sábado, 10 de setembro de 2016

A História do Bairro de Águas Compridas (Olinda): que surgiu entre córregos, ladeiras, morros e o riacho Lava-Tripas

Largo do Afonso, em Águas Compridas. Foto: Jânio Odon/27.08.2016

A REGIÃO ANTES DO BAIRRO SURGIR

Antes do surgimento do bairro de Águas Compridas, esta região ao noroeste de Olinda fazia parte da Mata Atlântica. Para se ter uma ideia, a Mata Atlântica abrangia uma área de 1.315.000 quilômetros quadrados, aproximadamente 15% do território brasileiro, do Piauí ao Rio Grande do Sul pelo litoral do país. Atualmente, bastante fragmentada, possui apenas 7% de sua cobertura original.

No período colonial, esta região era dominada pelos índios tabajaras. Com a chegada do donatário, Duarte Coelho Pereira,  para governar a Capitânia de Pernambuco em 1535, uma das primeiras providências foi povoar as terras da capitânia, para isso, combateu os índios expulsando-o de suas terras. Concretizado o fato, Duarte Coelho começou a doar  terras aos nobres portugueses que o acompanharam na viagem. Jerônimo de Albuquerque, que era cunhado de Duarte Coelho, casado com Brites de Albuquerque, sua irmã. Ganhou vasta extensão de terra, que hoje correspondem à parte dos municípios de Olinda, Paulista e Sirinhaém. A região de Águas Compridas fazia parte desta gleba. Já a parte de Santa Casa e Mirueira, Duarte Coelho doou ao português Bartolomeu Dias em 1543. Ainda nesta época, as terras de Beberibe eram doadas ao português Diogo Gonçalves pelo donatário, como dote de casamento.  No período colonial brasileiro a legislação fundiária permitia que o governante cedesse pequenas ou grandes parcelas de terras de acordo com a posição ou prestígio que o indivíduo ocupava na sociedade, sendo de forma definitiva ou revogável. De acordo com a legislação fundiária o processo era feito por meios de avisos, resoluções administrativas, cartas de doação (foral), bem como textos de ordenações.

Em 16 de março de 1692, Miguel Leitão de Albuquerque, herdeiro de Jerônimo de Albuquerque, vendeu parte de suas terras que perdiam-se de vista ao nobre português, Coronel Francisco Berenguer de Andrade (o filho). As terras de Paratibe de Cima, englobando as terras do futuro Monte Berenguer (Alto da Bondade) até o Riacho Lava-Tripas (Águas Compridas). O novo dono das terras do futuro bairro de Águas Compridas era irmão de D. Maria Cezar e cunhado de João Fernandes Vieira, um dos heróis da Insurreição Pernambucana  que expulsou os holandeses em 1654. O Coronel  Francisco Berenguer de Andrade, era um homem muito rico e influente na alta sociedade olindense. Seu pai que tinha o mesmo nome e  era um rico senhor de engenho, pois era dono das terras de Afogados à Jaboatão Velho. Francisco Berenguer (o filho) era uma pessoa problemática, chegou a ser inimigo até do donatário de Pernambuco, Dom Matias de Figueiredo Melo (1688-1689), para muitos, era um homem mau e diabólico. Respondia a mais de 62 processos por fazer manifestos falsos. Considerado um verdadeiro perturbador da ordem, da alta sociedade olindense.  

Com o grande desmatamento da Mata Atlântica na região por comerciantes de madeira e produtores de carvão, além de posseiros e criadores de animais, a região onde atualmente fica o  bairro de Águas Compridas tornou-se parte de uma reserva verde denominada de Mata da Mirueira, criada através da Lei Provincial Nº 83, em 4 de maio de 1840, que partia do Outeiro de San Pedro da Merueira (Mirueira), que também já foi chamado de Navarro. A mata era densa e extensa, fazia divisa com Beberibe, Igarassu, São Lourenço da Mata e Tracunhaém.

A Revista Brasileira de Geografia de 1962, descreve a região de Mirueira da seguinte forma: “É caracterizada por uma zona de chãs (atuais Mirueira, Alto da Conquista, Alto do Sol Nascente e parte da Mata do Ronca e Alto da Bondade), de perto de 70 metros de altitude, outrora coberta de matas, ao longo da linha seca de divisa, entre Olinda e Paulista, do marco do Berenguer à nascente do Fragoso”. 

O SURGIMENTO DE ÁGUAS COMPRIDAS

Esta região começou a ser povoada com mais intensidade a partir de 1936, com o início da construção do Sanatório Padre Antônio Manuel- Hospital Colônia da Mirueira, o conhecido “hospital dos leprosos”, e a abertura da Estrada da Mirueira que ligaria às Estradas  do Caenga e do Matumbo (atual Avenida Presidente Kennedy) em São Benedito, até Beberibe. O Governo Federal de Getúlio Vargas,  a princípio, liberou 18:112$000 (dezoito contos, cento e doze mil réis) através da Ordem de Pagamento Nº 4.137, no montante total de 100:000$000 (cem mil contos de réis) para o início das obras e como parte do pagamento do terreno adquirido para a construção do hospital. Que só foi concluído em 1941. Nesta época, a “lepra” era uma doença que causava muito temor e medo as pessoas, portanto, muito descriminada pela sociedade. Tanto, que o governo queria que o hospital ficasse isolado dos povoados. A lepra passou a se chamar hanseníase na década de 1970, nome dado pelo leprologista Abrahão Rotberg. Desde então, e após a promulgação do Decreto Nº 165, de 14 de maio de 1976, foi extinto da literatura médica e dos trabalhos de saúde o termo “lepra”.

Segundo antigos moradores, o nome Águas Compridas  surgiu por causa do Riacho Lava-Tripas, tendo em vista que a região ainda desabitada, o riacho visto dos morros parecia infinito, a perder  de vista. Daí, a denominação Águas Compridas. O bairro já foi bem maior, pois, todo o Alto da Conquista, Alto da Bondade e Alto Sol Nascente eram localidades pertencentes a Águas Compridas. De acordo com o mapa da Prefeitura de Olinda de 1995, estas localidades tornaram-se bairros olindenses. O Alto Nova Olinda também pertencia ao bairro, atualmente, é uma localidade pertencente ao bairro de Sapucaia de Fora. Mais parte do Alto da Conquista, numa área conhecida por Jardim Conquista, ainda pertence ao bairro de Águas Compridas.


Riacho Lava- Tripas atualmente está bastante poluído. No passado, a água servia para beber, tomar banho e lavar roupas.

O Riacho Lava-Tripas é um afluente do Rio Beberibe. Nasce na Mata da Mirueira, no bairro de mesmo nome, atravessa todo o bairro de Águas Compridas, passa por Sapucaia, Aguazinha e atravessa a II Perimentral na Avenida Presidente Kennedy e desemboca no Rio Beberibe, que até 1833, suas águas ajudavam a abastecer a cidade de Olinda e os navios do Porto do Recife. No entanto, em 13 de setembro de 1833, a poluição do rio já era tanta que o Presidente da Província de Pernambuco, Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos proibiu através de decreto o transporte de água do Beberibe para consumo da população que era feito pelos escravos canoeiros e estabeleceu uma multa de 6 mil réis e o confiscamento da embarcação. O Riacho Lava-Tripas tem esta denominação em virtude dos ribeirinhos criarem animais e ao tratarem, utilizavam às águas do riacho para lavar as vísceras e descartá-las. Com o crescimento populacional da região de Águas Compridas, os esgotos domiciliares e do comercio local afetaram incisivamente o Riacho Lava-Tripas que depois de algum tempo passou a se chamar Riacho Águas Compridas e atualmente com tanta sujeira é chamado de Canal de Águas Compridas.

Existem publicações antigas em jornais, livros e revistas associando Águas Compridas como distrito de Beberibe. O fato é que Beberibe pertenceu ao município de Olinda e a região onde hoje fica o bairro de Águas Compridas pertencia a Beberibe. Em 11 de setembro de 1928, o governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, sancionou a Lei Estadual Nº1931, desmembrando Beberibe de Olinda e anexando ao município do Recife, entretanto, a região permaneceu anexada a Beberibe até o dia 31 de dezembro de 1938, quando a região de Águas Compridas foi desmembrada do bairro de Beberibe. Mas, Águas Compridas por muito tempo ficou conhecida como distrito de Beberibe mesmo sem ser. Inclusive com intervenções da Prefeitura do Recife.


Cemitério de Águas Compridas existe desde 1888.

O CEMITÉRIO DE ÁGUAS COMPRIDAS

O cemitério de Águas Compridas que em seu início era chamado de cemitério de São Boaventura, porque o seu muro foi construído com o restos das ruínas da Capela de São Boaventura que ficava no Caenga. E que depois, passou a chama-se Cemitério de Beberibe porque esta região era distrito desta freguesia. Foi inaugurado em 15 de abril de 1888, a pouco menos de um mês da abolição da escravatura no Brasil. O cemitério surgiu nas terras da encosta do Morro do Retiro, que pertencia ao tenente-coronel Luciano Eugênio de Mello. O primeiro sepultamento realizado no Cemitério de Águas Compridas foi da genitora do tenente-coronel Luciano Eugênio, a senhora Delphina Maria de Mello (1802-1888), onde até hoje existe o jazigo da família Mello. O sepultamento de Delphina teve  um grande cerimonial, celebrado por três sacerdotes católicos da Freguesia da Sé.

