voltou a jogar bem e participou da jogada do gol leonino. Foto: NE10.UOL.

Sport Recife 1

Magrão; Raul Prata, Henríquez, Durval e Sander; Anselmo, Patrick, Mena (Rithely), Marquinhos (Rogério) e Diego Souza; André. Técnico: Daniel Paulista.

Bahia 0

Jean; Eduardo, Tiago, Thiago Martins e Juninho Capixaba; Edson, Juninho (Vinícius), Zé Rafael (Hernane) e Allione (Régis); Edigar Junio e Mendoza. Técnico: Paulo César Carpegiani. 

Estádio: Ilha do Retiro (Recife-PE). Árbitro: Wágner do Nascimento Magalhães (Fifa-RJ). Assistentes: Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha (RJ) e Diogo Carvalho Silva (RJ). Gols: Marquinhos (aos 40 min do 1°T). Cartões amarelos: Henríquez, Durval, Sander, André (S), Eduardo, Régis, Juninho Capixaba (B). Público: 14.697. Renda: R$ 64.253. 

Por: Alexandre Barbosa/Diário de Pernambuco.

domingo, 19 de novembro de 2017

Em 1979, surge a Vila Skylab (Escailabe) na Bomba do Hemetério

A Vila Escailabe entre a Rua do Rio e o Alto José do Pinho. Hoje, já existe água, energia elétrica e as escadarias, mas, os pioneiros não tinham nada disto. As dificuldades eram bem maiores. Foto: Google.

Em agosto de 1979, grupos de pessoas invadem as encostas entre a Rua do Rio e Alto José do Pinho, terras logo identificadas como da Imobiliária Vieira da Cunha. A nova invasão de imediato ganhou o nome de "Vila Skylab", o nome da vila estava relacionado ao grande assunto do momento. Uma grande nave espacial estava preste a cair sobre a terra, o medo era grande das pessoas que temiam que parte dela ao se desintegrar na atmosfera, caísse sob suas cabeças. Não era boato, o fato era real, tratava-se da primeira Estação Espacial da Nasa. A nave norte-americana havia entrado em óbita em maio de 1973 e que no dia 11 de julho de 1979, a nave despedaçou-se no espaço e parte dela veio a cair no Oceano Índico e outra parte ao oeste da Austrália sem atingir ninguém.
A vila atualmente recebeu o nome aportuguesado de "Vila Escailabe". A invasão não deixou de ser mencionada pela imprensa. No dia 24 de agosto de 1979, o Diário de Pernambuco publicou o seguinte:
Em 1979, as crianças participando da construção do casebre. Foto: DP-24/8/1979.

CUSTA Cr$ 1,00 O METRO QUADRADO DA "SKYLAB" (O TÍTULO)

Ajuste nos termos do contrato com a Imobiliária Vieira da Cunha; água, luz e escadarias, são, ao lado das permanentes dificuldades financeiras, os principais problemas dos moradores da recém implantada Vila Skylab, na Bomba do Hemetério.
A partir do próximo mês, dependendo das negociações, todos começarão a pagar a quantia de Cr$ 1,00 (um cruzeiro), por metro quadrado, aos proprietários do terreno. Até agora já estão prontos cerca de 80 casebres de taipa, e a construção dos restantes, que irão para as 274 famílias já cadastradas, está encaminhada.

GAFIEIRA

A grande preocupação da Comissão de Moradores, que se reúne semanalmente com o pessoal da Justiça e Paz, é manter a ordem e os bons costumes. Por isso não querem saber de gafieiras por perto. João Rosa da Silva, um dos lideres, foi bem claro: "Estou gastando, para fazer minha casa Cr$ 14 mil cruzeiros, que um irmão emprestou. Assim como eu, os meus vizinhos também são sacrificados. Aqui não temos divertimentos, e nosso fim de semana é animado com o trabalho, cada um ajeitando seu canto. Por isso não estamos sentindo falta de dança e nem queremos gafieira por perto, pois essas coisas só trazem confusão."

Ontem à tarde, o aspecto da Vila Skylab e suas subdivisões (Campinho e Macaibeira) era de absoluta tranquilidade. As crianças brincando de balanço, com uma corda amarrada numa árvore; de bambolê, de pega etc. - as mulheres cuidando dos afazeres domésticos, e os homens trabalhando no barro, cortando madeira, levantando os casebres. A água sendo buscada numa cacimba das redondezas. Transporte a toda hora com as linhas de Bomba do Hemetério e Alto Santa Terezinha.