O primeiro cemitério de Beberibe ficava entre a igreja de Nossa Senhora da Conceição de Beberibe e o rio Beberibe. Explicando melhor, antes da construção do primeiro cemitério da província de Pernambuco em Santo Amaro em 1851, os poderosos se enterravam dentro das igrejas e as pessoas pobres faziam cotinhas ou pediam esmolas para conseguirem dinheiro para serem enterrados próximo ou em terrenos entorno das igrejas, era uma tradição. O local santo de Beberibe transformou-se em cemitério. O fato é que era cercado por uma cerca de arrame o que facilitava a entrada de animais para pastarem, isso ocasionava um grande transtorno, pois os animais deixavam cadáveres desenterrados, além do mau cheiro, poluía o rio e causava revolta e protestos no povoado. Isso foi o que provocou a mudança do cemitério para a Estrada do Caenga.


Nota publicada pelo Diário de Pernambuco em 18 de fevereiro de 1892, sobre a complexa relação entre a igreja e a prefeitura de Olinda relativa as despesas do novo cemitério de Beberibe (atual cemitério de Águas Compridas).

De acordo com o Diário Oficial de Pernambuco de 18 de abril de 1952, o cemitério de Águas Compridas, ainda chamado de cemitério de Beberibe e sob administração da Prefeitura do Recife, sofreu uma grande reforma. A publicação diz o seguinte: Portaria Nº 123/52, o prefeito do Recife, Antônio Alves Pereira, designou o administrador geral de mercados e cemitérios, Dr. José Antônio da Costa Porto, a construir o novo cemitério de Beberibe.

Estrada de Águas Compridas. O morro ao fundo é o Alto Nova Olinda, que antigamente chamava-se Outeiro do Caenga. Foto: Jânio Odon/27.08.2016.


ÁGUAS COMPRIDAS DE HOJE

Atualmente, Águas Compridas é um dos bairros mais pobre de Olinda, composta de operários, com  20.579 habitantes, sendo 9.759 do sexo masculino e 10.820 do sexo feminino de acordo com o Censo do IBGE (2010). O rendimento médio mensal das pessoas responsáveis pelos domicílios no bairro é de 2 a 3 salários mínimos.  Faz divisa com os bairros do Alto da Conquista, Alto da Bondade, Passarinho (Recife), Caixa D’Água, São Benedito, Sapucaia e Zona Rural (localidade de Santa Casa, na Mirueira). Águas Compridas geograficamente é um bairro bastante acidentado, uma região de morros, ladeiras, becos e córregos. Quem sai da Avenida Presidente Kennedy no sentido subúrbio e entra na Estrada do Caenga em direção a Águas Compridas, logo percebe sua área de relevo, do lado direito, vemos: o Alto Nova Olinda, morros do antigo Caenga do Outeiro, passando pelo Buraco de Afonso (atual Rua Maria Pereira de Almeida) até atingir o Morro do Aureliano, a Ladeira do Giz ( atual Rua do Amanhecer) e o Alto da Conquista. Se vemos o lado esquerdo, encontramos de cara, o Retiro São José no topo do morro, no Alto da Glória, que foi construído em 1901, quando Águas Compridas nem sonhava em existir. Abaixo, fica o Cemitério de Águas Compridas, mais que fica localizado no bairro de São Benedito juntamente com o Retiro. Mais adiante, nos deparamos com Córrego do Norzinho (atual Rua Rosa Amélia) e o extenso Alto do Cajueiro ligado ao Alto da Macaíba, Alto da Bondade, Passarinho Alto, Alto Sol Nascente e parte da Mata do Ronca. 

Águas Compridas é uma localidade que sempre sofreu com a falta de infraestrutura. Nos últimos anos, houve uma melhora no saneamento básico, no transporte, na coleta de lixo e no fornecimento de energia elétrica, apesar de ainda apresentar muita deficiência. Os problemas maiores enfrentados pela população se concentra nas áreas de encostas dos morros que parece nunca ter fim. A falta de muros de arrimos tem provocado deslizamentos e morte quase todos os anos, situação que está longe de ser solucionada, pois são diversas áreas de risco e poucos investimentos pelos órgãos governamentais. A segurança pública também tem preocupado bastante. São diversos casos de furtos e assaltos a comerciantes e transeuntes em diversos pontos do bairro, principalmente roubo de celulares, como também, o tráfico de drogas e homicídios. Atualmente o policiamento ostensivo de Águas Compridas é feito pelo 1º BPM - Batalhão Duarte Coelho. A queixa dos moradores é que o policiamento motorizado é muito concentrado na Estrada de Águas Compridas e que os morros e córregos não tem a mesma ostensividade. Outro grave problema é a questão dos pichadores, uma verdadeira praga. Por onde se anda há pichações e as autoridades competentes não tomam nenhuma providência. Outra situação que faz de Águas Compridas ter um aspecto de abandono é a questão da sujeira. Por onde se anda se vê acúmulo de lixo, seja nas ruas, becos, escadarias onde quer que esteja, algo deplorável. Vemos também, esgotos entupidos, água suja alagando as ruas e muita gente sem a mínima educação doméstica jogando tudo o que não presta no chão. Que a carapuça não caia na cabeça das pessoas educada de Águas Compridas, que também ficam indignadas com essas atitudes nada civilizada. A prefeitura de Olinda não tem o serviço de varrição como a vizinha Recife tem. Os canteiros das ruas ficam cheios de areia, mato e lixo, que só são limpos de tempos e tempos, principalmente em tempos de eleições. Deputados e vereadores que se dizem verdadeiros representantes da região de Águas Compridas pouco fazem pela comunidade que ainda não abriu o olho e se deixam ser enganados ano a ano. É hora de exigir mais, cobrar mais. É hora de tirar esses ausentes representantes do povo da zona de conforto. Valorize seu voto.  

Ladeira do Giz, antigo Morro do Giz. Atualmente, recebeu um novo nome, Rua do Amanhecer.

Uma curiosidade. A Ladeira do Giz no início do século XX, ficou conhecida por Morro do Giz porque lá foi encontrado o minério conhecido por Caulinita, o chamado giz de alfaiate.

Desabamento de barreira na Ladeira do Giz onde infelizmente morreram três pessoas. Foto: Guga Matos/JC.

QUEDAS DE BARREIRAS, UM EXEMPLO QUE SE REPETE SEMPRE

Quem mora ou passa por Águas Compridas percebe que muita gente ainda reside em áreas de alto risco. Muitas casas ficam a beira do abismo sem proteção alguma, sem muros de arrimos e a cada inverno a situação agrava mais. As autoridades governamentais precisam investir mais nas áreas de morro como em Águas Compridas. Senão veremos exemplos de notícias como estas a seguir, por décadas e mais décadas. No dia 27 de abril de 1973, o Diário da Manhã noticiou: “ Os alagamentos e deslizamentos de barreiras ocasionados pelas chuvas que caíram na cidade nas últimas horas provocaram o desabrigo de 200 pessoas, segundo o relatório do Corpo de Bombeiros. Os pontos críticos da cidade que mais sofreram com as chuvas foram Beberibe e Águas Compridas, cujas barreiras ofereciam perigo e algumas vindo a baixo, foi necessário por isso, maior ação do Corpo de Bombeiros”.

Quarenta e três anos depois, a história se repete em forma de tragédia. No dia 30 de maio de 2016, o Jornal do Commercio noticiou: “Duas mulheres e uma criança morreram soterradas após deslizamentos de barreira na Ladeira do Giz, em Águas Compridas, Olinda. Por volta das 06:30, a terra veio a baixo vitimando mãe, filho e uma vizinha da família”.  

EM 1953, O DEPUTADO E RADIALISTA ALCIDES TEIXEIRA DENUNCIA A MISÉRIA EM ÁGUAS COMPRIDAS

Em 13 de fevereiro de 1953, o radialista das vovozinhas e do clube vovozinhas, que depois passou a chamar-se Santo Amaro, discursou na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco sobre o caos e a miséria da população de Águas Compridas e a difícil missão de se construir em benefício do Alto Nova Olinda uma ponte sobre o Riacho Lava-Tripas e um chafariz.

Trechos do discurso de Alcides Teixeira: “Senhor Presidente, senhores deputados. Mais uma vez ocupo a tribuna desta casa para reclamar, para apelar e clamar pelos direitos do povo pobre. Em dia, passada fiz um apelo desta tribuna, por intermédio desta casa, ao sr. Prefeito de Olinda, Alfredo Lopes, no sentido de que S. Excia mandasse abastecer d’água o povo pobre de Águas Compridas. O prefeito disse que estava pronto para mandar construir naquela localidade um chafariz, para que aquela população pudesse ter o precioso líquido.  

Serias ocorrências verdadeiramente calamitosas, para os moradores de Águas Compridas. A situação dessa gente, é dolorosa, atirada ao esquecimento sem que nenhuma providência dos poderes públicos, venha por termo à este estado de coisas, senhores. Que comove qualquer um. Um dos pontos nelvragicos desta situação, é uma ponte que dá acesso ao morro (Alto Nova Olinda) que pela sua precariedade oferece a impossibilidade de trânsito de veículos, e chega mesmo a oferecer perigo a vida dos pedestres.