O Skylab que caiu
O AJUSTE

Para a resolução dos problemas dos moradores foram feitas entre eles três comissões. Uma irá a Compesa tratar do caso da água; outra irá para a prefeitura pedir escadarias ao prefeito Gustavo Krause; e a outra irá a Celpe pedir luz.

Finalmente, o ajuste em relação ao contrato entre a imobiliária e os moradores está sendo tratado, em meio a muitos mal entendidos, pelo advogado da Comissão de Justiça e Paz.
Acontece que, ao contrário do que havia sido combinado anteriormente entre as partes, a imobiliária exigiu que  ao final do contrato, dentro de três anos, o mesmo fosse renovado segundo o índice de ORTN do governo, o que significa, no minimo um aumento de 200%. 

Esta clausula não foi aceita. Os moradores querem o aumento de 10% ao ano na taxa de Cr$ 1,00 por metro quadrado ocupado. Os outros detalhes foram resolvidos, mas enquanto houver esta pendência - que ninguém sabe quando ou como será solucionada - a situação continuará a mesma.

GALERIA DE FOTOS E NOTÍCIAS DA VILA SKYLAB (ESCAILABE)


Diário de Pernambuco de 25/8/1979

DP- 25/8/1979- Senhora chora emocionada após tentativa de demolição na Vila Skylab.


DP- 28/7/1979- Homem ao lado de uma criança tomando conta de seu barraco na Vila Skylab.


DP- 31/8/1979- Moradores da Vila Skylab levantando seus barracos.


Diário de Pernambuco de 26/7/1979


Diário de Pernambuco de 28/7/1979
Diário de Pernambuco de 31/8/1979


Diário de Pernambuco de 25/10/1980
Diário de Pernambuco de 30/5/1981
Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE
Fonte: Diário de Pernambuco e Diário de Notícias de Portugal. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Em 1976, Gigante do Samba era despejado do São Luiz Show da Bomba do Hemetério

O GRES Gigante do Samba foi despejado do São Luiz e ainda seu maior rival na época, Estudantes de São José, assumiu o seu espaço. A maior humilhação de sua história. Foto: Ilustração.