Radialista e deputado estadual, Alcides Teixeira.
A situação desses moradores, todos operários que ao regressarem da labuta diária terão que caminhar quilômetros e mais quilômetros, à pé, exaustos, porque nenhuma empresa de transporte coletivo pode fazer aquela linha uma vez que a ponte impede a marcha desse benefício! O deputado Olímpio Ferraz ironiza: V. Excia. poderia coligar-se com o deputado Antônio Luiz Filho, da zona de Beberibe, e organizar uma empresa de transporte para explorar o ramo naquela zona. Alcides Teixeira rebate: Sr. Deputado Olímpio Ferraz, infelizmente sou um homem pobre, porque se fosse rico eu faria. Alcides Teixeira prossegue: Não se pode conceber senhores, que os poderes municipais do município de Olinda, não tomaram conhecimento ainda dessa calamidade! Não é admissível, que as autoridades competentes daquele município, desconheçam completamente a situação de uma coletividade, que bem poderíamos chamar de, pobres miseráveis!

O que se passa naquela artéria de Águas Compridas! Isto, para chegarmos na parte mais dolorosa da situação daquela gente que é sem dúvida alguma, o abandono em que vive. A falta d’água é o eterno problema daquela região! É em solução desse problema nenhuma medida foi tomada, nenhuma providência estabelecida! E lá, diariamente, vê-se o quadro triste de mulheres em adiantado estado de gestação subindo e descendo a longa ladeira, em busca do precioso líquido, bem distante dali. Por aí se vê, senhores, ante a exposição desse doloroso espetáculo, desumano podemos admitir, por que a prefeitura bem que poderia desde a muito tempo, providenciar a instalação de um chafariz naquela comunidade.

A situação penosa dessa gente, que é explorada vergonhosamente por certos exploradores que vendem água à razão de CR$ 0,80 (oitenta centavos), CR$ 1,00 (Um cruzeiro) e até mais, a lata. É lamentável, e porque não dizer vergonhoso, que a prefeitura de Olinda, conserve-se na indolência, ante esses fatos. E lá se encontram também, senhores, qual um doloroso quadro pintado com pinceladas vibrantes de miséria. 

Centenas de crianças, internadas, podemos dizer, em antros infectos sem nenhuma possibilidade de conforto higiênico. A situação das crianças pobres, num montante de quase 70% é a mais penosa possível! Pois bem! Lá, no lugar em questão, Águas Compridas está esse espetáculo de abandono a infância, em grau acentuado e alarmante. São inúmeros casos  de mães que perdem os filhos quando esse vêm a luz por falta de assistência precisa. É impossível o acesso de carros médicos aquele local! E não menos acrescido é o número  de mães que não chegam a ver o filho e com ele vai ao túmulo, pela mesma razão. São seiscentos e poucas almas, senhores, que moram neste verdadeiro solvedouro humano, neste lugar que pela falta de condições de higiene, de recursos e de socorros, sentem a espreita da morte”.

O deputado Fernando Lacerda prometeu doar o cimento, o deputado Fábio Correia, os tijolos, e  Alcides Teixeira, a quantia de CR$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) para construção da ponte que dá acesso ao Alto Nova Olinda. 

NO INÍCIO, CASO DE POLÍCIA EM ÁGUAS COMPRIDAS ERA RESOLVIDO NO COMISSARIADO DE AGUAZINHA. 

O Diário Oficial de Pernambuco de 13 de julho de 1947, publicou a criação do comissariado do bairro de Aguazinha que atendia as localidades da Mirueira, Sapucaia de Dentro, Sapucaia de Fora, Caixa D’Água, trecho da Estrada de São Benedito, Estrada do Matumbo, Passarinho e Águas Compridas.

DEMANDOS E ARBITRARIEDADES NO COMISSARIADO DE ÁGUAS COMPRIDAS

No dia 17 de fevereiro de 1972, o Diário da Manhã, foi às ruas com manchete de capa: “Corrupção no Comissariado”. O comissariado de Águas Compridas que na época, funcionava na Estrada de Águas Compridas, próximo ao Mercadinho de Biá, que fica de frente a Rua Bernardino de Melo e a subida do Alto da Bondade e, que era subordinado ao 13º Distrito da Capital, em Peixinhos. Pois bem, o fato é que a população de Águas Compridas estava revoltada com as atitudes de agentes e araques (indivíduo que se passa por policial sem ser) que estavam praticando as mais diversas arbitrariedades aos cidadãos da comunidade. O jornal denunciou e exigiu providências às autoridades do então Departamento de Polícia. Veja na íntegra o que o Diário da Manhã escreveu sobre o episódio: O delegado do 13º Distrito Policial (Peixinhos), Roldão Joaquim dos Santos, precisa inteirar-se melhor das violências e dos absurdos que vêm ocorrendo no comissariado de Águas Compridas. Os espancamentos ali são constantes, em homens e mulheres, além do já tradicional “banho de cela”. E como isso não bastasse existem policiais que estão cobrando taxas para devolver a liberdade aos presos. Ainda domingo de carnaval, um morador do Alto Nova Olinda, em Águas Compridas, quando brincava em sua residência com familiares e vizinhos, pelo fato de jogar um pouco de talco numa sua prima, foi preso por policiais e araques do comissariado local. Colocado no jipe da polícia, com violência, sofreu um corte no olho esquerdo. No posto policial foi esbofeteado, deram-lhe um banho e mais tarde para restituir a liberdade, os policiais cobraram taxa de CR$ 15,00 (quinze cruzeiros). O caso merece as vistas do diretor do Departamento de Polícia da Capital que provavelmente mandará instaurar inquérito.

No dia 3 de março de 1972, o Diário da Manhã noticiou as providências adotadas pelo Departamento de Polícia em relação aos abusos cometidos por agentes e araques do comissariado de Águas Compridas da seguinte forma: Levados pela denúncia deste jornal, de que o comissariado de polícia de Águas Compridas desmandos e arbitrariedades eram praticados constantemente pelos próprios policiais e araques. O diretor do Departamento de Polícia da Capital, Jonathan Marques da Cunha, e o delegado do 13º Distrito de Peixinhos, Roldão Joaquim dos Santos, determinaram que fosse procedida rigorosa sindicância sobre o assunto, e no final, ficou apurado que a denúncia tinha fundamento e existiam muitas outras anormalidades em que prejudicavam o nome da polícia. Com o objetivo de mostrar à opinião pública que as autoridades constituídas não admitem tais atrocidades, todo o efetivo policial que fora destacado no comissariado de Águas Compridas foi substituído e assumiu a chefia do posto policial, o comissário Manoel de Sousa, que recebeu instruções do delegado Roldão Joaquim e, como medida inicial, já expulsou doze “araques” que, passando-se por policiais, além de virem comendo “bolas” (= propinas), faziam a sua própria lei.

PARCELAMENTOS DAS TERRAS DE ÁGUAS COMPRIDAS


Nota publicada pelo Diário de Pernambuco em 16 de setembro de 1840, sobre um anúncio de venda de um sitio no Caenga, quando o bairro de Águas Compridas ainda nem existia. 

A Fábrica Actividade, fundada em 1893, e localizada no Varadouro (Olinda), adquiriu a Propriedade Caenga em Águas Compridas no ano de 1900 e nela chegou a cultivar neste período 600 mil pés de tomates, envolvendo cerca de 80 a 100 trabalhadores.
No final da década de 1940, a prefeitura de Olinda, concedeu o parcelamento de Nº 64- denominado de Jardim Conquista.

Em 15 de dezembro de 1952, a Comarca de Olinda aprovou o parcelamento do loteamento de Nº 39, denominado Jardim Águas Claras, Águas Compridas em nome da Sociedade Imobiliária Recreio da Lagoa Limitada.

Em outubro de 1955, a Comarca de Olinda, aprovou o parcelamento de um loteamento de Nº 94, denominado Jardim Santa Eliza, em Águas Compridas, em nome dos Srs. Eduardo Gurgel de Araújo e Edmundo Gurgel,  contando com 40 mocambos já instalados. 

Em 20 de abril de 1959, A propriedade Outeiro do Caenga foi desapropriada por 12 milhões de cruzeiros, dando direito a foreiros que construíram casas no local.
Na primeira metade de 1960, foram concebidos em Águas Compridas, 39 lotes-granjas e outros 1.084 lotes pertencente a família Queiroz de Oliveira.

Em 23 de março de 1963, a Prefeitura de Olinda aprova o parcelamento de Nº 229, de uma área denominada Caenga, em Águas Compridas, pertencente ao Sr. Teodulo Pio Valença.
Em agosto de 1967, a prefeitura de Olinda concede o parcelamento de Nº 309, Sitio Protetor, em Águas Compridas, da família Santos Melo.

Em 9 de abril de 1981, a Prefeitura Municipal de Olinda autorizou o parcelamento de Nº 1039, do terreno denominado de Colina dos Pinheiros, na antiga propriedade Outeiro do Caenga, em nome do Sr. Mario Fabiano de Souza, contendo lotes com característica de chácaras ou granja.
Em junho de 1983, é inaugurada a igreja católica Sagrado Coração de Jesus, em Águas Compridas.

CONFLITOS POR TERRA

Em dezembro de 1983, o jornal agrário “ Grito do Nordeste” de Jacobina, na Bahia, publicou um artigo sobre um conflito de terra entre proprietário de terra e posseiros que aconteceu em Águas Compridas. O artigo dizia o seguinte: “Violência contra posseiros”, esta era a manchete, e prosseguia: Uma das mais antigas e históricas áreas rurais de Olinda, Pernambuco, o Outeiro do Caenga (Nova Olinda e Alto), viveu no último dia 5 de dezembro, novas cenas de violência com a derrubada de árvores frutíferas dos sítios do Sr. Hilton de Santana e Dona Maria do Carmo Nascimento. Eles ocupam o lugar há mais de trinta anos, e sofreram grandes prejuízos. O Sr. Fernando Valença, que se diz proprietário da área, com cinco homens armados desmataram uma extensão de trezentos metros, causando revolta aos que viram suas plantações sendo danificadas. Várias mangueiras, cajueiros, jaqueiras, pés de café e graviola foram derrubados.

As 85 famílias que ocupam o local há mais de trinta anos vêm sofrendo constantes ameaças de expulsão. O Sindicato de Olinda e Paulista, juntamente com a Prefeitura de Olinda dão todo apoio à luta dos posseiros, que agora vão exigir indenização na justiça e lutam pela permanência na terra”.

A QUESTÃO DA PAVIMENTAÇÃO E DO TRANSPORTE, SEMPRE UM GRANDE PROBLEMA

A abertura da Estrada da Mirueira em 1936, e o caminho criado ligando a nova estrada à Santa Casa (que tem este nome porque pertenceu a Santa Casa de Misericórdia ligada a igreja católica), Águas Compridas, Estrada do Caenga com a Estrada do Matumbo ligando a Beberibe, era apenas o início dos problemas de infraestrutura desta região. Estrada de terra batida no meio de um grande córrego entre morros, sítios e mata fechada, além do Riacho Lava-Tripas que cortava todo o córrego até desembocar no Rio Beberibe e que em época de chuva provocava grandes inundações. Os primeiros moradores do futuro bairro de Águas Compridas e adjacências, viram a estrada deteriorando-se a cada ano nos meses invernosos, provocada pela erosão causada pelo grande volume de água que desciam dos morros e abriam grandes crateras. A terraplanagem era feita a maioria das vezes pelos próprios moradores com suas pás e enxadas ou com ajuda de animais. Mais a estrada era longa demais para os poucos e dispostos moradores. A cada dia a estrada ficava mais intransitável e estreita devido o avanço da mata.  As carroças puxadas por cavalos, mulas, burros ou bois, a cada dia sentiam mais dificuldades de chegarem ao centro de Beberibe, onde desde 1922, já era servida por bondes. O centro administrativo de Olinda ficava na área litorânea do município. 

A Avenida Presidente Kennedy ainda não existia, pois só foi aberta em 1968. Neste local existia a Estrada do Matumbo (que começava onde fica a esquina do atual colégio Santo Inácio de Loyola até a ponte sob o Rio Beberibe, pertinho da Antactica, seguindo pela atual Rua Dalva de Oliveira até atingir a linha férrea do bonde, na Estrada Nova de Beberibe ( atual Avenida Beberibe). Da entrada da Estrada de Aguazinha até Peixinhos era tudo propriedades particulares, sítios, plantações e alagados. Para chegar até a prefeitura de Olinda, o morador da região de Águas Compridas teria que ir até a Praça Nossa Senhora da Conceição (atual Praça da Convenção), mais antes teria que atravessar uma precária e estreita ponte de madeira sob o Rio Beberibe ou passar  por dentro do próprio rio, que na época, tinha de 40 a 60cm de profundidade e ir molhado dentro do bonde, o que não era permitido, até a Encruzilhada, onde desceria e pegaria um outro bonde, desta feita, com destino ao Carmo, seguindo pela Estrada de Belém até chegar à prefeitura. Obstáculos que limitava e impedia que moradores desta região reivindicasse por melhorias.  

Pessoas embarcando no ônibus da Pernambuco Autoviária em 1947, a primeira linha de ônibus a circular oficialmente em Olinda.

No dia 31 de agosto de 1945, o Jornal do Commercio noticiava a implantação da primeira linha de ônibus do município de Olinda pela empresa Pernambuco Autoviária Ltda em substituição aos bondes que vinha aos poucos deixando de circular. A Pernambuco Autoviária já vinha circulando pela vizinha Recife. Este acontecimento fez com que surgissem outros ônibus em Olinda, seja eles regularizados pelos órgãos de trânsito ou clandestinos. Dentro deste contexto, Águas Compridas não ficou de fora, em 1944, o povoado da zona rural de Olinda, começava a ter maior visibilidade, já era possível lê algumas publicações referente ao povoado, mas, ações efetivas para melhorar a situação do povo, isto não aconteceu. 

Durante toda década de 1940, Águas Compridas permaneceu abandonada pelo Estado. Os ônibus regulares não chegavam em Águas Compridas, pois, o acesso era horrível, a Estrada do Matumbo não tinha iluminação e era muito esburacada. A Estrada do Caenga que dava acesso a Beberibe, também era precária, e para piorar, a ponte sobre o Rio Beberibe era de madeira e não muito seguro para a Delegacia de Trânsito autorizar o tráfico de coletivos.  Mais isso não impediu  que proprietários de velhos caminhões chamados de “correções” e ônibus tipo jardineira chamados de “beliscadas” aventurasse pela acidentada via de Águas Compridas. As chamadas correções e beliscadas não tinham regras, podiam circular lotados, com grandes pacotes, feiras, animais e tudo que era possível. As pessoas podiam usar qualquer tipo de traje, andar descalços, coisas que os ônibus regulares não permitiam. 

Antigos ônibus jardineira apelidadas de sopas e beliscadas e que foram os primeiros a circularem por Águas Compridas. Foto de 1947.

Em abril de 1947, a delegacia de trânsito do Recife, pressionada pelo empresário Virgílio Torres de Meneses, dono da Pernambuco Autoviária, que lutava contra a concorrência. Queria que fosse proibida a circulação de qualquer transporte clandestino dentro do Recife e Olinda. Resolveu padronizar as correções e as beliscadas que circulavam pelo município do Recife e deu um prazo de um mês para que os proprietários destes transportes tomassem às devidas providências. As correções teriam que se transformar em ônibus e as beliscadas adequar os padrões dos ônibus regulares. O ônus seria muito alto e os proprietários alegaram não ter recursos suficiente para os devidos reparos. Moradores de Águas Compridas e diversas comunidades pobres do Recife, se revoltaram só de pensar em perder o único meio de transporte motorizado que dispunham. No dia 29 de abril de 1947, representantes das comunidades servidas pelas correções e beliscadas de Águas Compridas, Caravelas (Olinda), Tejipió, Piedade, Várzea, Iputinga, Macaxeira, Casa Amarela, Dois Irmãos e Casa Forte se dirigiram até a Assembleia Legislativa de Pernambuco para protestarem e pedirem pelas correções e beliscadas. O movimento surtiu efeito e o prazo para melhorias dos referidos coletivos prorrogadas. Cinco meses depois, o jornal “A Folha da Manhã” na edição de 11 de setembro de 1947, o Secretário de Segurança Pública, o capitão Murilo Rodrigues, declarou que das 151 beliscadas existentes, apenas 91 foram transformadas em coletivos credenciados.

No dia 27 de junho de 1948, a Prefeitura Municipal do Recife abriu o edital Nº 214, para concessão de novas linhas de ônibus para Várzea, Dois Irmãos, Sucupira, Porto da Madeira e Águas Compridas. Nenhuma empresa se interessou em prestar serviço ao povoado de Águas Compridas pela dificuldade de acesso.

Em novembro de 1949, o prefeito do Recife, Manoel César de Moraes Rêgo deu início às obras da construção da ponte e pavimentação da Praça da Convenção ligando Recife a Olinda, que só foi inaugurada em 31 de janeiro de 1952 pelo prefeito do Recife, Antônio Pereira. Esta obra facilitou o acesso pela Estrada do Caenga até Águas Compridas e voltou o interesse por algumas empresas de ônibus, mesmo que pequenas, em servir o povoado, mas, a primeira linha de ônibus regular de Águas Compridas a de Nº 103, só começou a circular em 1951, infelizmente os documentos consultados não revelam o nome da empresa, todavia, documentos do início dos anos 60, revelam que circularam em Águas Compridas, seis ônibus da Rodoviária Machado; um ônibus da Auto Viação Ita, que pertencia ao dono da padaria Cruzeiro do Sul; dois ônibus da Expresso Marlene e dois ônibus da Expresso Santo Antônio. Nos anos 70 e 80, a Rodoviária Machado/Amapá adquiriu a concessão e exclusividade da linha de Águas Compridas até 1992, quando surgiu a Rodoviária Caxangá que assumiu a linha de Águas Compridas até o presente. 


Antes do terminal de Xambá funcionava este terminal integrado na Estrada do Caenga, que foi desativado no dia 16/8/2013. No alto, Retiro São José que foi inaugurado em 1901. Foto: Diego Barbosa/2012.

Em 15 de agosto de 2013, foi inaugurado pelo governador Eduardo Campos, o Terminal Integrado de Xambá, na Rua das Dunas, em São Benedito. Entretanto, o terminal de Xambá só começou a funcionar no dia 17 de agosto. A partir daí, todas as linhas da região de Águas Compridas passaram a ser alimentadoras, não mais seguindo para o Centro da Cidade do Recife e Estação Joana Bezerra no bairro do Coque.

No início, os ônibus de Águas Compridas não entravam no córrego totalmente, porque a situação da estrada não permitia. Os ônibus só chegavam até o cemitério. Na primeira metade dos anos 60, o terminal passou a funcionar no Largo do Afonso, depois passou a funcionar próximo a padaria Cruzeiro do Sul, Nº 246, de propriedade de Severino Vieira da Silva e seu sócio José Augusto Santana. Já nos anos 70, o terminal passou a funcionar no chamado Centro Comercial de Águas Compridas, esquina com a Rua Bernardino de Melo. Atualmente, o terminal fica no Alto da Conquista.  Além do mais, a falta de sinalização das paradas dos ônibus causavam vários atritos entre passageiros, motoristas e cobradores, a ponto da situação ser levada ao conhecimento da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) e o deputado Paulo Cavalcanti ter ido a tribuna no dia 17 de outubro de 1951, apelar para a Delegacia de Trânsito providenciar as placas de sinalização das paradas dos coletivos.