O inferno astral da Escola de Samba Gigante do Samba começou depois que a agremiação perdeu na passarela em fevereiro de 1975, aquele que seria o tricampeonato, para a Estudantes de São José. Para piorar, foi bastante criticada pelo jornais, principalmente pelo Diário de Pernambuco, que teria o samba enredo dedicado ao seu sesquicentenário e que teve o seu enredo substituído por outro dedicado a Cidade de Olinda. A direção do Diário parece não ter digerido a troca, isto causou uma certa mágoa e um grande desgaste entre as partes. Tanto foi verdade, que após a divulgação da apuração dando a vitória para a Escola de Samba Estudantes de São José, o ilustre colunista social João Alberto em sua coluna no dito jornal não deixou de mencionar a questão da troca do enredo, como também não poupou Gigantes pela falta de humildade e que os diretores da escola estavam com um rei na barriga.
Para piorar ainda mais a situação,  em setembro, o compositor e carnavalesco José Jaquaré de Oliveira Araújo (Jaquaré), de Gigante do Samba foi agredido durante os ensaios na quadra do São Luiz Show, da Bomba do Hemetério, por policiais militares após ter tentado defender uma pessoa ali detida. Jaquaré acusou o diretor do clube, Almir Maranhão de ter dado apoio aos policias agressores.
Em novembro, Gigante do Samba anunciava Selma, sua nova rainha da bateria e dispensava Ana do Alto do Pascoal, considerada a melhor rainha de bateria de Pernambuco, segundo a diretoria da escola, ela foi dispensada por indisciplina, mas outros, falaram que ela estava perdendo a forma fisíca e que a agremiação quis inovar.
Mas, o fato que mais abalou a Escola Gigante do Samba, aconteceu em abril de 1976, quando Gigantes foi despejada do São Luiz Show onde realizava os seus ensaios todas sextas-feiras. A humilhação foi maior ainda porque sua maior rival na época, Estudantes de São José assumiu o seu velho espaço. Gigante do Samba penou e chegou a fazer seus ensaios no América, da Estrada do Arraial em Casa Amarela.
O Diário de Pernambuco do dia 12 de abril de 1976, publicou o fato da seguinte forma:
GIGANTES DO SAMBA EXPULSA DO LOCAL ONDE FAZIA SAMBA (o título)
"Em carta de três laudas, o diretor-presidente do São Luiz Show da Bomba do Hemetério, Almir Albuquerque Maranhão, justifica porque impediu que a Escola Gigante do Samba continuasse realizando ensaios na quadra de esportes do clube.
Revelou que a cinco anos foi convidado para festa de lançamento da pedra fundamental da sede de Gigante no Alto do Pascoal e, como chovia muito, convidou o pessoal para ensaiar no São Luiz. A partir de então, os sambistas reuniram-se e, dois anos depois, resolveram fazer uma batucada às sextas-feiras, afinando a bateria. O negócio "pegou" e o público prestigiou os ensaios de bateria.
O prestigiado cantor e compositor de samba Belo Xis vivenciou as glórias e os fracassos da Gigante do Samba.
DESIGUAL
Quando os ensaios tomaram forma, os diretores de Gigante do Samba ficaram explorando a portaria, o bar e a barraca de bebidas. Dedé se encarregou da barraca, Ivanildo Cabral do bar, Zuca e Ary ficaram com a portaria, sem no entanto prestar contas com ninguém.
Em 1974, observando que o clube estava levando grande desvantagem com o negócio, o diretor-presidente Almir Albuquerque Maranhão marcou reunião com Zuca e Belo Xis, para achar uma solução viável que atendesse aos interesses das duas agremiações quanto às despesas de luz, água, direitos-autorais, material de expediente, enfim a manutenção da entidade. Na ocasião ficou acertado que por cada ensaio seriam pagos Cr$ 1.000,00 (Hum mil cruzeiros) ao São Luiz Show. O pagamento foi efetuado sem recibo ou qualquer outro documento.
BAR
Em 1975, durante a temporada carnavalesca, Almir Maranhão convocou nova reunião com Zuca e Belo Xis e, desta vez, ficou decidido que o clube exploraria o bar e a barraca de bebidas, obrigando-se a pagar o policiamento, o lanche dos batuqueiros, deixando a portaria para a escola de samba. Também ficou acertado que o clube pagaria um cachê a Zuca e Belo Xis, dependendo o movimento do bar. No entanto, o cachê não foi pago e os dois começaram a hostilizar Almir Maranhão, promovendo festas e mais festas, deixando a despesa para o clube, além do que os batuqueiros causaram toda sorte de depredação, como quebra de copos, brigando etc.
MACONHA
Antes do carnaval deste ano, Almir Maranhão foi informado que o tráfico de maconha era grande nos ensaios de Gigantes. Reuniu a diretoria , expôs a situação, apontando inclusive todos os envolvidos que, segundo ele, são a maioria.
As atitudes da diretoria do São Luiz Show foram piorando, muito embora nos últimos ensaios tenha sido arrecadada a quantia de Cr$ 150.000,00 (Cento e cinquenta mil cruzeiros), que ninguém sabe como foi aplicada, vez que não existe uma correta escrituração.
- Não tenho mágoas do pessoal de Gigante, reconheço que eles contribuíram para o crescimento do São Luiz. No entanto, essa ajuda foi mútua. Se os diretores não agiram corretamente é outro problema do qual já nos livramos, disse Almir Maranhão. Agora quem vai ensaiar na quadra do clube de Água Fria é a Escola Estudantes de São José, cujo presidente, Valdeck Melo, é amigo de infância de Almir Maranhão.
DESPEJO SAIU APÓS 2 ANOS DE BATUCADA SEM PAGAMENTO
A agremiação carnavalesca Gigante do Samba foi expulsa da quadra do São Luiz Show da Bomba do Hemetério, em Água Fria, e agora encontra-se sem lugar de ensaio, o que poderá prejudicá-la no próximo carnaval. O São Luiz Show pertence ao vereador Aristófanes de Andrade e a seu irmão Antônio Luis. A expulsão de Gigante foi causada por um desentendimento entre o presidente Belo Xis e o encarregado do São Luiz Show, Almir Maranhão.
ESTUDANTES DE SÃO JOSÉ
Gigantes perdeu na passarela para Estudantes e, agora, fica também sem sede, que será cedida a escola de samba do bairro de São José.  Sem participar da briga. Estudantes mais uma vez se beneficia com as "cabeçadas" de Gigante.
No São Luiz Show da Bomba do Hemetério também funciona  o Centro Social de Água Fria, mantido pelos irmãos Aristófanes e Antônio Luiz Filho. O motivo da expulsão de Gigante não foi revelado, mas sabe-se que a agremiação, após a derrota para Estudantes, ficou em grave crise financeira.
Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Diário de Pernambuco.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Em 1959, moradores dos Córregos do Cotó e Antônio Rodrigues na Bomba do Hemetério, protestam contra a falta de Iluminação Pública

Faixa na entrada da Bomba do Hemetério em 1957, convoca moradores para participar de debates com o prefeito Pelópidas Silveira para melhorias na comunidade. Foto: Museu da Cidade do Recife.