Os problemas das buraqueiras em Águas Compridas eram frequentes. No dia 2 de julho de 1959, o deputado Andrade Lima entrou com um requerimento de Nº 496 solicitando a Secretaria de Viação e Obras Públicas, no sentido de ser feita a terraplanagem das estradas de Águas Compridas e Caixa D’Água.

Através do Ato Nº 204, de 19 de fevereiro de 1965, o diretor geral do DER (Departamento de Estradas e Rodagens), Florivaldo Silvestre Neto, anunciou o novo aumento das passagens de ônibus de várias linhas da Região Metropolitana do Recife, entre elas, a da zona rural de Olinda: Águas Compridas e São Benedito, que passou a custar CR$ 0,50 (cinquenta centavos, de cruzeiros) a partir do dia 1º de março de 1965.

Em 24 de setembro de 1967, o diretor geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Abelardo Bartolomeu Soares Neves, anunciou as novas tarifas para ônibus do Grande Recife. As tarifas dos ônibus de Águas Compridas, São Benedito e Caixa D’Água que íam até o Recife passaram a custar NCR$ 0,15 (quinze centavos, de cruzeiros novos).

O Diário da Manhã de 16 de fevereiro de 1970, postou uma carta de um morador de Águas Compridas criticando o péssimo serviço de transporte coletivo prestado no bairro. A carta dizia o seguinte: “Sr. Redator. Águas Compridas é a linha mais mal servida do mundo. Os motoristas são arbitrários sem educação. Os cobradores são ainda piores. Nunca tem troco. A gente vive perdendo dinheiro para eles. Outro dia, perdi o troco de CR$ 0,50 (cinquenta centavos) e ainda ouvi palavrões do desaforado cobrador. Quanto aos veículos sujos e ruins e ainda por cima rebentam-se no caminho e nos obriga a esperar por outro que tarda a chegar. Tomara que a Companhia de Transportes Urbanos chegue por aqui. Aguardamos o general Viriato de Medeiros, por amor de Deus”.


A foto é de 1971, mostra morador de Águas Compridas no Largo do Afonso durante as obras de calçamento da Estrada de Águas Compridas. Arquivo do Sr. Josemário Santana.

Diário da Manhã, 22 de março de 1971, publicou uma nota sobre a pavimentação da Estrada de Águas Compridas no trecho do Buraco do Afonso e o canal do antigo Riacho Lava-Tripas na gestão do prefeito de Olinda, Ubiratan de Castro e Silva. A nota dizia o seguinte: Em ritmo acelerado, os trabalhos de pavimentação da Estrada de Águas Compridas e adjacências. O canal localizado nas imediações  do Buraco do Afonso já se encontra em vias de conclusão, possibilitando o escoamento das águas que não mais invadirão no período invernoso as residências localizadas na Estrada de Águas Compridas.

O Diário da Manhã de 28 de maio de 1979, publicou: O prefeito de Olinda, Germano Coelho, adquiriu junto ao Fidem, a importância de 9 milhões de cruzeiros para fazer face aos diversos problemas  de capeamento e pavimentação da Cidade de Olinda, e o vereador edil Antônio Pascoal fez a devida coordenação e sua zona eleitoral foi a preferida. Realmente o capeamento das estradas do Caenga e de Águas Compridas requer uma maior atenção e preferência da edilidade, uma vez que suas vias de acesso é quase intransitável com enormes crateras e poças d’água e que com o capeamento acabará.

Em 9 de julho de 1983, o Diário da Manhã, publicou: Cohab e BNH com recursos de 350 milhões de cruzeiros, vai iniciar os trabalhos de contenção de morros, escadarias e pavimentação da favela de Águas Compridas. As obras foram autorizadas pelo secretário de habitação de Pernambuco, Admaldo Matos de Assis.

No dia 15 de maio de 2012, o Diário Oficial de Pernambuco publicou: O deputado Rildo Braz, solicita através  da indicação Nº 4238/2012, solicita ao prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, o asfaltamento das ruas Apóstolo, Campo Alegre, Tijuca, Cobrapa, da Educação e Avenida Portuguesa, no Alto Jardim Conquista (Águas Compridas).

O DESABAFO DO VEREADOR LUCIANO SOARES

No dia 20 de setembro de 1972, o Diário da Manhã publicou uma entrevista concedida ao jornal, onde o vereador Luciano Soares, de Águas Compridas, impõe condições para apoiar a candidatura de Arêdo Sodré Mota a prefeitura de Olinda e exige que o aliado de Arêdo, o prefeito de Olinda, Ubiratan de Castro faça algumas obras de pavimentação em Águas Compridas. Leia na íntegra a entrevista completa. “ O vereador Luciano Soares, de Olinda, cuja adesão à candidatura  do senhor Arêdo Sodré, ao executivo da vizinha cidade vem causando controvérsia. Disse ao Diário da Manhã, que realmente decidi apoiar a candidatura de Arêdo Sodré, porém mediante compromisso do prefeito Ubiratan de Castro, no sentido de realizar até 15 de novembro vindouro várias obras de serventia pública no bairro de Águas Compridas e adjacências.

Aduziu que dentre estas obras, exigiu a pavimentação de toda Estrada de Águas Compridas e algumas de suas transversais, a instalações de luz a vapor de mercúrio, inclusive no Alto da Bondade, alguns chafarizes e mais algumas escolas.

Vereador Luciano Soares
Advertiu o vereador Luciano Soares que na eventualidade de não serem realizadas todas as obras solicitadas ao prefeito de Olinda, Ubiratan de Castro, até novembro, então liberarei todos os meus correligionários nas próximas eleições. Desse modo, todos os meus amigos poderão votar em quem melhor lhes agradar, sobretudo porque tudo o que eu defendo é exatamente o bem-estar da coletividade que represento na Casa de Bernardo Vieira de Melo. 

Disse ainda, que toda essa onda que se faz entorno de meu apoio à candidatura de Arêdo Sodré, inclusive de que eu teria recebido algumas benesses do atual prefeito, em proveito pessoal, não passa de campanha difamatória de quem só sabe destruir. Para mim nada pedi ao prefeito Ubiratan de Castro e lanço um repto tanto ao chefe do executivo olindense com a quem interessar possa no sentido de provar com dados positivos, que eu tenha, em qualquer tempo procedido tão desavergonhosamente.

Renuncio ao meu mandato e à minha candidatura caso alguém prove que eu tenha tirado proveito escuso em face da minha adesão à candidatura do senhor Arêdo Sodré, finalizou o edil de Águas Compridas.”

Até hoje diversas localidades de Águas Compridas sofre com a irregularidade na distribuição de água. Foto: Folha de Pernambuco.

O PRECÁRIO ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM ÁGUAS COMPRIDAS SEMPRE FOI UM SÉRIO PROBLEMA

O problema de abastecimento de água em Águas Compridas sempre foi precário e motivo de vários protestos na comunidade até hoje. No dia 9 de agosto de 1950, era inaugurado o serviço de abastecimento d’água de Águas Compridas, pelo prefeito de Olinda, Celso Miranda Oliveira, com a entrega à população  de um chafariz, e um banheiro público no Largo do Afonso  e da Escola José Mariano, que fez parte das comemorações do Centenário de José Mariano Carneiro da Cunha, abolicionista pernambucano, nascido em Ribeirão, em 8 de agosto de 1850 e que foi prefeito do Recife em 1891. 
A primeira escola, Dr. José Mariano inaugurada em 1950.

O Diário da Manhã de 16 de abril de 1971, publicou: No último domingo, a Secretaria de Água e Esgotos inaugurou mais um chafariz no bairro de Águas Compridas, inclusive no Alto da Glória, destinado ao fornecimento de água potável.

Em janeiro de 1975, o prefeito de Olinda, Arêdo Sodré Mota, adquiriu nos Estados Unidos uma perfuratriz para perfuração de poços no município e assim, melhorar a oferta de água da população. Com a perfuratriz, o sistema de abastecimento d’água de Olinda aumentou de 12 mil para 90 mil metros cúbicos diários.  Levando em média de 8 a 15 dias para abrir um poço de aproximadamente 330 metros de profundidade, de acordo com o terreno. Capaz de captar mais de 200 mil litros d’água por hora. A prefeitura de Olinda, perfurou 32 poços na primeira etapa de planejamento em três áreas preparadas em torno dos morros olindenses de Perijuça, Urubu, Monte, Peludo e Caenga do Outeiro (Águas Compridas). 

Em 23 de janeiro de 1976, o secretário de saneamento e obras de Olinda, o engenheiro Erasmo de Almeida informou que Olinda teria um novo sistema de abastecimento de água e que as obras já estavam em execução e que seria concluídas em julho, quadruplicando a oferta de água no município. O secretário na ocasião, estava visitando as obras de construção de dois reservatórios em Águas Compridas no total de oito programados para o município. Esses dois reservatórios, um com capacidade de 500 metros cúbicos e outro com 2.000 metros cúbicos, foram ligados a cinco poços perfurados ao longo da Estrada de Águas Compridas para abastecimento do bairro e áreas circunvizinhas.

Em 10 de janeiro de 1979, o prefeito de Olinda, Germano Coelho, declarou que um convênio firmado entre a prefeitura e a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) reforçaria o abastecimento de água de Olinda que passaria de 10 milhões de litros/dia para 43 milhões de litros/dia a partir de fevereiro, com a interligação dos sistemas Recife-Olinda. A Compesa investiu 8 milhões de cruzeiros ligando os sistemas da Estação Alto do Céu (Recife) com a Estação Presidente Kennedy (Olinda) localizada no bairro de São Benedito. Esta conexão beneficiou as localidades olindenses de Águas Compridas, Alto do Cajueiro, Alto da Conquista, Santa Casa, Nova Olinda, Caixa D’Água, Sapucaia, São Benedito, Aguazinha, Jardim Brasil, Peixinhos, Vila Popular, Fosforita, Sítio Novo, Salgadinho, Bonsucesso, Guadalupe, Amaro Branco, além do bairro recifense de Beberibe. Três anos antes da atuação da Compesa em Olinda, o município contava com 10 milhões de litros/dia para atender toda a população, através de 19 mil ligações domiciliares e 190 quilômetros de rede de distribuição. Na ocasião, a Compesa já proporcionava a velha cidade 36 milhões de litros/dia, 35 mil ligações domiciliares e 427 quilômetros de rede de distribuição. 

No dia 22 de fevereiro de 1986, o Diário Oficial de Pernambuco anunciava através das palavras do engenheiro  José Chaves o início do funcionamento do Sistema Botafogo em Igarassu. Uma barragem capaz de armazenar 28 milhões de metros cúbicos de água. A adutora percorre 52 quilômetros de Igarassu à Olinda. O prefeito de Olinda, José Arnaldo, disse que o Sistema Botafogo beneficiará e muito o município de Olinda principalmente os bairros menos favorecidos. No dia 6 de outubro, as águas do Sistema Botafogo chegava nas comunidades do Alto Nova Olinda, Sapucaia, Aguazinha e São Benedito. No dia 13 de outubro, foi a vez das comunidades de Águas Compridas, Alto da Bondade e Caixa D’Água. 

No dia 3 de maio de 2012, o Diário Oficial de Pernambuco publicou: O deputado Rildo Braz solicita o reestabelecimento do abastecimento regular d’água nas ruas do Alto Jardim Conquista, em Águas Compridas.

Em 2015, foi inaugurado pela Compesa, na Estrada do Caenga, próximo ao cemitério de Águas Compridas, um poço artesiano com 250 metros de profundidade no sentido de melhorar o abastecimento de água no Alto do Cajueiro.

A falta de energia elétrica em Águas Compridas é uma constante.

A ENERGIA ELÉTRICA EM ÁGUAS COMPRIDAS

A energia elétrica chegou em Águas Compridas em meados de 1955, de forma lenta e gradativa. Fornecida pela empresa inglesa Tramways and Power Company Limited que atuava no Recife desde 1914, concessionária dos serviços públicos de energia elétrica e transportes de bondes de Olinda e Recife.

Em 30 de abril de 1954, em sessão na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Antônio Luiz Filho apresentou o requerimento de Nº 132, fazendo um apelo ao Secretario de Viação e Obras Públicas no sentido de tomar urgentes providências contra a falta de energia elétrica em Águas Compridas de Beberibe.

O Diário Oficial de Pernambuco de 19 de março de 1964, o deputado Andrade Lima apresentou o requerimento de Nº 18 e falou: Requeremos, requeridas as formalidades regimentais, seja formulado um apelo ao Departamento de Águas e Energias (DAE), no sentido de colocar iluminação pública nas ruas situadas no Alto Nova Olinda, Córrego da Macaíba e terminal de Águas Compridas. Justificativa: Fazendo novas por intermédio do presente requerimento, as angustia daquela gente que reside no Alto da Nova Olinda e adjacências que vem acontecendo quase que constantemente casos de agressão motivadas pela falta de luz elétrica. Temos certeza de que o DAE, tomará no devido apreço o que ora acabamos de pedir.

No dia 10 de fevereiro de 1965, é fundada a Companhia de Eletricidade de Pernambuco (CELPE), encerrando as atividades da Tramways.

O Diário Oficial de Pernambuco de 27 de abril de 1978, O deputado José Fernandes, fez um apelo ao governo do Estado para implantação de iluminação pública no Jardim Conquista, em Águas Compridas. 

No dia 12 de fevereiro de 1980, o Diário Oficial de Pernambuco, publicou uma solicitação do Deputado Nivaldo Machado, na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco, fezendo um apelo ao Secretário de Transportes para que a Celpe providenciasse a complementação da iluminação elétrica do Alto da Esperança, em Águas Compridas.

O FUTEBOL AMADOR DE ÁGUAS COMPRIDAS E SEUS CRAQUES

Todo bairro que se preza tem que ter peladeiros, times que se destacam e craques que todo mundo do bairro comenta e elogia. O bairro de Águas Compridas não é diferente, e o que é melhor. Daqui surgiram jogadores que jogaram em clubes profissionais de Pernambuco, do Brasil e do exterior.  A história do futebol de Águas Compridas começa com a criação do primeiro clube amador do bairro. O Combinado Futebol Clube, com as cores vermelha, preta e branca, da comunidade de Nova Olinda, fundado em 10 de setembro de 1950 pelo ex- vereador de Olinda, Luciano Soares, pai do atual vereador de Olinda, Marcelo Soares. 

24/5/1981- Luciano Soares (terno branco), entrega premiação a Ubirajara, o Bira Gaivota, pela conquista do primeiro turno da Liga de Águas Compridas pelo Combinado F. Clube. O cidadão à esquerda indicado pela seta é o atual vereador Marcelo Soares. Arquivo: de Bira Gaivota.

Atualmente, a sede do clube fica no Alto da Conquista, onde fica o campo de futebol que pertence a Marcelo Soares. Graças a dedicação e ao amor ao esporte de seu administrador, Ubirajara Severiano dos Santos, conhecido como Bira ou Gaivota, o clube sobrevive. Ele que é funcionário da Escola Municipal José Mariano, a mais antiga de Águas Compridas, e irmão do jogador profissional Terto. Diz que tem uma grande paixão pelo Combinado, pois toma conta do patrimônio e ainda joga pelo time desde do tempo de adolescência. Em 1980, Bira fundou a Liga Amadora de Futebol de Águas Compridas, conhecida popularmente por “Campeonato de Águas Compridas” que existe até hoje. Outros times do bairro merece destaque: o Vera Cruz, de seu Jura; o Independência, de seu Arlindo; o Coral, de seu Vado; o Columbia, do Alto do Cajueiro; o Avaí, de seu Roberto e o Bangu, de seu Josemário Roberto de Santana.

O Combinado Futebol Clube tem uma história curiosa, revelou três jogadores de sucesso no futebol profissional: Terto, Alex e Genival. O primeiro como eu já havia dito é o irmão de Bira Gaivota. Nascido no bairro recifense de Ponto de Parada, propriamente, na Rua Coito Magalhães. Ainda garoto, Tertuliano Severiano dos Santos (Terto), veio com a família morar em Águas Compridas. Adolescente, Terto era sempre um dos destaques das peladas. Com muita habilidade e categoria, todo time queria que ele vestisse sua camisa. 

Terto em 1981, com a camisa do Combinado, em Á. Compridas.
A revelação do Combinado, preste a completar 19 anos, foi jogar no Santa Cruz (1965 a 1967), depois o ponta-direita foi jogar no futebol paulista, no São Paulo, onde passou 10 anos (1967 a 1977). Lá foi campeão paulista em 1970, 1971 e 1975. Em 1974, foi o artilheiro da Taça Libertadores da América com 7 gols. Depois foi jogar pelo Botafogo de Ribeirão Preto -SP (1977 a 1978), aí seguiu para o futebol cearense para jogar pelo Ferroviário (1979 a 1980) onde sagrou-se campeão cearense no primeiro ano. Finalmente jogou no Fortaleza (1981) e no Grêmio (1982) onde encerrou a carreira de jogador profissional. Atualmente trabalha no São Paulo com as categorias de base e tem uma escolinha de futebol em Jardim Umarizal, zona sul de São Paulo.

Terto de Águas Compridas para o São Paulo, Campeão Paulista de 1975: (Pé) goleiro Waldir Peres, Gilberto, Paranhos, Nelsinho Batista, Arlindo e Chicão; (agachados) Terto, Murici Ramalho, Serginho Chulapa, Pedro Rocha e Zé Carlos Serrão. Foto: São Paulo Futebol Clube.

O segundo jogador revelado pelo Combinado foi o jogador Alex, nascido em Águas Compridas, seu nome de batismo é Alexandro Fernandes Xavier, nascido em 1º de abril de 1973. Seu primeiro clube profissional foi o Náutico onde jogou de 1990 a 1996. Em 1994, viveu seu melhor momento no alvirrubro pernambucano, marcou 12 gols pelo Campeonato Pernambucano e 9 gols pelo Brasileirão- Série A. Depois teve uma passagem apagada pelo Sport Recife (1996/97) seguiu para o Mogi-Mirim – SP (1998 a 1999), daí foi negociado ao futebol mexicano onde fez grande sucesso.  

Alex, melhor jogador do Clube Náutico Capibaribe em 1994. Jogador nascido em Águas Compridas. Foto: Jornal do Commercio/Recife.

Alex (dir.) no Monarcas Morelia do México em 2002. Sucesso no futebol Mexicano, comemorando mais um gol.