Em 1957, o prefeito do Recife, Pelópidas Silveira convocou os moradores da Bomba do Hemetério para uma audiência para saber os problemas estruturas da localidade, pois a Bomba ainda não era um bairro, pertencia ao bairro de Água Fria. A Bomba era tão esquecida nesta época, que era muito comum a imprensa em suas notícias policiais,  fato corriqueiro na periferia, citar a Bomba do Hemetério como localidade pertencente ao Arruda ou Casa Amarela.
A verdade é que o prefeito Pelópidas Silveira pouco fez pela comunidade da Bomba do Hemetério. Para não dizer que ele fez nada, fez o canal do córrego São Sebastião e asfaltou a Estrada Velha de Água Fria e só. 

A questão da iluminação pública por exemplo, foi duma morosidade tão grande que os moradores do Córrego do Cotó ( atual rua Pastor Benóbi de Carvalho Souza) e Córrego Antônio Rodrigues tiveram que protestar contra a SILFB (Serviço Industrializado de Luz e Força de Beberibe) responsável pelo fornecimento de energia elétrica na comunidade, que havia longo tempo, posteado toda a extensão dos dois córregos mais que não colocou as luminárias, a ponto dos moradores perderem a paciência e protestarem. O ano já era 1959.

Nota publicada pelo Diário de Pernambuco em 17 de janeiro de 1957.

O Diário de Pernambuco do dia 4 de outubro de 1959 publicou a revolta e o descontentamento dos moradores da seguinte forma:

" A posteação já existe há anos, com os fios e a rede toda instalada também. Mas, o que não existe ainda é iluminação pública no Córrego do Cotó e no Córrego Antônio Rodrigues, situados no final da Bomba do Hemetério. É a mesma coisa que e observa noutros locais da Cidade.
Dizer-se, em contrapartida, que o problema da iluminação pública, no Recife, não pode ser resolvido assim da noite para o dia  e que está a depender da solução de outros considerados fundamentais, como da distribuição de energia elétrica em melhores condições, por exemplo, é uma coisa. Outra muito diferente é constatar-se  o absurdo de existir muitos casos como acima enunciado.
Inexplicavelmente, acontece isso: os postes são fincados, os fios instalados e todo material distribuído para, no fim, não aparecer a luz.

APELO À PREFEITURA

Os moradores do Córrego do Cotó reclamam, apelam, enviam memorial às autoridades municipais. Como é que um trabalho já iniciado, com a sua fase mais difícil transposta, fica desse jeito sem ser concluído - perguntam eles. A "Força e Luz de Beberibe" vem com as mesmas desculpas. Será que a Prefeitura, depois de fazer tanto, tenha empacado no caminho? E que a "Força e Luz" não coloque os braços e lâmpadas nos postes, porque não foi paga para isso? Lamentável em tudo, não cansamos de repetir, é que os habitantes dos dois córregos (população numerosa) fiquem prejudicados e ainda por cima suplicados, vendo há tanto tempo todas aquelas instalações, sem serventia alguma, inúteis.
Na realidade, o que se falta fazer ali é mesmo pouco relativamente ao que já foi feito.

Trechos da matéria publicada pelo Diário de Pernambuco em 4 de outubro de 1959.

ESCURIDÃO FAVORECE SÓ MELIANTES

Por causa da escuridão reinante, as famílias vivem sempre sobressaltadas com medo dos ladrões. Às dez horas, muita gente se arreceia de passar pelos aludidos córregos. Há o perigo do assalto. A vadiagem grassa à rédeas soltas e é alimentada não somente por falta de policiamento, mas também pela escuridão. Muitas famílias protestam contra o clima de desrespeito instaurado pelos malandros que reinam protegidos pela falta de iluminação pública.