Começou jogando pelo Monarcas Morelia (1999 a 2002) marcando 72 gols. Em 2002, foi para o tradicional Monterrey onde ficou até 2004, marcou 35 gols. Em 9 de setembro de 2015, o Periódico Central, do México, elegeu os dez maiores artilheiros estrangeiros da história do futebol mexicano, Alex, ficou classificado na 5ª posição com 101 gols marcados. Alex ficou atrás apenas do paraguaio José Cardozo- 249 gols; o chileno Rodrigo Ruiz- 118 gols; o brasileiro Claudinho- 117 gols e do uruguaio Loco Abreu que marcou 116 vezes. 

O portal de notícias mexicano comentou: Em época onde os atacantes estrangeiros tem domínio no nosso futebol. É hora de fazer um pouco de flashback e lembrar daqueles atacantes que vieram para a Liga Mexicana de Futebol, para ser lendas, para contribuir, ganhar o amor de um país inteiro. Não importa onde jogam, são admirados. Aqui deixamos os dez jogadores que brilharam e mostraram o seu potencial no futebol mexicano e cuja caminhada não foi por dinheiro ou férias, mas deixar um selo inesquecível que permanece inatingível para muitos. Sobre o jogador pernambucano acrescentou:  “Alex Fernandes, apenas duas equipes da primeira divisão do México puderam desfrutar de seus serviços: Monterrey e Monarcas Morelia. Desde que chegou ao Monarcas, o atacante brasileiro tornou-se amante das redes. Sua passagem foi marcados importantes com 31 gols, mas o que ele fez em Morelia foi impressionante, porque ele se dedicou com 70 bolas para redes e deu um medo mortal as defesas opostas quando viu tomando pau-pau”.

Combinado de Águas Compridas em 1960, com: Joca, sem uniforme, Célio, o goleiro Jucélio, Manolo, Demar, Genival e Chicão; (agachados) Zé Luiz, Adilson, Milton, Terto, Peixinho e Sabará. Arquivo: Bira Gaivota.

O terceiro jogador revelado pelo Combinado de Águas Compridas foi Genival (foto acima), pouco se sabe dele, mas o certo é que ele jogou o Campeonato Pernambucano de 1963, pelo Santa Cruz. No ano seguinte, jogou pelo Fortaleza e lá sagrou-se bicampeão estadual pelo clube alencarino (1964/1965).


O jovem Josemário Santana trabalhando na padaria Nova Cruzeiro, em Buraco do Afonso em agosto de 1967. Abaixo, na formação do Bangu de Águas Compridas de 1964. Time fundado por ele.


Bangu de Águas Compridas de 1964: da esq. para dir. Em pé: Massa Bruta, Delson, Janga, Adilson, Esquerdinha, Josemário, Dema Branco e Dema Preto; (agachados): Clóvis, Cabeça Oca, Zeca, Hernandes, Vavá, Mané e o goleiro não identificado. Fotos do arquivo de Josemário Santana.

ÁGUAS COMPRIDAS E SUAS TRADIÇÕES CULTURAIS

Águas Compridas é um dos bairros mais pobres de Olinda, mais nem por isso, seu povo deixa abater-se. Com uma juventude talentosa que supera todas as adversidades. Águas Compridas é referência nas festas juninas do Estado com duas quadrilhas juninas que são o orgulho do bairro, são simplesmente um arraso. Com títulos de campeão do Nordeste. Pergunta-se, como pode um bairro tão pobre produzir quadrilhas juninas tão sofisticadas a ponto de conquistar títulos tão importantes? Simples, muito talento, garra e dedicação. Estamos nos referindo as quadrilhas juninas “Raio de Sol” e “Traque de Massa” elas são sensacionais. 

Quadrilha Raio de Sol em 2016, campeã diversas vezes, dispensa comentário. Foto: Luiz Santos.

A Quadrilha Junina Raio de Sol foi criada em 1996, por Alana Nascimento e José Bonifácio (Boni), que não é o da Rede Globo. A quadrilha que surgiu apenas como diversão de crianças de uma escolinha particular do bairro, chamada de “Pantera Cor de Rosa” para animar o São João e que transformou-se na sensação da comunidade, chegando a receber vários convites para se apresentar em eventos. A cada ano que se passava a Raio de Sol aperfeiçoava seu figurino, coreografias e casamento matuto. Destacando-se entre as quadrilhas mirins e conquistando seu primeiro grande título de 2000 – Campeã Pernambucana Mirim.
As crianças foram crescendo junto com a quadrilha, que passou a ser categoria adulta em 2002. A partir de 2006, com um novo marcador e coreógrafos, e devido à concepção diferenciada de fazer quadrilha dos produtores Fábio Costa e Américo Barreto, a Raio de Sol tem se destacado bastante, conquistando vários títulos: Hexa campeão pernambucano (2006, 2007, 2008, 2010, 2012 e 2015); Tetra campeão do Sesc-PE (2006,2010, 2012 e 2013); Tricampeão da Rede Globo Nordeste (2007, 2013 e 2015); Bicampeão no Festival de Quadrilhas da Globo Minas – Etapa Nacional em Contagem- MG (2012 e 2013); Campeão do Nordestão/UNEJ em Natal- RN (2006); Campeão do Campeonato Nacional de Quadrilhas/CONFEBRAQ em Rio Branco- AC (2010); Campeão do Campeonato Arraial Brasil em Ceilândia- DF (2014); Campeão do Festival Nacional de Quadrilhas Iguatu Festeiro em Iguatu- CE.

A beleza e a graciosidade da Quadrilha Traque de Massa, de Águas Compridas.

A Quadrilha Junina Traque de Massa é outra tradicional quadrilha de Águas Compridas, fundada em 20 de março de 2004, surgiu da junção de duas quadrilhas do bairro, a Tradição na Roça e a Moderna Caruá. Seus idealizadores foram Sérgio Ricardo Silva Lins e José Roberto da Silva Neto. A Traque de Massa é a segunda melhor quadrilha junina do bairro, não tem a mesma bagagem da Raio de Sol, mais nem por isso deixou de mostrar sua competência, talento e toda tradição da galera jovem de Águas Compridas, pois, em 2006, foi campeão do Festival de Quadrilhas da Rede Globo Nordeste. A Traque de Massa sempre está entre as melhores quadrilhas do Nordeste, um orgulho do povo de Águas Compridas.   

O Bacalhau do Verdura alegra o carnaval de Águas Compridas na quarta- feira de cinzas.

Troça Carnavalesca Bacalhau do Verdura é considerado o maior evento carnavalesco de Águas Compridas. Criado em 5 de janeiro de 1995, pelo comerciante José Gomes de Almeida, o Verdura. A troça sai toda quarta-feira de carnaval com trio elétrico e muito frevo arrastando a multidão. Águas Compridas simplesmente para. O Verdura, fundador do bacalhau, nasceu em Caixa D’Água em 1952, e veio ainda menino morar em Águas Compridas. Seu pai era comerciante, vendedor de frutas e verduras em Buraco do Afonso. José Gomes trabalhava ajudando o pai e logo a turma começou a chama-lo de Verdurinha, na medida que José Gomes foi crescendo o diminutivo foi deixado de lado e José Gomes passou a se chamar em definitivo por Verdura. A ideia da troça foi sugestão dos amigos que diziam: “ Se em Olinda tem o Bacalhau do Batata, porque nós não podemos ter o nosso bacalhau do Verdura”. Durante dezoito anos, Verdura com sua alegria, simpatia e amizade alegrou o carnaval do bairro. 

Em 9 de julho de 2013, o Verdura veio a falecer, causando muita tristeza e comoção à comunidade.  Mais o Bacalhau do Verdura não acabou, pois sua filha, Rosilene Gomes de Almeida, a Leninha, muito apegada ao pai, enfrentou todas as dificuldades e vem mantendo a troça de pé para a alegria dos foliões de Águas Compridas. A sede da agremiação fica no Largo do Afonso.

O centenário Maracatu Leão Coroado agora é de Águas Compridas.

Outra agremiação carnavalesca de grande prestígio em Águas Compridas é o Maracatu de Baque Virado Leão Coroado com mais de 150 anos de existência, mais que desde 1996, faz parte do carnaval de Águas Compridas. Sediada na Rua José Dias de Moraes, Nº106. 

O Maracatu de Baque Virado Leão Coroado, tem como data oficial de fundação o dia 8 de dezembro de 1863, embora haja a hipótese que ele já existisse em 1852. Folguedo criado por escravos, o Maracatu Leão Coroado surgiu no bairro de São José, na Rua Leão Coroado, no Recife. Pegou fama e reconhecimento a partir de 1954, quando o mestre Luís de França recebeu de seu pai, um ex-escravo africano e assumiu por mais de quarenta anos. O oluô Luís de França era frequentador de terreiros de candomblé, cuidou da organização, das obrigações religiosas e da direção da batucada, cujo baque secular foi herdado de seu pai. Durante muitos anos, o Maracatu Leão Coroado residiu na Bomba do Hemetério. Em 1996, Luís de França com o peso de seus 97 anos, decidiu acabar de vez com o maracatu. Mas, a Comissão Pernambucana de Folclore, reunido no secular terreiro de Pai Adão, em Água Fria, convenceu o oluô a repassar o comando para um outro mestre. 