ESPERAM SOLUÇÃO URGENTE

Se há gente, por tudo que foi dito, que espera e reivindica uma solução urgente, para dentro de poucas semanas, é aquela dos córregos do Cotó e do Antônio Rodrigues. Os moradores do Alto do Cotó, é claro, também precisam de luz nas ruas. Todavia, lá não existe nenhum sinal de posteação, Precisamente o contrário do que ocorre nos dois aludidos córregos.
É verdade que no Córrego do Cotó faltam uns quatro postes ( o que não quer dizer nada, diante dos outros). E no de Antônio Rodrigues não falta nenhum deles. Com tudo já pronto, só falta mesmo ligar a luz".

Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE.
Fonte: Diário de Pernambuco.

domingo, 12 de novembro de 2017

1975 - Prefeito Augusto Lucena discursa no Largo da Bomba do Hemetério e inaugura a escadaria da Rua Aurilândia

Vista da Igreja Batista da Bomba do Hemetério, ao lado fica a escadaria da Rua Aurilândia. Foto: Jânio Odon/2010.

No dia 25 de fevereiro de 1975, o prefeito do Recife, Augusto Lucena, discursou no Largo da Bomba do Hemetério (Praça Castro Alves) em evento de inauguração de obras na Bomba do Hemetério e em Água Fria. Na Bomba do Hemetério ele inaugurou a escadaria da Rua Aurilândia, escadaria que liga o Córrego Pastor Benóbi Carvalho de Souza com o morro onde fica a Rua Antônio Meira, rua esta, que liga a Bomba do Hemetério ao Alto do Pascoal.

O Diário de Pernambuco do dia 26 de fevereiro de 1975 publicou: Apesar das chuvas caídas no Recife, milhares de pessoas compareceram ao Largo da Bomba do Hemetério, em Água Fria, para agradecer ao prefeito Augusto Lucena as melhorias executadas em benefícios da população daquele bairro, representadas pela construção das escadarias da Rua Aurilândia, Subida do Pacheco e Córrego Bombeirense, oficialmente inauguradas ontem à noite.

As solenidades inaugurais foram iniciadas com o chefe do Executivo recifense cortando a fita simbólica, dando por entregue ao povo a escadaria da Rua Aurilândia, a qual escalou até o topo do morro, acompanhado por enorme multidão.

Prefeito Augusto Lucena
Em seguida o prefeito Augusto Lucena falou aos moradores da Bomba do Hemetério afirmando que se sentia feliz com aquele reencontro com os habitantes da localidade. Disse que se não fez mais pelo bairro de Água Fria foi porque o orçamento da prefeitura era insuficiente para atender a todas as necessidades de serviços que o Recife exige, mas que esses recursos haviam sido distribuídos de maneira racional, de modo que não ficou um só bairro que não recebesse melhorias da municipalidade.

O pronunciamento do chefe do Executivo recifense foi precedido dos pronunciamentos dos secretários Reginaldo Guimarães e Rubem Gamboa, Assistente e de Coordenação e Assuntos Extraordinários, e vereadores Expedito Correia e Aristófanes de Andrade. Estavam presentes também ao ato o deputado estadual Wandenkolk Wanderley e o secretariado municipal, além de vários diretores de Departamentos da Municipalidade.



Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE
Fonte: Diário de Pernambuco.


Em 1975, a Escola Gigante do Samba perde o Tricampeonato para Estudantes de São José e entra em crise

1975- Passistas de Gigante do Samba eufórico na passarela do samba em busca do tricampeonato do carnaval pernambucano. Depois da apuração, só decepção. Para o Diário de Pernambuco a escola estava com um rei na barriga, disse o colunista social, João Alberto.


Em 1975, A Escola de Samba "Gigante do Samba" buscava o tricampeonato. Com fama, até hoje, de melhor escola de samba de Pernambuco. Gigante que a princípio teria como enredo uma homenagem ao sesquicentenário do Diário de Pernambuco, mudou de ideia e lançou outro enredo homenageando Olinda com o tema: "Olinda, seus costumes e suas tradições". Para compensar e não causar um mal-estar com o pessoal do Diário, que durante todo o ano publicou notas convocando os adeptos do samba a comparecer ao São Luiz Show, da Bomba do Hemetério, às sextas-feiras para prestigiar o tradicional sambão da escola. A Diretoria criou a ala do Diário que contou com aproximadamente oitenta funcionários fantasiados de típicos personagens olindenses. Doze garotas de tanga com as cores verde-branca fizeram evoluções à frente da ala.
Gigantes do Samba desfilou com 3 mil figurantes distribuídos em 150 alas e 10 alegorias. O grande destaque foi a fantasia do carnavalesco Múcio Catão, que ele havia desfilado no 3º Baile dos Vassourinhas, chamada de "A besta fera do apocalipse" que foi bastante criticada por fugir do tema do enredo, já que tinha um enorme dragão de sete cabeças, chifre e coroas. No corpo do animal, uma abertura por onde  o desfilante aparecia vestido com as cores da escola. Outros grandes destaques, foi a sambista Ana, do Alto do Pascoal, considerada a melhor sambista do Estado e o pessoal da bateria comandados por Maurício da Paixão, Luiz Amaro e o outro Maurício, que substituiu o conhecido Lavanca.
O orçamento da Escola Gigantes do Samba ficou em torno de CR$ 100 mil cruzeiros, afirmou Belo Xis. Terminado o desfile, uma grande preocupação para os integrantes e diretoria de Gigantes. Primeiro, pelo seus próprios erros e, segundo, pelo belo e grandioso desfile do rival Estudantes de São José, aclamado no final do desfile pelo público presente com os gritos de: "É campeão, é campeão".
Os ensaios no São Luiz Show, nas sextas.
O fato veio a se confirmar após o anúncio da comissão julgadora. Estudantes de São José, 412 pontos e Gigante do Samba, 394 pontos. A tristeza e a desolação tomou conta dos incrédulos integrantes de Gigante. O esperado tricampeonato não veio, mas, a Bomba do Hemetério não só foi tristeza, pois, o Caboclinhos Canindé foi campeão, superando Tabajaras e Carijós. O fato é que a Escola de Samba "Gigante do Samba" não foi poupada e no dia 17 de fevereiro de 1975, o grande colunista social, João Alberto em sua coluna publicou o seguinte comentário:
Gigante do Samba começou a perder o tricampeonato no dia em que uma divisão na sua diretoria fez com que o enredo anunciado – “Sesquicentenário do Diário”, fosse substituído por Olinda. Aquela querida escola cresceu muito, seus diretores ficaram com um rei na barriga e colocaram por terra o grande sonho. Faltou, principalmente, humildade, exatamente a grande arma de anos anteriores. Humildade que sobrou na Estudantes de São José, a grande campeã.
Logo em abril, os que fazem Gigante do Samba queriam realizar o sambão, isto é, comercializar a escola. O sucesso foi menor, bem menor, do que do ano passado. As grandes figuras na ligação com a imprensa, com a relações públicas Penha – Desapareceram, o negócio era faturar. Num desfile em homenagem ao nosso jornal, Gigante do Samba esnobou, não veio a pracinha do Diário.
No dia do desfile, depois de um grande atraso, a atitude desastrosa e grosseira de desfilar na rua da Imperatriz andando, como se ali fosse uma simples rua de bairro. A multidão, que ali estava a horas, esperando Gigante do Samba, foi esquecida, o esforço dos companheiros de uma emissora de televisão, ali instalada, não foram levados em conta. A apresentação de Gigante do Samba parecia um velório.
Além disso, é justo que se diga: Estudantes de São José se apresentou mil vezes melhor, fazendo jus à vitória. Foi a reconquista de um título, conseguido com muito esforço e, o que é mais importante, com muita humildade. Seu enredo sobre Casa Grande & Senzala estava muito bom. Uma ideia na comparação entre as duas escolas pode ser dada pela alegoria do chafariz, presente em ambas. Enquanto na Estudantes de São José era bem feita, jorrava água realmente, em Gigante do Samba não passava de um mal feito desenho.
Como torcedor de Gigante do Samba, fiquei triste com a derrota, mas espero sinceramente que ela tenha a grande virtude de levar a humildade de volta à Bomba do Hemetério. No caminho de volta, nós estaremos outra vez ao lado de Gigantes do Samba, que é grande, apesar da derrota. Uma derrota muito honrosa, afinal seria muito difícil vencer Estudantes de São José, tão bela foi sua presença na passarela.
No ano de 1976, Estudantes de São José conseguiu ganhar o bicampeonato com 328 pontos, contra 321 pontos de Gigante do Samba.

 Por: Jânio Odon/ BLOG VOZES DA ZONA NORTE
Fonte: Diário de Pernambuco.