A escolha foi feita através dos búzios e o escolhido pelas divindades foi o babalorixá Afonso Gomes de Aguiar Filho, que diz, que não entendia nada de maracatu, nem de carnaval. O oluô Luís de França, passou dezenove dias alojado na casa do babalorixá Afonso Aguiar em Águas Compridas, onde passou todo o seu conhecimento à respeito do maracatu e do carnaval. Afonso Aguiar revelou que recebeu todo o material da agremiação em péssimas condições de uso, tanto, que o maracatu não desfilou neste ano. Isto só havia acontecido só uma vez, em 1918. Afonso diz que teve que trabalhar duro durante todo o ano para deixar o maracatu pronto. Missão cumprida, e em 1997, o maracatu desfilou pela primeira vez sob o seu comando e para o público de Águas Compridas.  

UM AMOR AMERICANO


Amor na guerra. Foto: Alfred Eisenstaedt. 
Durante a II Guerra Mundial, no ano de 1942, um Oficial da marinha norte-americana com passagem pelo Brasil, conheceu Francelina, uma jovem pernambucana e, apaixonou-se perdidamente por ela, mais a guerra fez com que houvesse um desencontro de quase trinta anos. Em 1972, de tanto procurar, o Oficial norte-americano, que está reformado e teve seu nome ocultado, localizou seu grande amor que morava em Águas Compridas e que virou notícia de jornal. No dia 1º de junho de 1972, o Diário da Manhã noticiou este caso de amor da seguinte forma: O esforço realizado por um Oficial da marinha dos Estados Unidos para reencontrar a mulher que conheceu no Brasil, à época da II Guerra Mundial, está agora coroado de êxito. Maria Francelina da Silva, solteira, residente na Estrada de Águas Compridas, nº 1759, em Olinda, compareceu ontem à polícia e pediu para comunicar-se com ele. Afirmou ser a mulher que o Oficial conheceu durante a guerra. Sem revelar o nome do Oficial, Francelina disse que ele prometera divorciar-se da esposa para voltar ao Brasil e continuar um amor de vinte nove anos.

OS POSTOS DE SAÚDE

Em 17 de abril de 1972, o Diário da Manhã publicou: o prefeito de Olinda, Ubiratan de Castro, inaugura o posto de saúde de Águas Compridas. Antes no local funcionava apenas um ambulatório. Atualmente, Águas Compridas conta com cinco Unidades da Saúde da Família (USF) e um Núcleo de Assistência a Saúde da Família (NASF). São eles: USF- Alto da Conquista I e II na rua da Tijuca, Jardim Conquista; USF- Alto do Cajueiro, na rua Raimundo da Conceição; USF- Alto Nova Olinda, na rua Alto Nova Olinda; na Estrada de Águas Compridas ficam: USF- Águas Compridas I, II e III e a NASF- Águas Compridas I e II.  

Escola Raymundo Diniz inaugurada em 1972.

ESCOLA RAYMUNDO DINIZ

O Diário Oficial de Pernambuco de 8 de julho de 1972, publicou: O Decreto Nº 2583 de 7/7/1972, cria as escolas de 1º grau, Professor Jordão Emerenciano (Ibura) e Raymundo Diniz (Águas Compridas) sancionada pelo vice-governador José Antônio Barreto Guimarães.

Em 25 de setembro de 2012, o Diário Oficial de Pernambuco publicou: Implantação do ensino fundamental do 1º ao 9º ano no Colégio Estadual Felisberta de França, na Ladeira do Giz (atual Rua do Amanhecer), 162, em Águas Compridas.


Os primeiros telefones públicos de fichas, depois veio o de cartões.

TELEFONE PÚBLICO
Não se sabe ao certo quando foi instalado o primeiro telefone público em Águas Compridas, mais tudo indica que foi no final da década de 1970. O Diário Oficial de Pernambuco de 4 de abril de 1979, diz que o deputado Ribeiro Godoy solicitar ao governador Marco Maciel a autorizar que a Telpe instale um telefone público no Alto Nova Olinda, em Águas Compridas.

Saiba mais um pouco. Em 13 de fevereiro de 1883, o Diário de Pernambuco divulgou a primeira lista telefônica de Pernambuco, composta por apenas 18 assinantes. Em 1905, já existia em Pernambuco 550 linhas telefônicas em funcionamento. Em 4 de dezembro de 1973, era criada pelo governador Eraldo Gueiros, a TELPE – Telecomunicações de Pernambuco S/A. No dia 29 de julho de 1998, a TELPE foi privatizada e passou a ser controlada pela TELEMAR, que começou a operar em Pernambuco no dia 20 de julho de 2002.

Em 1981, Recife e Olinda estavam empestados de ratos, chegando a atacar três jovens em Águas Compridas.

A INVASÃO DOS RATOS

Em 1981, a população do Recife e Olinda viveram sobre as ameaças dos ratos. Os roedores invadiram ruas saindo dos lixões e galerias de esgotos adentrando nas residências e até atacado pessoas e provocado doenças e até morte pela leptospirose. O fato é, que tanto o prefeito do Recife, Gustavo Krause, quanto o de Olinda, Germano Coelho criaram uma força tarefa para combater a praga de ratos. O Diário de Pernambuco de 11 de julho de 1981, publicou que agentes de saúde espalhados por vários bairros do Recife exterminou 184 mil ratos, através da Operação denominada de “Arrastão” entre fevereiro e junho. Em Olinda a situação era alarmante. O Diário da Manhã de 28 de junho de 1981, Publicou: “ O vereador de Olinda, Antônio Pascoal, denuncia a invasão de 2 milhões de ratos na cidade e solicita urgentes providências das autoridades de saúde para conter a invasão. Pascoal alega que os ratos estão invadindo os lares e cita como exemplo o caso de três jovens que foram mordidas pelos gabirus em Águas Compridas. 

A PRIMEIRA ACADEMIA DA CIDADE DE OLINDA

Em 21 de dezembro de 2009, era inaugurada no Alto da Conquista, a primeira academia da cidade em Olinda, em terreno que pertencia ao ex-vereador Luciano Soares. A solenidade de inauguração contou com a presença da prefeita de Olinda, Luciana Santos e do secretário Humberto Costa, representando o governador Eduardo Campos.

Um óvni apareceu em Águas Compridas. Verdade ou mentira?

O DISCO VOADOR

 No dia 29 de junho de 2013, um fato ocorrido em Águas Compridas virou assunto na imprensa e na comunidade. Um vídeo gravado de um suposto disco voador pelo artesão José Carlos, em Águas Compridas, onde ele mora, causou grande polêmica e dividiu opiniões entre moradores do bairro. Para alguns, a filmagem do disco não passava de uma montagem, outros, acreditaram ser um óvni. O artesão declarou: “ Eu vi aquele formato de nave descendo. Depois ele ficou verde, da cor da mata”.  Para o professor de astronomia  da IFPE, Guilherme Pereira, afirmou acreditar ser um balão ou uma pipa. E você, acredita? 

GALERIA DE FOTOS:


Homenagem aos veteranos do Combinado de Águas Compridas. Arquivo de Bira Gaivota.


Alex no Sport Club do Recife em 1996. Em pé: Gilvan, Sandro, Marcio Goiano, Jeferson e Dario; (agachados): Rogério, Gaúcho, Joãozinho, França e o nosso Alex. 


Alex, vestindo a camisa do Monterrey do México onde ficou de 2002 a 2004.


Terto em início de carreira de jogador profissional pelo Santa Cruz em 1965.


Terto no Santa Cruz de 1967: em pé: Valter, Agra, Reginaldo, Norberto, Carlos e Jório; agachados: Silvio, Uriel, Manuel, Terto e Nivaldo.


Nosso Terto no São Paulo que foi bicampeão paulista em 1970/71. Pé: Gilberto, Sérgio, Roberto Dias, Edson, Jurandir e Forlan; agachados: Paulo Nani, Terto, Toninho, Gerson- o canhotinha de ouro, e Paraná.



Terto, no Botafogo-SP com Sócrates no início de carreira em 1978. Pé: Wilson Campos, Manoel, Aguillera, Mário Maguila, Ângelo e Ney Roz; agachados: Terto, César Maluco, Sócrates, Lorico e Genau. Foto: Revista Competir


Terto no Ferroviário -CE, Campeão Cearense de 1979, seu último título. Pé: Cícero, Jorge Lúcio, Celso, Jeová e Ricardo; agachados: Raulino, Terto, Jacinto, Paulo César e Willians. Foto: Revista Placar.  

MEUS AGRADECIMENTOS A ESSES MORADORES DE ÁGUAS COMPRIDAS QUE MUITO CONTRIBUÍRAM PARA QUE ESTE TRABALHO FICASSE O MELHOR POSSÍVEL.

Rosilene Gomes de Almeida, a Leninha, do Bacalhau do Verdura.
Josemário Roberto de Santana, do Bangu de Águas Compridas.
Ubirajara Severiano dos Santos, o Bira ou Gaivota, do Combinado de Águas Compridas.


Por: Jânio Odon/Blog Vozes da Zona Norte. (DIREITOS RESERVADOS)
Fonte:  Diário de Pernambuco; Jornal do Commercio, Diário da Manhã/CEPE; Diário Oficial de Pernambuco; Dicionário Topográfico Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco de 1863, de Manoel da Costa Honorato; Revista Brasileira de Geografia; Território Municipal de Olinda (PE): Parcelamento do solo e diversidade dos espaços urbanos na Região Metropolitana do Recife (2011), de Roberto Silva de Souza – Doutor/Graduado em geografia pela UFPE; Fan pages das quadrilhas juninas Raio de Sol e Traque de Massa; Jornal Agrário Grito do Nordeste (Jacobina-BA).






2 comentários:

  1. Parabéns ao editor sobre parte da história desse bairro tão conhecido. Residi neste bairo por muitos anos e esse documentário me fez reviver algumas lembranças

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